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terça-feira, 23 de junho de 2015
Citações
(...) Os que desejaram transformar a Rússia no inimigo ideológico, garantindo assim a coesão do mundo ocidental, da NATO, da União Europeia, viram a sua autoprofecia realizar-se . Queriam um inimigo, aí o têm. Queriam continuar a viver na Guerra Fria, ela está de volta.
Mas não tenhamos ilusões, a segurança europeia não é divisível e não haverá paz no continente europeu enquanto o Ocidente e a Rússia não se entenderem. Enquanto não chegarem a acordo sobre a arquitetura de segurança da Europa.
A União Europeia ajudou a destruir a URSS e pode até contribuir para o fim do regime de Putine se, entretanto, não se destruir a si própria. Mas a Rússia não vai sair de onde está.
- Luís Amado, na Visão .
terça-feira, 7 de abril de 2015
Citações
(...) sabe-se que o valor que o Tratado Orçamental fixa, 70% do PIB, foi estabelecido de forma relativamente discricionária e conhece-se a controvérsia gerada à volta do estudo recente de Rogoff e de Reinhardt que aponta o limite crítico de 90%, a partir do qual a questão da sustentabilidade da dívida se coloca. Precisamente porque, a partir desse valor, a dívida constrange o crescimento da economia. Contudo, com um racio próximo dos 130% do produto, não é difícil perceber o que nos espera ao longo, pelo menos, da próxima década, se quisermos recuperar a liberdade perdida .
- Luís Amado, na Visão.
A dura e crua realidade portuguesa : uma dívida próxima dos 130% do PIB .
sexta-feira, 20 de março de 2015
Citações
(...) Tudo indica, pela agressividade das acusações e pelo ambiente da negociação, que a aprovação de um novo programa de resgate antes do verão não será tarefa fácil. Sem esse programa, contudo, a Grécia entrará em insolvência e terá de sair do euro. Não é por isso de estranhar o levantamento massivo de depósitos verificado nos últimos três meses. Os mais ricos ou os que têm algum dinheiro procuram salvar-se. Como sempre, serão os mais pobres a sofrer as consequências de políticos incompetentes que, por ironia, agitam a sua bandeira.
- Luís Amado, na Visão desta semana.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Citações : Das fronteiras
(...) Em África, por exemplo, a imposição pela OUA do princípio da intangibilidade das fronteiras herdadas da colonização europeia, fronteiras artificiais, estabelecidas pela Conferência de Berlim do final do século XIX, teve importantes efeitos na história do continente dos últimos 50 anos. A decretada " paz nas fronteiras " ajuda a compreender algumas das guerras civis e muita da instabilidade política que o continente tem conhecido, depois da descolonização, não sendo, por isso, de estranhar que andem por ali, ainda, muitos povos em trânsito.
Já é mais surpreendente que, na Europa, onde as fronteiras são o resultado de séculos de guerra e de compromisso entre a História e a geografia, existam ainda tantas nações à procura de um Estado. A Escócia é apenas uma dessas velhas nações em sobressalto. (...)
- Luís Amado, na Visão.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Citações
(...) O fim da Guerra Fria provocou uma inquietação existencial que o compromisso de Maastricht procurou resolver, criando o euro, como contrapeso à reunificação alemã, e abrindo as fronteiras da União para garantir a estabilidade a Leste. Contudo, volvidos vinte anos, nem a crise do euro está resolvida nem as relações com a Rússia estão definidas. Se na crise da Ucrânia a Rússia pode funcionar como um " integrador externo", como aconteceu no passado, com a URSS, o euro, em sentido contrário, pode actuar como o " desintegrador interno ". É bom ter consciência do sarilho em que estamos metidos.
- Luís Amado, na VISÃO desta semana.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Citações
(...) Não nos iludamos, porém. Não será possível garantir a estabilidade da Ucrânia e preservar a sua unidade sem a colaboração da Rússia. Se a revolução ucraniana derivar para uma confrontação interna que precipite a secessão, independentemente do papel das suas forças armadas, uma incógnita, isso significaria que a UE e a Rússia entravam numa via de confrontação estratégica de consequências imprevisíveis. Para Putine, para a União Europeia e para o Ocidente.
- Luís Amado, na VISÃO .
