Prosimetron

Prosimetron
Mostrar mensagens com a etiqueta Casa Fernando Pessoa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Casa Fernando Pessoa. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Verso Livre - Carta branca às editoras de poesia


A Casa Fernando Pessoa vai iniciar um ciclo dedicado a apresentar o trabalho de editoras de poesia emergentes no panorama português. Cabe à não edições a primeira sessão, no dia 18 de janeiro, às 18h30. 
O editor João Concha apresentará a não edições e o seu catálogo. Os autores Catarina Nunes de Almeida, poeta e investigadora, e Miguel Martins, poeta e tradutor, lerão textos dos seus livros, bem como de outros autores publicados por esta editora, como Anne Carson, Derek Jarman, Helder Moura Pereira, João Miguel Henriques, Ricardo Marques, Rita Natálio ou Sónia Baptista.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Marcadores de livros - 405

Verso e reverso de um marcador.


Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras,
Acordar da Rua do Ouro,
Acordar do Rossio, às portas dos cafés,
Acordar
E no meio de tudo a gare, que nunca dorme,
Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono.

Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,
Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo.
À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se
Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma,
E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo.

Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne,
Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha,
Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode acontecer de bom,
São os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada,
Seja ela a leve senhora dos cumes dos montes,
Seja ela a invasora lenta das ruas das cidades que vão leste-oeste,
Seja […]

A mulher que chora baixinho
Entre o ruído da multidão em vivas...
O vendedor de ruas, que tem um pregão esquisito,
Cheio de individualidade para quem repara...
O arcanjo isolado, escultura numa catedral,
Siringe fugindo aos braços estendidos de Pã,
Tudo isto tende para o mesmo centro,
Busca encontrar-se e fundir-se
Na minha alma.

Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.
Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.

Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras —
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.

Dá-me lírios, lírios
E rosas também.

Álvaro de Campos
In Poesia, Ed. Teresa Rita Lopes. Lisboa: Assírio & Alvim, 2002

sexta-feira, 10 de junho de 2016

A nossa vinheta

no dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Um dia feliz!

José Malhoa, Luís de Camões,
Museu Militar, Lisboa
(Imagem da Wikipédia)
MOTE

Descalça vai pera a fonte
Lianor, pela verdura;
vai fermosa e não segura.


VOLTA

Leva na cabeça o pote,
o testo nas mãos de prata,
cinta de fina escarlata,
saÍnho de chamalote;
traz a vasquinha de cote,
mais branca que a neve pura;
vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
cabelos d' ouro o trançado,
fita de cor d' encarnado...
Tão linda que o mundo espanta!
Chove nela graça tanta
que dá graça à fermosura;
vai fermosa, e não segura.



Luís Vaz de Camões, poema retirado do Banco de Poesia Casa Fernando Pessoa

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Comemorações


Carta de Álvaro de Campos para o DN,  4 de Junho de 1915. Retirado do:
O BLOGUE DA CASA FERNANDO PESSOA COM NOTÍCIAS DE POESIA E LITERATURA


«A assinalar os 150 anos sobre o aparecimento do Diário de Notícias poder-se-iam escolher vários artigos que, ao longo dos anos, em vida ou póstumos, foram publicados sobre Fernando Pessoa. No entanto, já pensando no centenário da revista Orpheu em 2015, fica a referência à carta datada de 4 de Junho de 1915 em que Pessoa se dirige ao director do jornal, sob o heterónimo de Álvaro de Campos, esclarecendo e contextualizando alguns aspectos relacionados com aquela, nomeadamente no que toca à sua definição como futurista.

Esta carta, publicada na colecção Obra Essencial de Fernando Pessoa, da Assírio & Alvim, no volume Prosa publicada em vida com edição de Richard Zenith, está disponível para consulta na Biblioteca da Casa Fernando Pessoa»

sábado, 8 de março de 2014

Alberto Caeiro 'nasceu' há 100 anos

Carta astral de Alberto Caeiro, feita por Fernando Pessoa.

Alberto Caeiro nasceu no ano em que começou a Grande Guerra.

http://purl.pt/1000/1/alberto-caeiro/obras/bn-acpc-e-e3/bn-acpc-e-e3_item234/P1.html

A guerra que aflige com os seus esquadrões o Mundo, 
É o tipo perfeito do erro da filosofia. 

A guerra, como todo humano, quer alterar. 
Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito 
E alterar depressa. 

Mas a guerra inflige a morte. 
E a morte é o desprezo do Universo por nós. 
Tendo por consequência a morte, a guerra prova que é falsa. 
Sendo falsa, prova que é falso todo o querer alterar. 

Deixemos o universo exterior e os outros homens onde a Natureza os pôs. 
Tudo é orgulho e inconsciência. 
Tudo é querer mexer-se, fazer cousas, deixar rasto. 
Para o coração e o comandante dos esquadrões 
Regressa aos bocados o universo exterior. 

A química direta da Natureza 
Não deixa lugar vago para o pensamento. 

A humanidade é uma revolta de escravos. 
A humanidade é um governo usurpado pelo povo. 
Existe porque usurpou, mas erra porque usurpar é não ter direito. 

Deixai existir o mundo exterior e a humanidade natural! 
Paz a todas as cousas pré-humanas, mesmo no homem! 
Paz à essência inteiramente exterior do Universo!

Alberto Caeiro
24-10-1919



terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O som e a fúria


Lisboa: Portugália, 1969

Esta é a edição que tenho, numa trad. de Mário Henrique Leiria. Já o li há muitos anos, mas não me lembro de ter tido dificuldade em fazê-lo. Talvez esteja na altura de o reler.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Amanhã na Casa Fernando Pessoa


«o meu lado negativo é belo e côncavo como um abismo.
O que não sou deixaria um buraco enorme na terra.»
Clarice Lispector

É por frases como esta que eu não aprecio esta escritora brasileira.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

DEBATE SOBRE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (1902-1987)

Na véspera do110 anos do nascimento daquele que foi o poeta brasileiro mais influente do século XX, tem lugar uma conversa com a actriz Sura Berdithevsky (também encenadora da peça Cartas de Maria Julieta e Carlos Drummond de Andrade), Leonor Xavier e José Carlos Vasconcelos, moderada por Inês Pedrosa
Dia 30 de Outubro pelas 18h30, na Casa Fernando Pessoa.


segunda-feira, 4 de junho de 2012

Um livro que nunca li

Se tivesse pachorra devia ir porque comecei várias vezes a ler este livro, mas nunca passei das primeiras 30 páginas.

«A História é um pesadelo do qual tentamos acordar.»
(James Joyce)

domingo, 20 de maio de 2012

"Cheguei à Janela"


Claude Monet, O Retrato de Madame Monet com lenço vermelho,1868-78, daqui
CHEGUEI À JANELA

Cheguei à janela,
 Porque ouvi cantar.
 É um cego e a guitarra
 Que estão a chorar.

 Ambos fazem pena,
 São uma coisa só
 Que anda pelo mundo
 A fazer ter dó.

Eu também sou um cego
 Cantando na estrada,
 A estrada é maior
 E ninguém dá nada.

26 - 2 - 1931 


Fernando Pessoa, In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006,  (Casa Fernando Pessoa)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Marcadores de livros - 19

Dois marcadores editados pela Casa Fernando Pessoa.
A ilustração do primeiro é de uma fotografia de F.P. no Chiado; a segunda de um retrato de F.P. por Júlio Pomar.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011


«Amo tuas imperfeições e maravilhas, amo-as com gratidão, pena e raiva intercadentes.»
Carlos Drummond de Andrade