Prosimetron

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sexta-feira, 27 de março de 2009

"Como é diferente o amor em Portugal"



[...]
Nem a frase subtil, nem o duelo sangrento...
É o amor coração... É o amor sentimento...
Uma lágrima... Um beijo... Uns sinos a tocar...
Um parzinho que ajoelha e que se vai casar...
Tão simples tudo! Amor que de rosas se inflora...
Em sendo triste, canta, em sendo alegre, chora!
O amor simplicidade, o amor delicadeza...
Ai, como sabe amar, a gente portuguesa!
Tecer de sol um beijo, e desde tenra idade
Ir n’esse beijo unindo o amor e a amizade,
N’uma ternura casta e n’uma estima sã,
Sem saber distinguir entre a noiva e a irmã...
Fazer vibrar o amor em cordas misteriosas,
Como se em comunhão se entendessem as rosas,
Como se todo o amor fosse um amor somente...
Ai, como é diferente! Ai, como é diferente!

(Cardeal Gonzaga em A ceia dos cardeais, de Júlio Dantas.)

A peça foi estreada no Teatro D. Amélia (actual S. Luís) no dia 24 de Março de 1902.
Retirei este excerto da internet. O Jad, que adora esta peça, pode dar seguimento a este post. Resolvi colocá-lo por hoje ser Dia Mundial do Teatro e por ter falado de Júlio Dantas esta tarde.

Gil Vicente: Compilacam de todalas obras


Infelizmente o exemplar da Copilacam de todalas obras de Gil Vicente que se conserva na Biblioteca Nacional Portuguesa e que se encontra disponivel em edição digitalizada [http://purl.pt/11494/3/P15.html] não está completo. O que apresentam como folha de rosto (e que a nossa colega de Blogue ANA seguiu) não passa da "cortina / portada" do "LIVRO PRIMEYRO"...
Aliás, como a nossa colega informa, na folha de rosto encontram-se as referências ao lugar de edição, impressor e taxa, que nessa "portada / cortina" não aparecem...
Recorri à Biblioteca que o Ministério das Finanças depositou em Vila Viçosa, à guarda da Fundação da Casa de Bragança, para reproduzir, a partir de um livro que pertenceu à colecção de D. Manuel II, último rei de Portugal e distinto bibliófilo, o verdadeiro rosto dessa raríssima edição de 1562.
Já agora, a edição original tem [IV]+ CCLXII folhas [= 4 + 262 f.], o que faz um total de 532 pp. (É que ao exemplar da BnP também falta o "quinto liuro"...) Seria bom que a BnP colocasse um exemplar completo, mesmo tendo de recorrer a outra instituição...

Homenagem ao dia do teatro: a obra de Gil Vicente.

Gil Vicente
(1465? — 1536)
Copilaçam de todalas obras de Gil Vicente, a qual se reparte em cinco liuros. O primeyro he de todas suas cousas de deuaçam. O segundo as comedias. O terceyro as tragicomedias. No quarto as farsas. No quinto as obras meudas. - Lixboa : em casa de Ioam Aluarez, 1562]. BN- CCXLIX f. : il. ; 2º (28 cm) http://purl.pt/11494 . No rosto "Vendem se a cruzado em papel, em casa de Francisco Fernandez, na rua noua".

A Cotovia-dos-bosques!

Cotovia-dos-bosques

A Cotovia-dos-bosques, ou Lullula arborea em latim, é uma pequena cotovia de plumagem castanha, cauda curta e poupa vestigial. Habita uma grande diversidade de bosques e florestas pouco densos por toda a Europa temperada e mediterrânica. A Cotovia-dos-bosques é principalmente sedentária, sendo migradora na parte Norte e Oriental da sua área de distribuição europeia. As aves do Sul da Escandinávia, Europa Central, Rússia e Turquía migram para Sul e para Sudoeste durante o Inverno.
O canto da Cotovia-dos-bosques é dos mais melodiosos de entre todas aves europeias. Canta durante a noite ou de manhã, normalmente em voo ondulante, e a mais de 100 metros de altura.

A Cotovia-dos-bosques prefere sempre os locais com árvores.

