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terça-feira, 5 de maio de 2026

Marcadores de livros - 3710


Este marcador é do livro de Gregório Duvivier, À flor da língua.


Li o livro da esq. e gostei. Tive pena de não conseguir ver a peça no teatro. Pode ser que seja reposta.

Gosto muito de Teolinda Gersão. Ainda não li o livro da esq. que está no monte.

E uns brasileiros:
De cima para baixo: dois de Carlos Drummond de Andrade e dois de João Guimarães Rosa.
De cima para baixo: Lygia Fagundes Telles, dois de Machado de Assis e Rubem Braga.

No Dia Mundial da Língua Portuguesa.

domingo, 5 de maio de 2024

Marcadores de livros - 3015

No Dia Mundial da Língua Portuguesa, escolhi marcadores de livros de una escritora portuguesa nascida em Angola, de três escritores brasileiros e de um jornalista angolano - todos editados pela Tinta da China. 
Para o ano haverá outros e de outros países de língua portuguesa.

Dulce Maria Cardoso.

Em cima, João Guimarães Rosa; em baixo, Machado de Assis.

Ruy Castro. Outro marcador aqui.



sábado, 16 de setembro de 2023

O que estamos a ler? - 28

As leituras de Miss Tolstoi:

Lisboa: Tinta da China, 2023

«Vou reler Memórias póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis. A Tinta da China acabou de o editar com um pref. de Abel Barros Baptista. Resolvi comprá-lo, apesar de ter uma ed. antiga. Um grande livro que vou certamente reler com muito prazer: do seu caixão Brás Cubas recorda a sua vida. 😁
«Estou a ler a biografia de Frida Kahlo da revista Visão. Já tinha uma da National Geographic. Nada de novo.»

2023
2020 

Não poderei reler este livro de Machado de Assis no Metro porque começo-me a rir e tenho de fechar o livro. Já me aconteceu mais de uma vez as pessoas começarem a olhar para mim de esguelha: «Esta é tontinha!» Tontinhos são eles que não leem e não se divertem com estas maravilhas.

domingo, 14 de setembro de 2014

Os escritores de língua portuguesa mais traduzidos

Nome do escritor, seguido do n.º de traduções:

1 - Paulo Coelho - 1073

2 - José Saramago - 522

3 - Fernando Pessoa - 370

4 - Eça de Queirós - 186

5 - José Mauro de Vasconcelos - 115
6 - Clarice Lispector - 112
7 - Machado de Assis - 89

Todos do meu agrado, uns mais do que outros, exceto o primeiro. O Paulo Coelho é que nem com molho de tomate. E se eu gosto de molho de tomate!... :)

Fonte: http://observatorio-lp.sapo.pt/pt/lingua-e-cultura/escritores-mais-traduzidos

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

domingo, 25 de setembro de 2011

Ainda coisas da praia ...

O trabalho agora é intenso mas o oásis de Verão oxigena o cérebro e enche os pulmões de fôlego para o duro ano que se aproxima. A mente liberta-se das amarras obrigatórias para viajar ao tempo de descanso, ao tempo em que a clepsidra não contava.


Aqui fica o maior oásis europeu sito em Elche, próximo de Alicante. O palmeiral foi fotografado do Museu de Arqueologia que foi erguido numa fortaleza (palácio Altamira) e é um complexo arquitectónico muito bem adaptado.


Vista da Basílica de Santa María, do Palacio de Altamira, Elche ou Elx


Palmeiral


Da Torre do palácio/Museu de Arqueologia




A PALMEIRA

COMO É LINDA e verdejante
Esta palmeira gigante
Que se eleva sobre o monte!
Como seus galhos frondosos
S’elevam tão majestosos
Quase a tocar no horizonte!

(...)
Machado de Assis

Versos de Machado de Assis, Poemas - Dispersos - Eliminados pelo autor nas suas Poesias Completas( 1901 ) (daqui)
Poemas Escolhidos - Os melhores segundo Manuel Bandeira, produzidos entre 1878 e 1900.

domingo, 8 de maio de 2011

A nossa vinheta

Um grupo de escuteiros abordou-me para lhes comprar uma oração (impressa) com o objectivo de ajudar um grupo de peregrinos a custear a sua peregrinação a Fátima. A oração era dirigida ao Menino Jesus Caminheiro. Lembrei-me de ter visitado o Museu de S. Roque e de ter visto esta peça que é para mim peculiar.



Menino Jesus Caminheiro, século XVIII




Madeira policromada e dourada, Museu de S. Roque, Lisboa





A oração era dirigida ao Menino Jesus Caminheiro como guia.



