Prosimetron

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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Citações



(...) Os emigrantes dos anos 60 eram muitíssimo mais pobres do que os actuais, saíam de um Portugal atrasado que não se compara ao Portugal de hoje, começavam a vida francesa em bairros de lata, mas tinham esperança, viam uma luz ao fundo do túnel, sabiam que podiam cavalgar uma epopeia de ascensão social - os filhos teriam uma vida melhor e até seriam franceses. Apesar de não conhecerem nem um décimo da miséria de 1960 nem um décimo da dureza do salto a pé, os emigrantes de hoje não têm qualquer réstia de esperança, não se sentem numa epopeia e até sabem que a vida dos filhos será pior do que a deles .
Os antigos emigravam para viver, os novos emigram para sobreviver . Repare-se que este não é apenas um retrato da emigração portuguesa. É, acima de tudo, mais um dos milhares de sinais do mal-estar que assombra esta Europa velha, decadente e sem perspectivas de futuro .

- Henrique Raposo , no Expresso .


Muitas vezes discordo das análises do Henrique Raposo, mas neste caso sinto-me inclinado a concordar com ele apesar do enorme contraste de formação entre os emigrantes de hoje e os dos anos 50 e 60 .

2 comentários:

maria franco disse...

Uma visão muito pessimista, mas infelizmente muito real.

Presépio no Canal disse...

Também concordo, infelizmente, por causa do que vou observando. A sensação que tenho, às vezes, é que a Europa está por pinças...