«The Vicious Circle»


Natalie Ascencios - A Vicious Circle
Legenda: 1. Dorothy Parker; 2. Robert Benchley; 3. Matilda; 4. Franklin Pierce Adams; 5. Robert Sherwood; 6. Harpo Marx; 7. Alexander Woollcott; 8. Harold Ross; 9. George S. Kaufman; 10. Heywood Broun; 11. Marc Connelly; 12. Edna Ferber

«[…] a famosa “távola redonda” do Hotel Algonquin, também chamada “o círculo vicioso”, nasce quase por acaso. Em Junho de 1919, Dorothy [Parker] recebe um convite para almoçar nesse hotel para festejar o regresso da guerra de Alexander Woolcott, crítico teatral do New Yok Times. Em torno de várias mesas sentam-se nesse dia pouco menos de quarenta pessoas […].
«A távola redonda do Algonquin nasce assim nos anos do primeiro pós-guerra e é o primeiro exemplo desse radicalismo chique que não apenas em Nova Iorque, mas também na Europa, conjugará, ilusoriamente ou não, dinheiro e espírito, engenho e empenho. O hotel encontra-se perto da zona dos teatros e é por isso frequentado por actores até célebres, como Douglas Fairbanks ou John Barrymore, que gostam de jantar na sala chamada “Rose Room”. Os escritores, por outro lado, preferem reunir-se noutra sala, a chamada “Pergola Room” (hoje “Oak Room”), talvez pelas suas pinturas a fresco com vistas do golfo de Nápoles. Os nomes de quem participa nesses encontros hoje dizem pouco, sobretudo fora de Nova Iorque.» São eles: Edmund Wilson, Marc Connelly, Robert Sherwood, Frank Sullivan, Charles MacArthur, Herman Mankiewicz, Harpo Marx, Donald O. Stewart, Murdock Pemberton, William Faulkner e Dorothy Parker. E a ideia da mesa redonda foi do director do hotel, Frank Case.

(Corrado Augias – Os segredos de Nova Iorque. Lisboa: Cavalo de Ferro, 2008, p. 266, 269)

MACBETH de Verdi

É a ópera que irá estar de 4 de Abril a 8 de Maio na Opéra Bastille, em Paris. Para os que não podem ir até lá, como é o meu caso, fica uma bela ária cantada por Maria Callas num concerto em Hamburgo há precisamente 50 anos. Inultrapassável.

Onde não me apetecia estar ...

Esta fotografia de parte da fachada foi a melhor que consegui do antigo palácio presidencial de Hilla ou Al-Hillah, um dos muitos palácios do ditador iraquiano Saddam Hussein. Pois bem, o antigo palácio é hoje um hotel- o Presidential Palace Resort Al-Hillah, e uma das ofertas especiais é a possibilidade de dormir no antigo quarto de Saddam Hussein por 140 euros/ noite, com pequeno almoço.
Mas o que mais me surpreendeu foi saber qual o alvo preferencial desta opção de dormida. Não é destinado nem a historiadores, nem a antigos soldados americanos, ou a saudosistas do regime deposto, mas sim a luas de mel. É verdade, o antigo quarto de Saddam é oferecido preferencialmente a casais em lua de mel. De gustibus non disputandum?

Conhecem Antony and the Johnsons ?

Esta You are my sister já tem uns anitos mas é fantástica, e aqui é interpretada ao vivo com as vozes adicionais de CocoRosie. Dedico-a à minha querida irmã, que hoje faz anos.

Ainda o Dalai-Lama e a África do Sul



Escrevi há dias sobre a recusa da África do Sul em conceder um visto de entrada ao Dalai-Lama para que este participasse numa conferência sobre paz mundial. Foi ontem divulgado o cancelamento de tal conferência após a polémica que suscitou a dita recusa de visto. Acho bem. Não me parece útil falar de paz no mundo quando se proíbe alguém de participar, de fazer ouvir a sua voz. Mais vale o ensurdecedor silêncio.