Vêem-se muitos peregrinos na estrada, nem sempre respeitando as regras de segurança, o ano passado morreram alguns por acidente. Vejo-os e não consigo deixar de louvar a sua fé, embora para mim seja inexplicável. Então, recordei-me de Machado de Assis.
Interessante é, também, avaliar a correlação entre a crise e a aproximação dos crentes à Igreja.





As orações dos homens
Subam eternamente aos teus ouvidos;
Eternamente aos teus ouvidos soem
Os cânticos da terra.

No turvo mar da vida,
Onde aos parcéis do crime a alma naufraga,
A derradeira bússola nos seja,
Senhor, tua palavra.

A melhor segurança
Da nossa íntima paz, Senhor, é esta;
Esta a luz que há de abrir à estância eterna
O fulgido caminho.

Ah ! feliz o que pode,
No extremo adeus às cousas deste mundo,
Quando a alma, despida de vaidade,
Vê quanto vale a terra;

Quando das glórias frias
Que o tempo dá e o mesmo tempo some,
Despida já, — os olhos moribundos
Volta às eternas glórias;

Feliz o que nos lábios,
No coração, na mente põe teu nome,
E só por ele cuida entrar cantando
No seio do infinito.

Machado de Assis, in Crisálidas

domingo, 1 de novembro de 2009

As Rosas



Rosas que desabrochais,
Como os primeiros amores,
Aos suaves resplendores
Matinais;

Em vão ostentais, em vão,
A vossa graça suprema;
De pouco vale; é o diadema
Da ilusão.

Em vão encheis de aroma o ar da tarde;
Em vão abris o seio húmido e fresco
Do sol nascente aos beijos amorosos;
Em vão ornais a fronte à meiga virgem;
Em vão, como penhor de puro afecto,
Como um elo das almas,
Passais do seio amante ao seio amante;
Lá bate a hora infausta
Em que é força morrer; as folhas lindas
Perdem o viço da manhã primeira,
As graças e o perfume.
Rosas que sois então? – Restos perdidos,
Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha
Brisa do Inverno ou mão indiferente.

Tal é o vosso destino,
Ó filhas da natureza;
Em que vos pese à beleza,
Pereceis;
Mas, não... Se a mão de um poeta
Vos cultiva agora, ó rosas,
Mais vivas, mais jubilosas,
Floresceis.

Machado de Assis

Lembrei-me deste poema na 6.ª feira, a propósito de uma ROSA.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Ainda Machado de Assis

"(...) A assembleia insistiu; o alienista resistiu; finalmente o Padre Lopes explicou tudo com este conceito digno de um observador:
- Sabe a razão por que não vê as suas elevadas qualidades, que aliás todos nós admiramos? É porque tem ainda uma qualidade que realça as outras: - a modéstia.
Era decisivo. Simão Bacamarte curvou a cabeça, juntamente alegre e triste, e ainda mais alegre do que triste. Ato contínuo, recolheu-se à Casa Verde. Em vão a mulher e os amigos lhe disseram que ficasse, que estava perfeitamente são e equilibrado: nem rogos nem sugestões nem lágrimas o detiveram um só instante.
- A questão é científica, dizia ele; trata-se de uma doutrina nova, cujo primeiro exemplo sou eu. Reúno em mim mesmo a teoria e a prática.
- Simão! Simão! meu amor! dizia-lhe a esposa com o rosto lavado em lágrimas.
Mas o ilustre médico, com os olhos acesos da convicção científica, trancou os ouvidos à saudade da mulher, e brandamente a repeliu. Fechada a porta da Casa Verde, entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo. Dizem os cronistas que ele morreu dali a dezassete meses, no mesmo estado em que entrou, sem ter podido alcançar nada. Alguns chegam ao ponto de conjecturar que nunca houve outro louco, além dele, em Itaguaí; mas esta opinião, fundada em um boato que correu desde que o alienista expirou, não tem outra prova, senão o boato; e boato duvidoso, pois é atribuído ao Padre Lopes, que com tanto fogo realçara as qualidades do grande homem. Seja como for, efectuou-se o enterro com muita pompa e rara solenidade. "

Assim termina O alienista,um dos melhores contos do grande Machado de Assis. É uma magnífica ilustração do abuso do positivismo, doutrina que tanto impacto teve no Brasil ( até presente na própria divisa nacional- Ordem e Progresso ) e que Assis refutava.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Machado de Assis : Emplastro Brás Cubas


