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sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Marcadores de livros - 2861

Versos e reverso (igual em todos) de marcadores de livros de uma nova editora dedicada à divulgação científica.

No Dia Nacional da Cultura Científica. Foi escolhido o dia 24 de novembro, porque neste dia nasceu Rómulo de Carvalho, professor de Física e Química responsável pela promoção do ensino de ciência e da cultura científica em Portugal. Rómulo de Carvalho foi autor de livros da col. Ciência para Gente Nova, cuja leitura encantou o final da minha infância.
Tenho vários amigos que foram alunos dele no Pedro Nunes e que guardam ótimas recordações das suas aulas. Alguns dos seus colegas nem sabiam que aquele prof. era o poeta António Gedeão.


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

In Memoriam no dia Nacional da Cultura Científica

Rómulo Vasco da Gama de Carvalho nasceu a 24 de Novembro de 1906. Este dia é considerado o DIA NACIONAL DA CULTURA CIENTÍFICA. O centro Rómulo, Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra comemora o 8º Aniversário com a inauguração da Exposição: 
"20 anos, 20 livros de ciência para todos"  e com uma palestra intitulada Ciência e Religião, com os oradores Nuno Camarneiro e Tolentino Mendonça.

Poema das árvores

As árvores crescem sós. E a sós florescem.
Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.

Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.

Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.

E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.

De dia e de noite.
Sempre sós.

Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.

As árvores, não.
Solitárias, as árvores,
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.

Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua.

Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
A crescer e a florir sem consciência.

Virtude vegetal viver a sós
E entretanto dar flores.

António Gedeão, Obra Poética, Lisboa, edições JSC, 2001


Boa tarde!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Arrumando livros - 10

Na crista da onda, 1 - Eça de Queiroz
Na crista da onda, 3 - Florbela Espanca
Na crista da onda, 4 - Almeida Garrett
Na crista da onda, 5 - Bocage
Na crista da onda, 6 - Cesário Verde
Na crista da onda, 7 - António Gedeão

Estava a arrumar umas prateleiras de literatura infantil e vi estes livros, da col. Na Crista da Onda (apresentada como se fosse uma publicação periódica), editados pelo Instituto do Livro - no tempo em que ele servia para alguma coisa. Biografias da autoria de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, o n.º 1 é dedicado a Eça de Queirós e foi publicado em 2004.
Falta-me o n.º 2 sobre Damião de Góis e os n.º 8 a 11, consagrados, respetivamente, ao Padre António Vieira, Júlio Dinis, Marquesa de Alorna e Miguel Torga (saído em 2009).
Trouxe-os aqui porque, embora recentes, já não me recordava deles.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Poema para Galileo, António Gedeão

Justus Sustermans, Galileu,  1636,
 Uffizi, Sala Rubens Colecção Fernando II de Médici (1678)
Poema para Galileo
Portrait of Galileo - Justus Sustermans (Oil on canvas, 66x56)
Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.
Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… Eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar – que disparate, Galileo!
– e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação –
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?

Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas – parece-me que estou a vê-las –,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e escrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai Galileo!
Mal sabiam os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo,
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.
Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto inacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.

António Gedeão,  Linhas de Força. [Coimbra: s.n.], 1967, (Tip. da Atlântida Ed.), p. 28-32.

Dia Nacional da Cultura Científica

No dia Nacional da Cultura Científica e dia do nascimento de Rómulo de Carvalho, 
o centro: Rómulo, Centro de Ciência Viva da Universidade de Coimbra 
homenageia o Doutor João Lobo Antunes.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Ciências do Espaço

Uma viagem ao espaço no Centro de Ciência Viva Rómulo de Carvalho (António Gedeão)


Encontro com Rómulo de Carvalho e o seu livro:
"As Origens de Portugal, História Contada a uma criança" [segundo consta para os filhos]


Os desenhos de Rómulo de Carvalho são belíssimos. O texto é escrito à máquina.
Fac-simile editado pela Fundação Calouste Gulbenkian. 



quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Rómulo de Carvalho



Um convite e uma memória.

Carta a Jorge de Sena, de 29-12-1963

Diz a minha mãe que eu comecei a fazer versos aos 5 anos e aos 10 tive a comoção de ver os primeiros impressos e públicos.
Escrever poemas foi sempre para mim um estado de angústia, um sofrimento autêntico. Amorteci todo esse sofrimento durante anos até ao dia em que por motivos dolorosos me desfiz dele por completo na ingénua presunção de que me atrapalhava. Sobre isso passaram vinte anos.

Após eles...
tive trágica conversa comigo mesmo, a sós, e resolvi nascer de novo.

Rómulo de Carvalho daqui

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

In Memoriam - Rómulo de Carvalho

Rómulo de Carvalho, um desenho que está no Centro de Ciência Viva Rómulo de Carvalho, Universidade de Coimbra




3º Aniversário Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho



Hoje, dia 24 de Novembro de 2011, o Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho comemora o seu 3º aniversário e homenageia o aniversário de nascimento de Rómulo de Carvalho (1906), patrono do Dia Nacional da Cultura Científica.


POEMA DE ME CHAMAR ANTÓNIO

Hoje, ao nascer do sol, de manhãzinha,
ouvi cantar um galo num quintal
quando eu tinha seis anos e fui passar as férias do Natal
com a minha madrinha.