Hoje é o Dia Mundial do Teatro

Hoje há vários motivos de interesse para passar pelo Teatro Nacional D.Maria II, palco principal em Lisboa das comemorações do Dia Mundial do Teatro:
A VISITA - Entre as 11 e as 15h é possível visitar os Espaços do D.Maria II.
FOTOBIOGRAFIAS DO SÉC.XX - Às 16h no Salão Nobre, lançamento de biografias de Vasco Santana, por Luís Trindade, e Amélia Rey-Colaço, por Júlia Leitão de Barros. (Ed.Círculo de Leitores) .
QUE TEATRO NACIONAL PARA O SÉC.XXI - Às 17h30 no Salão Nobre, debate com a presença de Stephen Wilmer ( professor do Trinity College e historiador de teatro) , Maria João Brilhante ( Presidente do Conselho de Administração do D.Maria II ) , e Diogo Infante ( Director Artístico do D.Maria II ) , e a moderação de Ana Sousa Dias.
ESTA NOITE IMPROVISA-SE - Às 21h30 na Sala Garrett, peça de Luigi Pirandello, com encenação de Jorge Silva Melo, co-produção Artistas Unidos e D.Maria II.
A NOITE - Às 21h45 na Sala Estúdio, a partir de Al Berto, encenação de João Brites, criação Teatro o bando em co-produção com o D.Maria II.
Entrada livre.

Dorothy Parker:

«the brightest girl in New York»
Edmund Wilson


«Os vossos nomes ficarão para sempre escritos no meu coração. A propósito, meu querido, como é que te chamas?»
Dorothy Parker, a propósito da sua frenética vida amorosa.

Elegâncias - 22



Estes magníficos modelos foram-me enviados pelo Luís Barata.
Os vermelhinhos - atenção, Miss Tolstoi! - é como andar em pontas...

Mudança da hora no dia 29 de Março

Mudança da hora no dia 29 de Março de 2009
Na madrugada do dia 29 de Março (domingo), a Hora Legal muda do regime de Inverno para o regime de Verão.
- Em Portugal continental e na Região Autónoma da Madeira, à 1:00 hora da manhã adiantamos o relógio de 60 minutos, passando para as 2:00 horas da manhã.
- Na Região Autónoma dos Açores a mudança será feita à meia-noite (00:00) de Domingo, dia 29 de Março, passando para a 1:00 hora da manhã, do mesmo dia.
Ver a legislação.
http://www.oal.ul.pt/index.php?link=lesl
http://www.oal.ul.pt/index.php?link=destaque&id=137

Ovo da Páscoa 2, Peter Carl Fabergé.

A minha segunda proposta é este ovo de:
Ovo Equestre de Alexandre III, 1910


Kremlin Armoury Museum Moscow
altura 15,5 cm

Este ovo foi um presente de Nicolau II a Maria Fyodorovna e foi feito em São Petersburgo.

Auto-retrato. Lucian Freud!

Escolhi este auto-retrato de Lucian Freud por me parecer sui generis. Escondido, no meio da planta gigante, vislumbra-se o busto do pintor que sugere a sensação de som.
Interior com Planta, Ouvindo o Reflexo
Auto-retrato, 1967/68
Óleo sobre tela, 121,8x121,8 cm, colecção particular*
*Sebastian Smee - Lucian Freud, Alemanha: Taschen, 2008, p. 33.

quinta-feira, 26 de março de 2009

A saudação mais actual...

Com um agradecimento à Tecla Portela Carreiro, que tem toda a razão quando diz que é preciso manter o sentido de humor nestes tempos em que vivemos.

De Igual para igual

Os amigos.
Esses estranhos que nós amamos
e nos amam
olhamos para eles e são sempre
adolescentes, assustados e sós
sem nenhum sentido práticos
em grande noção da ameaça ou da renúncia
que sobre a luz incide
descuidados e intensos no seu exagero
de temporalidade pura.

Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o fortuito significado dos campos
explica por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis.

Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
e por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor.

José Tolentino de Mendonça
(1965 - )

A Hora do Planeta

Sábado, 28 de Março às 20h30
apague as luzes para diminuir o efeito de estufa.
Eu, se estiver em casa, fá-lo-ei; se não estiver, estarão apagadas.