«[...] um dia de manhã, estando a passear na chácara, penderou-se-me uma ideia no trapézio que eu tinha no cérebro. Uma vez pendurada, entrou a bracejar, a penear, a fazer as mais arrojadas cabriolas de volatim, que é possível crer. Eu deixei-me estar a contemplá-la. Súbito, deu um grande salto, estendeu os braços e as pernas, até tomar a forma de um X: decifra-me ou devoro-te.
«Essa ideia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplasto anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade. Na petição de privilégio que então redigi, chamei a atenção do governo para esse resultado, verdadeiramente cristão. Todavia, não neguei aos amigos as vantagens: pecuniárias que deviam resultar da distribuição de um produto de tamanhos e tão profundos efeitos. Agora, porém, que estou cá do outro lado da vida, posso confessar tudo: o que me influiu principalmente foi o gosto de ver impressas nos jornais, mostradores, folhetos, esquinas e enfim nas caixinhas do remédio, estas três palavras: Emplasto Brás Cubas. Para que negá-lo? Eu tinha a paixão do ruído, do cartaz do foguete de lágrimas. Talvez os modestos me argúam esse defeito fio, porém, que esse talento me hão de reconhecer os hábeis. Assim a minha idéia trazia duas faces, como as medalhas, uma virada para o público, outra para mim. De um lado, filantropia e lucro, de outro lado, sede de nomeada. Digamos: - amor da glória.

Um tio meu, cônego de prebenda inteira, costumava dizer que o amor da glória temporal era a perdição das almas, que só devem cobiçar a glória eterna. Ao que retorquia outro tio, oficial de um dos antigos terços de infantaria, que o amor da glória era a cousa mais verdadeiramente humana que há no homem, e, conseguintemente, a sua mais genuína feição.

Decida o leitor entre o militar e o cônego; eu volto ao emplasto.» (de Memórias póstumas de Brás Cubas)

Machado de Assis : D. Casmurro

«Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimento-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.
«- Continue - disse eu acordando.
«- Já acabei - murmurou ele.
«- São muito bonitos.
«Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso: estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro.» (Início de Dom Casmurro)

Machado de Assis (1839-1908) - Maratona de leitura

Hoje, dia 29 de Setembro, a Casa Fernando Pessoa (Rua Coelho da Rocha, nº 16, Campo de Ourique) realiza uma maratona de leitura de Machado de Assis, entre as 10 e as 18 horas. Nesta ocasião far-se-á a leitura integral da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, e o registo gravado da leitura será oferecido à Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO). Esta sessão de leitura contínua é aberta a todo o público interessado em ler ou escutar a obra deste grande escritor brasileiro, no dia em que se cumprem cem anos sobre a sua morte.



Casa Fernando Pessoa
Câmara Municipal de Lisboa
Rua Coelho da Rocha, nº 16
1250-088 - Lisboa Portugal

Machado de Assis


Passa hoje o centenário da morte do maior escritor brasileiro do século XIX, Joaquim Maria Machado de Assis, nascido numa chácara na Ladeira do Livramento, no Rio de Janeiro, em 1839, filho de um pintor de paredes mulato, neto de escravos alforriados e de uma lavadeira portuguesa da ilha de S. Miguel.

Auto didacta, iniciando a sua vida a vender doces que a madrasta confeccionava, foi aprendendo as primeiras letras numa curta passagem pela escola, e ávido de saber, adquirindo conhecimentos, em várias áreas, com especial ênfase na língua e literatura, em que se incluiu o francês, o inglês e o alemão, sobretudo depois de se ter empregado na Imprensa Nacional com 16 anos, tornando-se ainda muito novo um intelectual reconhecido a apreciado.

Romancista, contista, poeta, crítico literário, cronista e dramaturgo, Machado de Assis atravessou os períodos do Romantismo, Realismo e Naturalismo sem se vincular a nenhuma corrente literária. Dos seus romances, os mais conhecidos em Portugal são Dom Casmurro, Quincas Borba e Memórias Póstumas de Brás Cubas. Com ligações muito fortes a Portugal por sua mãe e por sua mulher, Carolina Xavier de Novais, portuguesa, foi um grande admirador, entre outros, de Camões, Garrett, Herculano e Eça, o que perpassa claramente na sua obra. Fundador e primeiro Presidente da Academia Brasileira de Letras é um dos maiores nomes da Língua Portuguesa.

Decorre hoje e manhã na Fundação Calouste Gulbenkian, em colaboração com a Missão Permanente do Brasil junto da CPLP, um colóquio comemorativo do centenário com a intervenção de especialistas portugueses e brasileiros e de um professor inglês estudioso da obra de Machado de Assis, incluindo também um recital de piano e canto com música brasileira da época do escritor, a exibição do filme “Memórias de Brás Cubas” e de dois documentários sobre a sua vida e a leitura de contos e excertos de "Dom Casmurro" pelo actor José Mauro Brant.