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Citações
(...) Porque fogem ao diálogo? Porque se furtam ao compromisso? Apenas e só por uma razão - a falta de coragem que resulta dos tradicionais cálculos eleitorais e da proverbial incapacidade de bater o pé aos aparelhos partidários. Neste plano, António José Seguro é o que mais exagera. Pode ter tido razões de queixa, no passado, mas não tem o direito de, com a sua sistemática intransigência, comprometer eternamente o futuro. Afinal, o que teria sido do país se, em 2011, PSD e CDS se tivessem recusado a assinar o Memorando que o PS negociou? Tal como hoje, também à época estávamos em vésperas de eleições. E, mesmo com a assinatura que colocaram no Memorando, os dois partidos não deixaram de as ganhar. Mais explicações e evidências para quê? Afinal, o povo aprecia gente de coragem. Do que não gosta mesmo é de políticos que se encolhem.
- Luís Amado, na VISÃO desta semana.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Citações
(...) A revista The Economist, há poucas semanas, referia que um estudo em curso sobre a distribuição do rendimento na América revelava que, no ano passado, 19% do rendimento nacional se concentrava em 1% da população, a proporção mais elevada desde 1928. Este grupo viu o seu rendimento aumentar 31% no período entre 2009 e 2012, enquanto os outros 99% viram os seus rendimentos crescer apenas 0,4%. Apesar de Obama. Não será por isso assim tão surpreendente que seja um relatório do próprio FMI a sugerir um imposto especial sobre a riqueza.
Na Europa, embora o problema possa não ter a mesma dimensão, tendo em conta a fiscalidade europeia, mais progressiva, e a natureza do modelo social, a situação é mais preocupante. Quer pelo fraco crescimento económico e pelo desemprego, quer, sobretudo, pelas tensões provocadas pelo ajustamento da zona euro e pela fratura, possível, entre os países « ricos » do Norte e os países « pobres » do Sul. Se isso acontecer, teremos as revoluções de volta.
- Luís Amado, na VISÃO desta semana.
sábado, 24 de agosto de 2013
Citações
(...) Na verdade, a introdução do euro que, em teoria, deveria promover a rápida convergência das economias e a harmonização social no espaço da União Económica e Monetária, produziu, na última década, o efeito exatamente contrário. Acentuou as divergências de competitividade, os desequilíbrios macroeconómicos e a fragilidade das economias periféricas. De facto, criou mesmo uma divisão Norte-Sul dentro da zona euro, agravando tensões e ressentimentos que põem em causa o relativo equilíbrio geopolítico europeu. Se esta outra fronteira, que agora se insinua, se tornasse real, então tudo seria ainda muito mais difícil. Na Europa e no outro lado do Mediterrâneo.
- Luís Amado, na VISÃO desta semana, p.15.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Citações
(...) Só garantindo uma certa coesão interna, num momento difícil e perigoso, o PS poderá evitar uma certa radicalização, mantendo-se uma força de moderação e de diálogo na sociedade portuguesa e uma força de estabilização do regime. Neste sentido, tem que estar preparado para eleições a qualquer momento, o que não significa exigir eleições a todo o momento. Como partido reformista, não deve deixar-se arrastar pela deriva pré-revolucionária própria destes tempos, mas deve saber interpretar os novos movimentos e os novos fenómenos que atravessam a sociedade e procurar dar-lhes expressão e conteúdo programáticos. O PS tem mais esta responsabilidade histórica.
- Luís Amado, na VISÃO desta semana.
A prova provada de que Amado foi das melhores surpresas da política portuguesa na última década.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Citações
(...) Sejamos claros, em democracia, as alternativas de Governo são sempre possíveis, e mesmo desejáveis, quando os governos são maus. No actual contexto, a alternância até pode ser precipitada por uma crise política da coligação, tal é a confusão. Mas não nos iludamos, a única alternativa estratégica para o futuro do país que se vislumbra, pelo menos neste momento da crise europeia, é a saída do euro.
Perante as dificuldades da economia e o brutal aumento do desemprego, é natural que o número dos que vão insinuando ou defendendo abertamente essa opção, vá aumentando. A frustração de muitas expectativas relativamente ao projecto europeu e a desorientação que por aí vai, terão consequências políticas. Mas a saída do euro comprometeria o trabalho de trinta anos de estabilidade estratégica em torno da integração europeia e arrastaria o país para a desordem de um novo processo revolucionário.
Podemos ter outro destino fora da Europa?
- Luís Amado, na VISÃO desta semana.
É impressão minha ou é mais um analista que dá uma no cravo e outra na ferradura?
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