Paris Match: 60 anos


Conversas com Lisboa

Um dia vou construir um castelo....




A felicidade exige valentia.


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas,um dia vou construir um castelo...

Fernando Pessoa - 120 anos





Dos meus presentes - 3

" (...) A curta-metragem, porém, nunca deixou de existir ao longo da história do cinema. Especializou-se em diferentes categorias ou géneros: o filme burlesco, o filme documental, o filme pedagógico, industrial, amador, etc. É também, em muitos casos, a via de acesso à profissão, por vezes prolongada pela realização de longas-metragens. A curta-metragem permite experimentar novas formas e escapar aos condicionalismos narrativos ou institucionais. Em geral, está menos sujeita do que a longa-metragem às regras da rentabilidade económica, enquanto que no caso do filme de encomenda este condicionalismo é mais forte. "

- Dicionário teórico e crítico do cinema, Jacques Aumont e Michel Marie, edições texto&grafia, Janeiro de 2009.

Gosto de curtas-metragens. Escolhi esta de uns escassos 7 minutos, carregada de prémios, para ilustrar mais este presente de aniversário. Peço desculpa pela falta de legendagem.

Sábado e Domingo - 2 : 13ª Edição do STOCKMARKET

Quem gosta de grandes marcas a bons preços deve ir este fim-de-semana até à antiga FIL, agora Pavilhão do Rio do Centro de Congressos de Lisboa, desde logo no eléctrico 15, e espreitar os grandes descontos desta 13ª edição do Stockmarket. Uma hipótese de comprar Tommy, Roberto Cavalli, Carolina Herrera, Guess, ou Miguel Vieira a preços bastante mais acessíveis.
Sábado- das 10 às 20h, Domingo- das 12 às 20h. Bilhetes a vários preços, crianças e séniores entram gratuitamente.

Sábado e Domingo - 1 : 18ª Ladra Alternativa

E a Ladra Alternativa chega à sua 18ª edição, no sítio do costume- o Centro Cultural Dr.Magalhães Lima, ao Largo do Salvador, Alfama, Lisboa. Como sempre, é possível encontrar objectos invulgares e originais, artesanato urbano, e animação. E tudo de origem nacional.
Das 1o às 19 h, com entrada livre.

Citações - 18 : Ainda os paraísos fiscais

" (...) acho que é preciso começar por acabar com a economia mundial clandestina. Muitos dos escândalos a que estamos a assistir são puros casos de polícia! E, depois, é preciso acordar os reguladores que dormem. Ou criar novos reguladores que actuem. A grande finança internacional vive hoje sem regras, sem fiscalização e sem sanções. É a lei da selva.
Por isso não me parece nada conveniente, numa primeira fase, extinguir os off-shores e os paraísos fiscais. É lá que estão e actuam os ilegais e os clandestinos. É preciso ir apanhar os lobos no seu covil. "

- Diogo Freitas do Amaral, in VISÃO de 26/03/2009.

Assim termina o muito interessante artigo de Freitas do Amaral publicado na VISÃO desta semana, e que vale a pena ler na íntegra já que oferece uma excelente análise do estado a que chegámos e das suas causas ( capitalismo desregulado, gestores gananciosos, autoridades financeiras passivas ) .

Prémio D.Dinis 2009


Um dos maiores especialistas portugueses de Estudos Literários, Vítor Aguiar e Silva, foi distinguido com a atribuição por unanimidade do Prémio D.Dinis, criado pela Fundação da Casa de Mateus, pelo seu livro A Lira Dourada e a Tuba Canora: Novos Ensaios Camonianos, editado pela Livros Cotovia.

Coisas do Direito - 8 : Uma boa notícia


Mais um estado norte-americano aboliu a pena de morte. Agora foi o Novo México pela mão do seu governador, o democrata Bill Richardson.A pena mais grave aplicável neste estado da União passa a ser a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Uma boa notícia num país onde em alguns estados ainda se executam doentes mentais, jovens adultos, e adultos que cometeram crimes quando eram menores. Ao contrário do que muita gente pensa, trata-se de um país com enormes contrastes nos catálogos penais estaduais e cometer um crime num estado ou noutro pode ser a diferença entre perder a liberdade ou a vida.

