Prosimetron

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domingo, 29 de março de 2026

Marcadores de livros - 3674

Cadeiras, poltronas, bancos, com e sem gente sentada.

Formato postal grande.

Um postal: «Totem # 7», 2010. Foto de Alain Delorme.

Mais cadeiras aqui e aqui.

«A cadeira amarela de Van Gogh»

Cadeira com cachimbo, 1888
Londres, National Gallery

No chão de tijoleira uma cadeira rústica, 
rusticamente empalhada, e amarela sobre 
a tijoleira recozida e gasta. 
No assento da cadeira, um pouco de tabaco num papel 
ou num lenço (tabaco ou não?) e um cachimbo. 
Perto do canto, num caixote baixo,
a assinatura. A mais do que isto, a porta, 
uma azulada e desbotada porta. 
Vincent, como assinava, e da matéria espessa, 
em que os pincéis se empastelaram suaves, 
se forma o torneado, se avolumam as 
travessas da cadeira como a gorda argila 
das tijoleiras mal assentes, carcomidas, sujas. 

Depois das deusas, dos coelhos mortos, 
e das batalhas, príncipes, florestas, 
flores em jarras, rios deslizantes, 
sereno lusco-fusco de interiores de Holanda, 
faltava esta humildade, a palha de um assento,
em que um vício modesto – o fumo – foi esquecido,
ou foi pousado expressamente como sinal de que 
o pouco já contenta quem deseja tudo. 

Não é no entanto uma cadeira aquilo 
que era mobília pobre de um vazio quarto 
onde a loucura foi piedade em excesso 
por conta dos humanos que lá fora passam, 
lá fora riem, mas de orelhas que ouçam 
não querem mesmo numa salva rica 
um lóbulo cortado, palpitante ainda, 
banhado em algum sangue, o quantum satis 
de lealdade, amor, dedicação, angústia, 
inquietação, vigílias pensativas, 
e sobretudo penetrante olhar 
da solidão embriagadora e pura. 

Não é, não foi, nem mais será cadeira: 
Apenas o retrato concentrado e claro 
de ter lá estado e de ter lá sido quem 
a conheceu de olhá-la, como de assentar-se 
no quarto exíguo que é só cor sem luz 
e um caixote ao canto, onde assinou Vincent. 

Um nome próprio, um cachimbo, uma fechada porta, 
um chão que se esgueira debaixo dos pés 
de quem fita a cadeira num exíguo espaço, 
uma cadeira humilde a ser essa humildade 
que lhe rói de dentro o dentro que não há 
senão no nome próprio em que as crianças têm 
uma fé sem limites por que vão crescendo 
à beira da loucura. Há quem assine, 
a um canto, num caixote, o seu nome de corvo. 
E há cantos em pintura? Há nomes que resistam? 
Que cadeira, mesmo não-cadeira, é humildade? 
Todas, ou só esta? Ao fim de tudo, 
são só cadeiras o que fica, e um modesto vício 
pousado sobre o assento enquanto as cores se empastam? 

 Jorge de Sena

sábado, 28 de março de 2026

Boa noite!

Pablo Sáinz-Villegas toca «Capricho árabe» de Francisco Tárrega.

Marcadores de livros - 3673

Na próxima madrugada, entramos na hora de verão, pelo que à 01h00 os relógios deverão ser adiantados para as 02h00.

Verso e reverso.



Esta imagem de relógio não é um marcador; devia servir para embelezar uma embalagem de relógios da loja Diarsa (Lisboa), fazendo o serviço de uma fita.

Com um agradecimento à Cláudia. 

Marcadores de livros - 3672

Verso e reverso.

Vargas Llosa faria hoje 90 anos.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Os meus franceses - 1096

Parabéns a Cyrus Bassiak, autor desta canção, que fez 98 anos há três dias.

Marcadores de livros - 3670


Ver outros marcadores de livros de Werner Herzog aqui.

Está a decorrer um ciclo de filmes de Werner Herzog no Cinema Fernando Lopes, na Universidade Lusófona (Campo Grande). Ver programação aqui.


Duas caixas de tabaco

Fabricada em Berlim, 1765.

Duas caixas de tabaco do século VXIII, roubadas em 2024 em Paris e recuperadas quase um ano depois, pertencentes à coleção Rosalinde e Arthur Gilbert, foram restauradas e estão novamente expostas no Victoria & Albert Museum. 
Berlim, século XVIII.

terça-feira, 24 de março de 2026

O chá das cinco - 168

De uns dois dias para cá que substitui o Earl Grey sem teína por Printemps à Kyoto. Acho que vou passar a variar entre estes dois e um de gengibre, a minha bebida em casa a partir das 15h00.

In memoriam Gino Paoli (1934 - 2026)

Deixou-nos hoje, este grande cantautor de Génova, aos 91 anos... Il cielo in una stanza, La gatta, Senza fine e, claro, Sapore di sale, foram alguns dos seus grandes sucessos... RIP


Marcadores de livros - 3668

Verso e reverso, ou vice-versa.

domingo, 22 de março de 2026

Boa noite!


Marcadores de livros - 3666


«Se alguém tiver de meter toda a sua vida numa mala — não só as coisas práticas, mas também as recordações das pessoas que perdeu e a rapariga que em tempos foi — o que levaria? A última fotografia da mãe? Um presente de aniversário da melhor amiga — um marcador de livro bordado por ela? Um bilhete do circo ambulante que passou pela cidade há dois anos [...]?»
Jodi Picoult – A contadora de histórias. Lisboa: Bertrand, 2015, p. 307.

Não tenho o marcador deste livro, mas tenho de outros de Jodi Picoult:


Passeio em frente da Île Vierge

Fotos Philippe Brohm, 18 mar. 2026.

Lindas!