«Sob pena de pagarem elevadas coimas, as carpideiras foram proibidas de exagerar as suas lamentações e de arrancar os cabelos, para o que têm tendência as mulheres, sobretudo quando a sua alegria é maior do que a sua dor.»
Reinhold Schneider
In: A lamparina de prata / trad. Anneliese Mosch. Évora: Evoramons, 2009, p. 184
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Maria Teles a D. Fernando
acerca de sua irmã, Leonor Teles
«Como vamos nós saber qual foi a vontade de Deus ao criar uma pantera ou uma pega que vai saquear os ninhos alheios? Ou uma daquelas mulheres, com cauda de peixe que, lá fora, pelos lados da Ericeira, na costa das maçãs, atraem os pescadores para as rochas vermelhas?»
Reinhold Schneider
In: A lamparina de prata / trad. Anneliese Mosch. Évora: Evoramons, 2009, p. 43-44
Reinhold Schneider
In: A lamparina de prata / trad. Anneliese Mosch. Évora: Evoramons, 2009, p. 43-44
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Os nossos “inhos”…
Ando a ler (e estou a gostar) A lamparina de prata, que foi aqui trazida ao blogue pelo Luís. É deste livro a seguinte transcrição, parte de uma situação vivida em Lisboa, na sequência de uma desvalorização de moeda ocorrida no tempo de D. Fernando:
«E os pasteleiros, que preparam os deliciosos doces e as guloseimas a partir de muitas gemas, muito mel, amêndoas, nozes e gengibre, negaram-se a vender a sua mercadoria e a sua arte ao desbarato. Nas tabernas e adegas à volta do mercado ainda se gastava dinheiro em bebedeiras que acabavam sempre em brigas sangrentas. Os clientes viravam as mesas de pernas para o ar, quando o taberneiro apresentava a “continha”, como dizemos, pois somos o povo mais bem-educado da cristandade. (Seria pouco delicado dizer simplesmente “avó” ou “leite” em vez de “avozinha” e “leitinho” e daríamos provas de insensibilidade se chamássemos simplesmente “pássaros” às graciosas cotovias, aos rouxinóis e às andorinhas, cujo regresso às regiões setentrionais tentamos impedir, e não, carinhosamente, “passarinhos”).»
Reinhold Schneider
In: A lamparina de prata / trad. Anneliese Mosch. Évora: Evoramons, 2009, p. 34-35
Realmente temos uma tendência para o diminutivo. Curiosamente este sufixo tanto pode exprimir afeição, como transmitir um sentido pejorativo: amorzinho, chatinho… Tudo muito queridinho.
«E os pasteleiros, que preparam os deliciosos doces e as guloseimas a partir de muitas gemas, muito mel, amêndoas, nozes e gengibre, negaram-se a vender a sua mercadoria e a sua arte ao desbarato. Nas tabernas e adegas à volta do mercado ainda se gastava dinheiro em bebedeiras que acabavam sempre em brigas sangrentas. Os clientes viravam as mesas de pernas para o ar, quando o taberneiro apresentava a “continha”, como dizemos, pois somos o povo mais bem-educado da cristandade. (Seria pouco delicado dizer simplesmente “avó” ou “leite” em vez de “avozinha” e “leitinho” e daríamos provas de insensibilidade se chamássemos simplesmente “pássaros” às graciosas cotovias, aos rouxinóis e às andorinhas, cujo regresso às regiões setentrionais tentamos impedir, e não, carinhosamente, “passarinhos”).»
Reinhold Schneider
In: A lamparina de prata / trad. Anneliese Mosch. Évora: Evoramons, 2009, p. 34-35
Realmente temos uma tendência para o diminutivo. Curiosamente este sufixo tanto pode exprimir afeição, como transmitir um sentido pejorativo: amorzinho, chatinho… Tudo muito queridinho.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Aquisições recentes - 6

Esta "Aquisições recentes " é a rubrica que tenho mais atrasada aqui no blogue, e não é por falta de matéria-prima, pois que tenho umas dezenas de títulos que penso serem de mencionar aqui à espera. Decidi recomeçar, embora sem seguir um critério cronológico estrito, por este romance que comprei há uns meses. Comprei-o por vários motivos, e entre eles a surpresa de um romance sobre o Santo Condestável escrito por um estrangeiro nos anos 50 do século passado. Aqui fica informação, extraída do próprio livro, sobre o autor e a obra:
" Reinhold Schneider nasceu, em 1903, em Baden-Baden, onde seus pais dirigiam o famoso Hotel Messmer que, desde meados do séc.XIX, acolhia imperadores e reis, nobres e ricos burgueses nas suas vilegiaturas termais. Depois da Primeira Guerra, estabelece-se em Dresden como tradutor numa firma comercial. Renunciando à sua actividade, muda para Berlim em 1928 e inicia uma vida de escritor independente.
No mesmo ano visita Portugal, cuja história, cultura e destino muito o impressionam e constituirão influência determinante ao longo da sua vida. Um livro sobre Camões, no ano seguinte, assinala a sua estreia nas letras.
O regime nacional-socialista proíbe a publicação das suas obras mas, impressas clandestinamente, estas continuam a ser lidas mesmo entre os soldados alemães na frente de batalha.
Após a guerra, prossegue a sua actividade de escritor e conferencista, assumindo posições sobre o rearmamento alemão que são fonte de intensa controvérsia. Em 1956 é distinguido com o Prémio da Paz da Associação dos Livreiros Alemães, e nesse mesmo ano publica a Lamparina de Prata, seu único romance, sobre o Condestável Nun' Álvares Pereira, figura que admira acima de todas e considera «das mais belas da História da Europa». Morre em Freiburg no domingo de Páscoa de 1958. "
E da Nota dos Editores :
" Em 1956, próximo do fim da sua curta vida, Reinhold Schneider, um dos maiores escritores e pensadores alemães de matriz cristã do séc.XX, dedica o seu único romance ao Condestável Nun' Álvares Pereira. Assim culminava um interesse apaixonado de mais de um quarto de século pela história e a cultura portuguesas, desde que percorrera o país no final dos anos 20 e se estreara nas letras com um livro sobre Camões, logo seguido pelo diário da sua estadia.
(...) A Lamparina de Prata, romance que permanecia estranhamente desconhecido em Portugal, é a homenagem a uma figura « das mais belas da História da Europa » e o testemunho e súmula de um dos mais importantes pensadores do fenómeno histórico, tendo, doravante, de ser reconhecido entre as obras mais significativas alguma vez dedicadas ao Condestável. "
- A Lamparina de Prata, Reinhold Schneider, Abril de 2009, Evoramons Editores.
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