A HISTÓRIA DE UMA HISTÓRIA

Era uma vez uma história

acabava antes de começar
e começava depois do fim

os seu heróis entravam nela
depois de terem morrido
e abandonavam-na
antes de nascerem

os eus heróis falavam
de um certo mundo de um certo céu
diziam toda a espécie de coisas

só não diziam
o que eles próprios não sabiam
que eram apenas heróis de uma história

de uma história que acaba
antes de começar

e começa antes de acabar

Vasco Popa
In: Ted Hughes – O fazer da poesia / trad. Hélder Moura Pereira. Lisboa: Assírio & Alvim, 2002, p. 129

Abri este livro porque li no jornal que Nicholas Hughes, filho de Ted Hughes e Sílvia Plath, se suicidou no dia 16 passado.

Ovo da Páscoa 1, Peter Carl Fabergé.

Irei apresentar alguns ovos de Fabergé que mais aprecio.
O primeiro ovo que escolhi é de 1899 e chama-se:
Imperial Pansy Egg,

Cleveland, Museum of Art, Colecção particular

Peter Carl Fabergé (Karl Gustavoich Faberge) criou o primeiro ovo da Páscoa, em 1885, para o Czar Alexandre III, oferecer a sua mulher, Maria Feodorovna Romanova a (Princesa Maria Sofia Frederica Dagmar da Dinamarca) como presente da Páscoa.
Os ovos decoradíssimos contêm no interior jóias surpresa.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O sono do João, António Nobre.

O João dorme...(Ó Maria,
dize áquela cotovia
Que fale mais devagar:
Não vá o João acordar...)

Tem só um palmo de altura
E nem meio de largura:
Para o amigo orangotango
O João seria... um morango!
Podia engoli-lo um leão
Quando nasce! As pombas são
Um poucochinho maiores...
Mas os astros são menores!

O João dorme... Que regalo!
Deixá-lo dormir, deixá-lo!
Calai-vos, águas do moinho!
Ó Mar! fala mais baixinho...
E tu Mãe! E tu Maria!
Pede àquela cotovia
Que fale mais devagar:
Não vá o João acordar...

O João dorme, o inocente!
Dorme, dorme eternamente,
Teu calmo sono profundo!
Não acordes para o Mundo,
Pode levar-te a maré:
Tu mal sabes o que isto é...

Ó Mãe! canta-lhe uma canção,
os versos do teu irmão:
«Na Vida que a Dor povoa,
Há só uma coisa boa,
Que é dormir, dormir, dormir...
Tudo vai sem se sentir.»

Deixa-o dormir, até ser
Um velhinho... até morrer!

E tu vê-lo-ás crescendo
A teu lado (estou-o vendo
João! que rapaz tão lindo!)
Mas sempre, sempre dormindo...
Depois, um dia virá
Que (dormindo) passará
Do berço, onde agora dorme,
Para outro, grande, enorme:
E as pombas que eram maiores
Que João... ficarão menores!

Mas para isso, Ó Maria
Dize àquela cotovia
Que fale mais devagar:
Não vá o João, acordar...

E os anos irão passando.
Depois, já velhinho, quando
(Serás velhinha também)
Perder a cor que, hoje, tem
Perder as cores vermelhas
E for cheiinho de engelhas,
Morrerá sem o sentir,
Isto é, deixa de dormir:
Acorda, e regressa ao seio
De Deus, que é donde ele veio...

Mas para isso, ó Maria!
Pede àquela cotovia
Que fale mais devagar:

Não vá o João acordar...

António Nobre - Breve antologia da Poesia Portuguesa, Lisboa: Guimarães Editores SA, 2009, p. 35-37.

Não é de Colombo mas ...

Como está um dia bonito...

Em 2009 - 4 : Centenário da Nouvelle Revue Française

- Primeiro número da NRF, 1 de Fevereiro de 1909.

