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Pitti ( Galeria de Arte Moderna ) .
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Biografias também há muitas, mas esta escrita por Alfonso Scirocco tem tido excelentes recensões e por isso a trago ao blogue. Sem querer diminuir a figura e a importância do seu biografado, Scirocco procura reconstituir desapaixonadamente o percurso do grande homem, com os respectivos sucessos e fracassos.
O subtítulo do livro- Cidadão do Mundo- é alusivo ao facto de Garibaldi ter sido um herói em dois continentes: na Europa e na América do Sul. Efectivamente, após o falhanço das primeiras revoltas em que se involveu, Garibaldi fugiu para a América do Sul em 1834 e aí viveu 14 anos: aderiu à Maçonaria, e chegou a vender pasta e a conduzir gado para ganhar a vida, embora tenha passado a maior parte desses anos de exílio com armas na mão- primeiro com os secessionistas do Rio Grande do Sul que queriam ser independentes do resto do Brasil, e depois ao serviço do Uruguai nas guerras com a Argentina. Aliás, foi no Brasil que conheceu a mulher da sua vida, a famosa Anita, com quem teve 4 filhos e que com ele regressou à Europa em 1848.
Os anos seguintes foram as extraordinárias campanhas militares que conduziram à unificação de Itália sob o domínio da Casa de Sabóia. Quando Garibaldi nasceu em Nice, o território pertencia formalmente à Casa de Sabóia embora estivesse sob ocupação francesa e havia oito estados no que hoje conhecemos como Itália ( Os Ducados de Parma, Modena e Lucca, o Grão-Ducado da Toscana, o Reino das Duas Sicílias, o Reino da Lombardia-Veneto- então parte do Império Austro-Húngaro, os Estados Papais e o Reino do Piemonte-Sardenha) , e muito graças ao seu génio militar e intuição política ( desde logo perceber que a unificação só resultaria com a Casa de Sabóia, a única dinastia verdadeiramente italiana ) foi uma realidade bem diferente a que Garibaldi deixou.
- Garibaldi: Citizen of the World, Alfonso Scirocco, traduzido do italiano por Allan Cameron, Princeton University Press, 2008.
1 comentário:
Aliciante para uma admiradora de Garibaldi, como eu.
M.
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