Prosimetron

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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Gravado no tempo - 2


Em 7 de Julho de 1865 foi enforcada a primeira mulher nos E.U.A.. Foi acusada de ter participado na conspiração que levou ao assassinato do presidente Abraham Lincoln, chefiado por John Wilkes Booth. Chamava-se Mary Surratt e nascera e Waterloo, em 1823 e era dona de uma taberna e pensão americanas.


Foi executada com três dos implicados, no Forte McNair, em Washington. Mais tarde foi revelado que não soubera nada acerca da conspiração

Nos 150 anos de Mahler


Seguindo a deixa do JP.

Calor, calor, calor


Quando a noite é quase tão quente como o dia, só assim se consegue refrescar.

Mucha

Esta capa é uma litografia original feita por Mucha. Isto é, a própria litografia, em papel artesanal, serviu de capa ao n.º 24, de 30 de Dezembro de 1899, da revista Cocorico, publicada em Paris. Boa época.

Flora - John William Waterhouse.

Flora, a deusa das flores, nasce do pincel de Waterhouse.
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John William Waterhouse, Flora apanhando flores, 1890




Óleo sobre tela, Colecção privada.
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Ao Grilo não digas
Ao grilo
não digas:
não cantes! Porque
onde um grilo canta
o verão, cantam
as espigas.
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Albano Martins, in Conto Estrelas em Ti, 17 poetas escrevem para a infância, Porto: Campo das Letras, 2000, 22, Coordenação José antónio Gomes

terça-feira, 6 de julho de 2010

Glücklich Geburtstag!



7 de Julho
1860-2010









Noite Mozart


Miah Persson (1969-)

Boa noite!

Franz Lehár - Compositor Húngaro!

"Das Land des Lächelns", No País dos Sorrisos, opereta em três actos de Franz Lehár.



Plácido Domingo, Rolando Villazón e Anna Netrebko
A beleza no país dos sorrisos.

Luís Nobre: Causa-Efeito



«No âmbito do ciclo de arte contemporânea Percepções do Sagrado que o Museu de São Roque alberga, Luís Nobre (n. 1971, Lisboa) em Causa-Efeito propõe entrelaçar a sua prática artística com alguns núcleos da colecção do museu. Dando continuidade à sua revisão do desenhar, e pensando o campo amplo que a Paisagem proporciona, Luís Nobre traça um diálogo informado pela colecção, seu conteúdo e seus significados, que se inscreve na tradição/tradução museológica e nos dispositivos de apresentação, propondo assim uma leitura renovada e acrescida da experiência do museu através de quatro trabalhos realizados especificamente para este contexto.» (Agenda Cultural, CML)
Museu de São Roque
Lisboa
até 27 Jun.

Adeus, Matilde!


Faleceu hoje, aos 89 anos.
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=1611665
http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/matilde1.htm

BALADA DAS VINTE MENINAS FRIORENTAS

Vinte meninas, não mais,
Eu via ali no beiral:
Tinham cabecinha preta
E branquinho o avental.

Vinte meninas, não mais,
Eu via naquele muro:
Tinham cabecinha preta,
Vestidinho azul escuro.

As minhas vinte meninas,
Capinhas dizendo adeus,
Chegaram na Primavera
E acenaram lá dos céus.

As minhas vinte meninas
Dormiam quentes num ninho
Feito de amor e de terra,
Feito de lama e carinho.

As minhas vinte meninas
Para o almoço e o jantar
Tinham coisas pequeninas,
Que apanhavam pelo ar.

Já passou a Primavera
Suas horas pequeninas:
E houve um milagre nos ninhos.
Pois foram mães, as meninas!

Eram ovos redondinhos
Que apetecia beijar:
Ovos que continham vidas
E asinhas para voar.

Já não são vinte meninas
Que a luz do Sol acalenta.
São muitas mais! muitas mais!
Não são vinte, são oitenta!

Depois oitenta meninas
Eu via ali no beiral:
Tinham cabecinha preta
E branquinho o avental.

Mas as oitenta meninas,
Capinhas dizendo adeus,
Em certo dia de Outono
Perderam-se pelos céus.

