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terça-feira, 5 de maio de 2026
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domingo, 5 de maio de 2024
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sábado, 16 de setembro de 2023
O que estamos a ler? - 28
domingo, 14 de setembro de 2014
Os escritores de língua portuguesa mais traduzidos
1 - Paulo Coelho - 1073
2 - José Saramago - 522
3 - Fernando Pessoa - 370
4 - Eça de Queirós - 186
5 - José Mauro de Vasconcelos - 115
6 - Clarice Lispector - 112
7 - Machado de Assis - 89
Fonte: http://observatorio-lp.sapo.pt/pt/lingua-e-cultura/escritores-mais-traduzidos
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
domingo, 25 de setembro de 2011
Ainda coisas da praia ...
Palmeiral
Da Torre do palácio/Museu de Arqueologia
A PALMEIRA
COMO É LINDA e verdejante
Esta palmeira gigante
Que se eleva sobre o monte!
Como seus galhos frondosos
S’elevam tão majestosos
Quase a tocar no horizonte!
(...)
Machado de Assis
Versos de Machado de Assis, Poemas - Dispersos - Eliminados pelo autor nas suas Poesias Completas( 1901 ) (daqui)
Poemas Escolhidos - Os melhores segundo Manuel Bandeira, produzidos entre 1878 e 1900.
domingo, 8 de maio de 2011
A nossa vinheta
Menino Jesus Caminheiro, século XVIII
Madeira policromada e dourada, Museu de S. Roque, Lisboa
A oração era dirigida ao Menino Jesus Caminheiro como guia.
Vêem-se muitos peregrinos na estrada, nem sempre respeitando as regras de segurança, o ano passado morreram alguns por acidente. Vejo-os e não consigo deixar de louvar a sua fé, embora para mim seja inexplicável. Então, recordei-me de Machado de Assis.
Interessante é, também, avaliar a correlação entre a crise e a aproximação dos crentes à Igreja.
Fé
As orações dos homens
Subam eternamente aos teus ouvidos;
Eternamente aos teus ouvidos soem
Os cânticos da terra.
No turvo mar da vida,
Onde aos parcéis do crime a alma naufraga,
A derradeira bússola nos seja,
Senhor, tua palavra.
A melhor segurança
Da nossa íntima paz, Senhor, é esta;
Esta a luz que há de abrir à estância eterna
O fulgido caminho.
Ah ! feliz o que pode,
No extremo adeus às cousas deste mundo,
Quando a alma, despida de vaidade,
Vê quanto vale a terra;
Quando das glórias frias
Que o tempo dá e o mesmo tempo some,
Despida já, — os olhos moribundos
Volta às eternas glórias;
Feliz o que nos lábios,
No coração, na mente põe teu nome,
E só por ele cuida entrar cantando
No seio do infinito.
Machado de Assis, in Crisálidas
domingo, 1 de novembro de 2009
As Rosas

Rosas que desabrochais,
Como os primeiros amores,
Aos suaves resplendores
Matinais;
Em vão ostentais, em vão,
A vossa graça suprema;
De pouco vale; é o diadema
Da ilusão.
Em vão encheis de aroma o ar da tarde;
Em vão abris o seio húmido e fresco
Do sol nascente aos beijos amorosos;
Em vão ornais a fronte à meiga virgem;
Em vão, como penhor de puro afecto,
Como um elo das almas,
Passais do seio amante ao seio amante;
Lá bate a hora infausta
Em que é força morrer; as folhas lindas
Perdem o viço da manhã primeira,
As graças e o perfume.
Rosas que sois então? – Restos perdidos,
Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha
Brisa do Inverno ou mão indiferente.
Tal é o vosso destino,
Ó filhas da natureza;
Em que vos pese à beleza,
Pereceis;
Mas, não... Se a mão de um poeta
Vos cultiva agora, ó rosas,
Mais vivas, mais jubilosas,
Floresceis.
Machado de Assis
Lembrei-me deste poema na 6.ª feira, a propósito de uma ROSA.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Ainda Machado de Assis
- Sabe a razão por que não vê as suas elevadas qualidades, que aliás todos nós admiramos? É porque tem ainda uma qualidade que realça as outras: - a modéstia.
Era decisivo. Simão Bacamarte curvou a cabeça, juntamente alegre e triste, e ainda mais alegre do que triste. Ato contínuo, recolheu-se à Casa Verde. Em vão a mulher e os amigos lhe disseram que ficasse, que estava perfeitamente são e equilibrado: nem rogos nem sugestões nem lágrimas o detiveram um só instante.
- A questão é científica, dizia ele; trata-se de uma doutrina nova, cujo primeiro exemplo sou eu. Reúno em mim mesmo a teoria e a prática.
- Simão! Simão! meu amor! dizia-lhe a esposa com o rosto lavado em lágrimas.
Mas o ilustre médico, com os olhos acesos da convicção científica, trancou os ouvidos à saudade da mulher, e brandamente a repeliu. Fechada a porta da Casa Verde, entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo. Dizem os cronistas que ele morreu dali a dezassete meses, no mesmo estado em que entrou, sem ter podido alcançar nada. Alguns chegam ao ponto de conjecturar que nunca houve outro louco, além dele, em Itaguaí; mas esta opinião, fundada em um boato que correu desde que o alienista expirou, não tem outra prova, senão o boato; e boato duvidoso, pois é atribuído ao Padre Lopes, que com tanto fogo realçara as qualidades do grande homem. Seja como for, efectuou-se o enterro com muita pompa e rara solenidade. "
Assim termina O alienista,um dos melhores contos do grande Machado de Assis. É uma magnífica ilustração do abuso do positivismo, doutrina que tanto impacto teve no Brasil ( até presente na própria divisa nacional- Ordem e Progresso ) e que Assis refutava.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Machado de Assis : Emplastro Brás Cubas

