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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Citações



(...) Os emigrantes dos anos 60 eram muitíssimo mais pobres do que os actuais, saíam de um Portugal atrasado que não se compara ao Portugal de hoje, começavam a vida francesa em bairros de lata, mas tinham esperança, viam uma luz ao fundo do túnel, sabiam que podiam cavalgar uma epopeia de ascensão social - os filhos teriam uma vida melhor e até seriam franceses. Apesar de não conhecerem nem um décimo da miséria de 1960 nem um décimo da dureza do salto a pé, os emigrantes de hoje não têm qualquer réstia de esperança, não se sentem numa epopeia e até sabem que a vida dos filhos será pior do que a deles .
Os antigos emigravam para viver, os novos emigram para sobreviver . Repare-se que este não é apenas um retrato da emigração portuguesa. É, acima de tudo, mais um dos milhares de sinais do mal-estar que assombra esta Europa velha, decadente e sem perspectivas de futuro .

- Henrique Raposo , no Expresso .


Muitas vezes discordo das análises do Henrique Raposo, mas neste caso sinto-me inclinado a concordar com ele apesar do enorme contraste de formação entre os emigrantes de hoje e os dos anos 50 e 60 .

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Pensamento ( s )

( Antígone, Frederic Leighton, 1882, óleo sobre tela )

(...) Nós, ocidentais, fomos forjados nesta tensão entre Cristo e Maquiavel, entre Jerusalém e Roma, entre Antígona e Creonte, entre amor e dever, entre família e pátria. A nossa lealdade estará sempre dividida entre estes dois polos antagónicos. (...)

- Henrique Raposo, no Expresso do passado Sábado.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Citações


(...) Quando prende um " reaça " qualquer, a lei é a lei; quando prende um socialista, a lei já é uma cabala. O resultado final desta petulância está à vista de todos : em 2014, Soares e muitos soaristas estão a retratar o Ministério Público como uma espécie de PIDE e Sócrates como um preso político. Há uma diferença entre exigir mais clareza à justiça e tratar os magistrados como criminosos. Lamento, mas isto é o suicídio do soarismo.
Submersos nesta cultura de respeitinho, Soares e os soaristas ainda não perceberam o que está a acontecer, ainda não perceberam que estamos no meio de um terramoto cultural, moral, gramsciano. A narrativa está a mudar. Se quiserem, este 24 de novembro exterminou o efeito moral do velho 25 de novembro, ou seja, o PS já não é a charneira moral do regime, é só um partido como os outros, o soarismo perdeu o monopólio da moralidade. Não, Soares não é o pai da democracia, é o pai do PS. Julgo que há uma diferença. Não, não há uma crise do regime, há uma crise do soarismo. Julgo que há uma diferença. Ou, pelo menos, julgo que tenho o direito de pensar que há uma diferença.

- Henrique Raposo, no Expresso do passado Sábado.