Matilde Rosa Araújo (1921-2010)
(De O livro da Tila)

Cristiano Pai

Que pensar da recente paternidade de Cristiano Ronaldo? Individualismo extremo (egoísmo?) de quem não está para "aturar" os nove meses de gravidez de uma namorada/cônjuge, com tudo o que vem associado?
Imaturidade emocional associada a forte dependência maternal ( pois que será obviamente a D.Dolores, mãe adorada, quem vai criar esta criança, assim sendo avó sem ter de ser sogra e partilhar com outra mulher o filho-estrela) ?
Capricho de quem tudo pode graças a uma fortuna imensa?
Ou simplesmente apenas uma nova forma de paternidade no dealbar do século XXI?

Citação matinal

Amanheci a pensar num amigo cujo discurso nem sempre consigo acompanhar e lembrei-me desta citação de Nicolas Boileau, poeta e historiador de Luís XIV, que viveu entre 1636 e 1711:

Ce que l'on conçoit bien s'énonce clairement et les mots pour le dire arrivent aisément

1971 : Louis Armstrong

A 6 de Julho de 1971 morria Louis Armstrong, genial músico, compositor e chefe de orquestra.

Lá fora - 80 : Caligrafia em Loches

















É no cenário algo improvável do Vale do Loire, mais propriamente na vetusta Cité Royale de Loches, que está patente a exposição Je ne sais qu'aimer do iraquiano Hassan Massoudy (1944-), mestre calígrafo.
A caligrafia árabe como forma artística contemporânea numa antiga residência real francesa do Medievo.
Calligraphies, HASSAN MASSOUDY, Je ne sais qu'aimer, Cité Royale de Loches, até 2 de Agosto.
Mais info aqui : http://www.cg37.fr



Poeta Laureado



Os Estados Unidos têm um novo Poet Laureate, o 17º, de seu nome William S.Merwin, 82 anos, duas vezes vencedor do Prémio Pulitzer.
Merwin vive praticamente como um eremita há 30 anos no Havaí, e deixou de usar pontuação nos anos 60.

Rostos de Roma


Estátua sentada de Lívia
Mármore, 14-19
Madrid, Museu Arqueológico Nacional


«Feio é o campo sem erva e o arbusto sem folhas e a cabeça sem cabelo»
(Ovídio - Arte de amar)

«Em Roma, o cabelo e o seu arranjo eram considerados um elemento fundamental do atractivo de uma mulher, assim como um sinal da sua idade, posição social e função publica.»
Bruno Ruiz-Nicoli
In: Rostos de Roma. Évora: Museu de Évora, 2010, p. 48

Exposição
Museu de Évora
até Set. 2010

Estrelas...

Ontem depois de visitar um museu só me lembrei de Escher e os seus poliedros
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Escher Estrelas 1948
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(...) não podemos imaginar que algures por detrás da estrela mais longínqua do céu nocturno, o espaço possa ter um fim, um limite para além do qual nada mais existe. O conceito de vácuo diz-nos ainda alguma coisa, pois um espaço pode estar vazio (...), mas a nossa força de imaginação é incapaz de apreender o conceito de nada no sentido de ausência de espaço...

in O Espelho Mágico de M.C. Escher, Bruno Ernest, 1978, p.102 (clique em Escher e encontra o site de onde retirei este trecho). Vou ter que encontrar este livro porque gostei do texto.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Verão de 1970

Como se do início de uma nova guerra mundial se tratasse, o Daily Mirror britânico anunciava o fim dos Beatles a 10 de Abril de 1970: a manchete “Paul is quitting the Beatles” preenchia a primeira página do jornal - um dia negríssimo para os milhões de fãs dos Fab Four. Com o final da década de 60 terminava também o conjunto mais célebre de todos os tempos.

A separação mediática era meramente uma formalidade, já que McCartney, Lennon, Harrison e Starr se encontravam em desavenças há muito, seguiam ou tentavam seguir uma carreira como solistas, mantendo apenas a fachada de um grupo musical para o exterior. “Get Back”, editado sob o título “Let It Be” em 1970, constituiria o último projecto em comum.