Na cama improvisada no corredor
sabiamente fingia que dormia
muito embrulhado num cobertor,
enquanto numa luz melada e quase fria,
o mundo, sabiamente,
fingia que nascia.

E então apeteceu-me também nascer,
nascer por mim, por minha expressa vontade,
sem pai nem mãe,
sem preparação de amor,
sem beijos nem carícias de ninguém,
só, só e só por minha livre vontade.

Dobrado em circulo no ventre do meu cobertor,
enrugado como um feto à espera da liberdade
(viva a liberdade!)
cerrava e descerrava as pálpebras, sabiamente,
como se as não movesse,
como se não sentisse nem soubesse,
abrindo-as numa fenda dissimulada e estreita,
insensível às coisas quotidianas,
mas hábil para aquela alvorada puríssima e escorreita
que me inundava o sangue através das pestanas.

Fremiam-se-me as pálpebras sacudindo na luz um pó de
[borboletas,
um explodir de missangas furta-cores,
bacilos e vapores,
rendas brancas e pretas.

Cada vez mais feto, mais redondo, mais bicho-de-conta,
mais balão, mais planeta, bola pronta
a meter-se no forno,
mais eterno retorno,
mais sem fim nem princípio, sem ponta nem aresta,
excremento de escaravelho aberto numa fresta.

Foi então que o tal galo cantou.
Looooooonge...

Muito looooooonge... no quintal da vizinha,
lá para o fim do mundo mesmo ao lado da casa da minha
[madrinha.

Era uma voz redonda, débil, inexperiente,
bruxuleante como a chama
que está mesmo a apagar-se e esperta de repente
e novamente morre e de novo se inflama.
Uma voz sub-reptícia, anódina, irresponsável,
fugaz e insinuante,
um canto sem contornos, aéreo, imponderável.
Tudo isso e muito mais, mas principalmente distante.

Foi assim que a voz do galo na capoeira
do quintal da vizinha
que tinha plantado ao centro uma nespereira
mesmo junto da casa da minha madrinha,
penetrou no ventre macio do meu cobertor.
Era uma frente de onda, compacta e envolvente,
pura já na garganta e agora mais que pura,
filtrada
e destilada
nos poros ávidos da minha cobertura.
Chegou e fulminou o meu ser indigente,
exposto e carecido,
naquele gesto mole e distraído
do Deus omnipotente
da Capela Sistina
quando ergue a mão terrível e fulmina
o coração
de Adão.


E pronto. Eis-me nascido. Cheio de sede e fome.
António é o meu nome.

António Gedeão, «Linha de Força», in Poesias Completas (1956-1967), Lisboa: Portugália Editora, 1978, p.301-304

sábado, 24 de setembro de 2011

Noite Europeia dos Investigadores, 23 de Setembro de 2011

Uma noite entre cientistas e investigadores no Centro de Ciência Viva Rómulo de Carvalho, (António Gedeão), Departamentoo de Física da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra.





Um diálogo multidisciplinar
entre investigadores

Da Física à Química e Bioquímica, da Biologia às Ciências da Terra, das Ciências Planetárias à Matemática houve um diálogo perfeito sobre ciência, filosofia e religião.





sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Arte e Ciência


Arte e Ciência é a primeira grande mostra em Portugal dedicada à intersecção da Arte com a Ciência e estará patente na Cordoaria Nacional entre 24 de Setembro e 15 de Novembro, sendo comissariada por Leonel Moura.
Arte e Ciência será complementada com o programa de conferências Passeios Cognitivos, a decorrer entre 26 de Setembro e 14 de Novembro, também na Cordoaria Nacional. Artistas e investigadores debaterão com o público a influência da ciência no processo criativo. Das oito conferências destacamos «Biomateriais e Regeneração de Tecidos», de Mário Barbosa, no dia 17 de Outubro, e «Inteligência de Enxame», de Marco Dorigo, no dia 7 de Novembro.
O projecto culmina no dia 24 de Novembro, Dia Nacional da Cultura Científica, com a grande festa «Viva Ciência» e uma exposição dedicada a Rómulo de Carvalho, um dos grandes divulgadores da ciência em Portugal.
Mais informações em: http://www.inside.com.pt/

A invenção da câmara escura.

A ciência da fotografia contada em forma de história. Um caminho para aprender com uma narrativa aliciante.
x
António Gedeão, 4 últimos versos do Poema Lágrima de Preta!

A invenção da câmara escura.

Quando, num dia de sol, nos encontramos em casa com as portas das janelas quase cerradas de modo que só penetre no compartimento uma estreita faixa de luz, é frequente vermos perpassar pelas paredes ou pelo tecto as imagens das pessoas ou dos carros que passam na rua. Olhando com atenção veremos que essas imagens são invertidas. Se escurecêssemos bem todo o compartimento e praticássemos um pequeno orifício na porta de uma janela de modo que a luz do sol apenas pudesse penetrar por aí, veríamos formar-se, na parede fronteira, uma imagem mais ou menos nítida, e invertida, dos objectos iluminados que estivessem fora de casa, defronte do orifício da janela.

Rómulo de Carvalho, História da Fotografia, Ciência para Gente Nova, - nº2, Coimbra: Atlântida Editora, 1976, p. 7.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Poema para Galileu!

Para comemorar os 400 anos da invenção do telescópio!


Poema para Galileu

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.

Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.

Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.

http://www.citi.pt/cultura/literatura/poesia/antonio_gedeao/galileu.html