Prosimetron

Prosimetron
Mostrar mensagens com a etiqueta poetas clássicos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poetas clássicos. Mostrar todas as mensagens

sábado, 17 de julho de 2010

Hesíodo (x2)


Dor e trabalho são o quinhão do homem mortal e não há defesa contra os maus dias.



Não há nada a esperar da beleza que em algum dia passado caíu sobre os nossos ombros. Somos somente um facto observável, tão observável como o resto da natureza.


in Os Trabalhos e os Dias.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

"Para o saber antes de morrer"... Sócrates

"Enquanto aguardava na prisão a execução da sua sentença, Sócrates ouviu um músico cantar um poema de Estesícoro e pediu-lhe que lho ensinasse. O músico perguntou-lhe de que lhe serviria aprendê-lo. «Para o saber antes de morrer», respondeu Sócrates"

(Amiano Marcelino, XXXVIII, 4).
Mirto
Estesícoro foi um mestre da poesia coral e é conhecido porque se dizia que ele insultara Helena num dos seus poemas ao contar o seu rapto e o seu adultério e foi ferido de cegueira por esta ofensa à beleza.
Há dúvidas sobre a origem de Estesícoro, Platão liga-o à cidade de Himera (Sicília). Julga-se que foi um poeta lírico grego, que viveu aproximadamente entre 632 e 553 a.C. O seu nome verdadeiro era Tísias, mas ficou conhecido como Estesícoro, que significa "dirigente do coro".
Mirto em flor

"Triunfo de Helena

Atiravam para o carro do rei marmelos abundantes
e muitos ramos de mirto
e coroas de rosas e grinaldas tecidas de violetas"

Estesícoro
Antologia da Poesia Grega Clássica, Lisboa: Portugália, 2009, p. 98-99. (Tradução e notas Albano Martins)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Fragmentos Poéticos - 4

L'Invention Collective, c.1935 - René Magritte
Óleo sobre tela, 73.5 x 97.5 cm., Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen, Düsseldorf, Germany
x
QUANDO O DIA SE FEZ NOITE

Nada existe inesperado, nem que se diga impossível
ou seja de pasmar, desde que Zeus, pai dos Olímpicos,
a meio dia forjou a noite, dissipando a luz
do Sol resplandecente. O lúgubre medo invadiu os homens.
Desde então é de crer e esperar que tudo aconteça
aos humanos. Ninguém de vós se admire se acaso vir
as feras aceitarem dos golfinhos o pasto
marítimo, se as canoras orlas do mar lhes parecerem
mais doces do que a terra firme,
e àqueles a montanha coberta de bosque.
................................... o Arquenátida
.................................. o filho de ...
.................................. para a boda
..................................
..................................
..................................
.................................. para os homens
..................................
(Frag. 122)


Arquíloco, Fragmentos Poéticos, Lisboa, Imprensa Nacional, 2008, p.96-97.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Fragmentos Poéticos - 3

No Victoria and Albert Museum, Estante para Missal com Anjo em bronze


CONTEMPLAÇÃO
x
De ramo de mirto na mão se deleitava, *
ou com a bela flor da rosa, (frag 30)
x
... e a sua cabeleira
os ombros e as costas banhava de sombra (frag. 31)

x
*Vários editores e críticos consideram os fragmentos 30 e 31 parte de um mesmo poema, colocando um imediatamente a seguir ao outro. Tudo leva a crer que se tecia a desonra de uma mulher.
x
Arquíloco, Fragmentos Poéticos, Lisboa, Imprensa Nacional, 2008, p.78.

Nota: Agradeço a Jad e ao anónimo na correcção da legenda.

domingo, 6 de setembro de 2009

Fragmentos Poéticos - 2

Arquíloco, Museu do Louvre

IDEAL GUERREIRO

Não aprecio o general alto, nem o de larga passada, o orgulhoso com os anéis de seu cabelo ou o bem barbeado.
Dêem-me antes um pequeno, seja mesmo de pernas tortas, mas que se erga firme de pés, todo ele coragem.
Fragmentos Iâmbicos: frag. 114

Arquíloco, Fragmentos Poéticos, Lisboa: Imprensa Nacional, 2008, p. 90 (Introdução enotas Carlos Martins de Jesus)

sábado, 5 de setembro de 2009

Fragmentos Poéticos - 1

Arquíloco, Museu do Louvre

IDEAL DE MODERAÇÃO

xNão me importam as riquezas e o ouro de Giges*,
não me domina sequer a ambição, não invejo
as obras dos deuses nem desejo a soberba tirania.
Longe está tudo isso dos meus olhos.

(Fragmentos Iâmbicos - frag. 19)
x

* Giges foi um famoso rei da Lídia, conhecido por ter comandado um reinado de opulência. (terá reinado entre 687 a.C e 652 a.C., dados usados para a data do poeta.

xArquíloco, Fragmentos Poéticos, Lisboa: Imprensa Nacional, 2008, p.72

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Cartas de Amor. Ovídio 2

´
Cartas de Amor

Que a cera espalhada nas lisas tabuinhas indague o seu íntimo,
que a cera leve os primeiros segredos do teu coração;
que leve palavras de ternura, a imitar os amantes;
e, seja quem fores, acrescenta-lhe súplicas nada modestas.
Heitor, Aquiles o entregou a Príamo, comovido pelas suas súplicas;
Trata de fazer promessas; pois que mal pode vir de prometer?
Em promessas, qualquer um pode ser rico.

OVÍDIO, Públio Nasão – Arte de Amar, Lisboa: Edições Cotovia, Livro I, p. 42-43
(Tradução de Carlos Ascenso André)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Arte de Amar, Ovídio


(…) Cantava eu estas coisas e apareceu-me, de repente, Apolo,
a dedilhar com o polegar as cordas da sua lira doirada;
nas mãos trazia o louro, a cabeleira sagrada cingida
de louro, assim se aproximou, para ser olhado como profeta;
e disse-me: “mestre dos prazeres do amor,
vamos!, guia os teus discípulos para os meus templos,
onde está uma inscrição que a fama celebrizou pelas várias partes
do mundo e que cada um ordena a si mesmo se conheça.
Quem a si mesmo se conhecer, só esse há-de amar com sabedoria
E saberá tirar o máximo rendimento das suas capacidades.
(…)

Públio Ovídio Nasão nasceu em Sulmona, no ano de 43 a.C. Estudou em Roma Retórica e Gramática para seguir uma carreira na administração pública. Viajou até à Grécia para aperfeiçoar os seus conhecimentos. Foi expulso de Roma por Augusto, em 8 d.C. As causas da condenação permanecem, ainda hoje, obscuras, pensa-se que foi por fazer um constante apelo à dissolução dos costumes que resultaria da Arte de Amar.

OVÍDIO, Públio Nasão – Arte de Amar, Lisboa: Edições Cotovia, p. 69-70.
(Tradução de Carlos Ascenso André)