Faz este 100 anos de vida uma das mais importantes revistas literárias do mundo, a Nouvelle Revue Française, nascida em Fevereiro de 1909 sob o patrocínio de André Gide.
Actualmente, tem periodicidade trimestral sobretudo por razões económicas. O centenário desta prestigiada revista está a ser celebrado das mais diversas formas: colóquios, exposições ( uma deve estar agora patente em Paris no Centre national du livre ) , catálogos e edições facsimiladas dos primeiros números da revista, bem como a aguardada publicação de materiais dos preciosos arquivos da revista, designadamente correspondência de alguns dos grandes autores que escreveram na revista.

Mais informações em http://www.centenaire-nrf.fr

Borboletas no Jardim Botânico

Esta Aurinia é uma das 15 espécies de borboletas que podem ser vistas no Espaço Lagartagis do Jardim Botânico de Lisboa, borboletário único no país e que reabriu no passado sábado.

Nancy Gustafson em Lisboa

A partir de quinta-feira vamos ter a norte-americana Nancy Gustafson a cantar em São Carlos a Salomé de Richard Strauss, numa co-produção com o Biwako Hall do Japão. Como sabem os mais operáticos, foi esta ópera o primeiro grande sucesso de Strauss, que se inspirou na tradução alemã ( Hedwig Lachmann ) da peça homónima de Oscar Wilde.
Deixo-vos La Gustafson não no Antigo Israel, mas numa das árias mais apreciadas do mundo da ópera, e onde ela não está nada mal.

Dos meus presentes - 2

Não, não me deram um gato. Seria um belo presente, mas esta seria a pior altura possível. Escolhi um gato porque faz parte de uma lista, das muitas maravilhosas listas de um belo livro que foi o meu primeiro presente de aniversário. Já falei do livro em Janeiro, e então declarei que iria trazer aqui ao blogue algumas dessas listas. Parece-me ser esta uma boa ocasião para começar.

LISTE DU PRÉFÉRABLE

Les actrices aux acteurs.

Les rois aux reines.

La tendresse à la douceur.

Les insolents aux impertinents.

L' idée que l' on nous fasse des cadeaux aux cadeaux que l' on nous fait.

Les chats aux amateurs de chats.

Les êtres aux lieux.

- Charles Dantzig, Encyclopedie capricieuse du tout et du rien, Grasset, 2009.


Divagações sobre Arte 1: Francis Piccabia.

Piccabia dizia ao avô:

“Podes fotografar uma paisagem mas não podes fotografar o que eu tenho na cabeça.”

Será que se pode comparar estas duas formas artísticas, a pintura e a fotografia?

Sebastian Smee - Lucian Freud, Alemanha: Taschen, 2008, p. 31.

Livros de cozinha - 13


Capas de livros de cozinha. A doceira familiar é de Clara T. Costa
(8.ª ed. Porto: Civilização, 1964)

Arnost Budik, um Surrealista Checo.

Arnost Budik, Cela reste entre nous (colagem)
9x13 cm, 2006, imagem digitalizada*
Arnost Budik:
“O Surrealismo é uma atitude perante a realidade, um estado de espírito e uma disposição específica da alma. E porque não há estética surrealista, o surrealismo não pode ser considerado como um “ismo” qualquer, ou escola artística ou literária. Claro que, episodicamente, mantém estreitas relações com a arte, a literatura, a política, as ciências ou a criação, onde cintila uma estrela do maravilhoso, que permite aos surrealistas esquecer todas as regras formais nas suas obras.”

*Arnost Budik - O Acaso Objectivo, Exposição Retrospectiva sobre o Surrealismo na República Checa, Coimbra: Museu Mineralógico e Geológico da Universidade de Coimbra, 2006, p.8.

terça-feira, 24 de março de 2009

Dos meus presentes - 1

A CASA DEVASTADA


Em pedaços o vaso rupestre jaz,
Seus elos de dança desfeitos,
E, junto a ele, sarças definham,
Abafada fonte do sol!
A aranha no loureiro a teia tece,
A erva daninha exila a flor:
E, qual estufa, o busto de Apolo
Gera cal para a torre de Mamona.


-
Herman Melville, Poemas, selecção, tradução e introdução de Mário Avelar, Assírio&Alvim, Março de 2009.