«[...] um dia de manhã, estando a passear na chácara, penderou-se-me uma ideia no trapézio que eu tinha no cérebro. Uma vez pendurada, entrou a bracejar, a penear, a fazer as mais arrojadas cabriolas de volatim, que é possível crer. Eu deixei-me estar a contemplá-la. Súbito, deu um grande salto, estendeu os braços e as pernas, até tomar a forma de um X: decifra-me ou devoro-te.
«Essa ideia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplasto anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade. Na petição de privilégio que então redigi, chamei a atenção do governo para esse resultado, verdadeiramente cristão. Todavia, não neguei aos amigos as vantagens: pecuniárias que deviam resultar da distribuição de um produto de tamanhos e tão profundos efeitos. Agora, porém, que estou cá do outro lado da vida, posso confessar tudo: o que me influiu principalmente foi o gosto de ver impressas nos jornais, mostradores, folhetos, esquinas e enfim nas caixinhas do remédio, estas três palavras: Emplasto Brás Cubas. Para que negá-lo? Eu tinha a paixão do ruído, do cartaz do foguete de lágrimas. Talvez os modestos me argúam esse defeito fio, porém, que esse talento me hão de reconhecer os hábeis. Assim a minha idéia trazia duas faces, como as medalhas, uma virada para o público, outra para mim. De um lado, filantropia e lucro, de outro lado, sede de nomeada. Digamos: - amor da glória.
Um tio meu, cônego de prebenda inteira, costumava dizer que o amor da glória temporal era a perdição das almas, que só devem cobiçar a glória eterna. Ao que retorquia outro tio, oficial de um dos antigos terços de infantaria, que o amor da glória era a cousa mais verdadeiramente humana que há no homem, e, conseguintemente, a sua mais genuína feição.
Decida o leitor entre o militar e o cônego; eu volto ao emplasto.» (de Memórias póstumas de Brás Cubas)
Machado de Assis : D. Casmurro
«- Continue - disse eu acordando.
«- Já acabei - murmurou ele.
«- São muito bonitos.
«Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso: estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro.» (Início de Dom Casmurro)
Machado de Assis (1839-1908) - Maratona de leitura
Casa Fernando Pessoa
Câmara Municipal de Lisboa
Rua Coelho da Rocha, nº 16
1250-088 - Lisboa Portugal
Machado de Assis

Auto didacta, iniciando a sua vida a vender doces que a madrasta confeccionava, foi aprendendo as primeiras letras numa curta passagem pela escola, e ávido de saber, adquirindo conhecimentos, em várias áreas, com especial ênfase na língua e literatura, em que se incluiu o francês, o inglês e o alemão, sobretudo depois de se ter empregado na Imprensa Nacional com 16 anos, tornando-se ainda muito novo um intelectual reconhecido a apreciado.
Romancista, contista, poeta, crítico literário, cronista e dramaturgo, Machado de Assis atravessou os períodos do Romantismo, Realismo e Naturalismo sem se vincular a nenhuma corrente literária. Dos seus romances, os mais conhecidos em Portugal são Dom Casmurro, Quincas Borba e Memórias Póstumas de Brás Cubas. Com ligações muito fortes a Portugal por sua mãe e por sua mulher, Carolina Xavier de Novais, portuguesa, foi um grande admirador, entre outros, de Camões, Garrett, Herculano e Eça, o que perpassa claramente na sua obra. Fundador e primeiro Presidente da Academia Brasileira de Letras é um dos maiores nomes da Língua Portuguesa.
Decorre hoje e manhã na Fundação Calouste Gulbenkian, em colaboração com a Missão Permanente do Brasil junto da CPLP, um colóquio comemorativo do centenário com a intervenção de especialistas portugueses e brasileiros e de um professor inglês estudioso da obra de Machado de Assis, incluindo também um recital de piano e canto com música brasileira da época do escritor, a exibição do filme “Memórias de Brás Cubas” e de dois documentários sobre a sua vida e a leitura de contos e excertos de "Dom Casmurro" pelo actor José Mauro Brant.



