Em declarações à imprensa, Lennon manifestava uma certa surpresa quanto à atenção dada. Em seu entender, tratava-se apenas do fim de um conjunto, e não do fim do mundo. A morte lenta dos Beatles ter-se-ia iniciado com o falecimento de Brian Epstein, assim afirmava Lennon.
Para a comunidade infindável de admiradores, o dia 10 de Abril de 1970 significaria o fim de tudo: de uma era, de um fenómeno, de um sentimento que cresceu ao longo da década anterior, reflectindo uma convulsão social inédita – as duas imagens (Beatles 1964 vs 1970), aliás, reflectem, pelo menos em matéria de visual, bem a mudança profunda que o hemisfério ocidental percorrera em apenas meia dúzia de anos.

A esperança de que os quatro artistas de Liverpool viriam “reunificar-se” um dia, morreu definitivamente com o desaparecimento de John Lennon em 1980. Uma década antes, durante o Verão de 1970, reinavam os Beatles pela última vez nos charts internacionais com Let It Be, já publicado aqui por Luís Barata.

O Futebol nas Letras - 15

Para terminar, pelo menos por agora, esta secção, escolhi dois poemas sobre George Best (1946-2005).

«Maradona good, Pelé better, George Best!» (dito irlandês)


Retrato de George Best, acrílico de Ian Moore

LEST WE FORGET
For George Best

Remember not the tragedy, the shadows of the memory,
The sadness and the sense of waste but the one you used to be.

The majesty and trickery, the entertaining joy,
The impish smile and twinkling eyes of Belfast’s golden boy

The stardom and the skill, the quick and dancing feet
Audacious with both left and right, inventive and complete

You touched our lives with magic and gave us all a dream
You, the one we tried to be when playing for our team

A genius on the pitch, you stood above the rest
Poetry in motion, George – you were the Best.

Paul Coockson


FAREWELL OUR FRIEND

Farewell our friend, but not goodbye,
Your time has come, your soul must fly.
To dance with angels, find the sun,
But how we'll miss our special one.
He walks among us just a while,
Weaved your magic, made us smile.
Your life was so full of light and tears,
We lived it through you, through the years.
The golden days, they went so fast,
The precious times, why can't they last?
So many loved you, did you know?
We were not ready to let you go.
The stars from Heaven are only lent,
A gift from God, that's why they're sent.
We won't forget our Belfast boy,
He filled our lives with so much joy.
Your star will shine now in the sky,
Farewell our friend, but not goodbye.

Julie McClelland
(Poema lido no funeral de George Best.)

Faço minhas as palavras delas

Ay que calor! cantam as gitanas espanholas Alazan.

Lá fora - 79 : Uma capela para o rei

Uma exposição comemorativa do tricentenário da Capela Real de Versalhes, patente até 18 de Julho no Appartement de Madame de Maintenon, Palácio de Versalhes.

VÍDEO : http://www.chapelle.versailles.fr/

Também é o tempo dela...

Rod Kirkpatrick, Purple haze, Julho de 2010.

Julho é o tempo da lavanda, e na foto supra vemos a jovem Vicky Kent a apanhá-la em Chichester, West Sussex, Inglaterra. "Vista soberba, mas um cheiro intoxicante" diz a jovem.
A lavanda é realmente agradável, mas assim deve ser overdose...
( A partir de uma notícia no site do Daily Telegraph )

Frutas - 18

Dado que o dia hoje está de..., aqui ficam uns quantos...


George Lance - Natureza morta


Josef Seboth - A still life with a song bird and fruit in a crystal tazza
Col. particular


William Duffield - Still life with mixed fruit; a rug with landscape beyond
Óleo sobre tela, 1855


Eloise Harriet Stannard (1829-1915) - Grapes, peaches, plums and pineapple with a carafe of red wine
Óleo sobre tela, 1872
Norwich, Crome Gallery


Vincent Cole - Still life with pineapple
Óleo sobre tela, ca 1890
Washington, Maryhill Museum of Art


Levi Wells Prentice (1851-1935) - Still life with pineapple and basket of currants, 1892


Jean Metzinger (1883-1956) - Nature morte à l'ananas, 1925


Henri Matisse (1869-1954) - Nature morte: ananas, citrons
Óleo sobre tela, 1925http://www.christies.com/Lotfinder/lot_details.aspx?intObjectID=4807479


Bernard Buffet (1928-1999) - Nature morte au melon et à l'ananas
Óleo sobre tela, 1989

Eu sou o amor

Parece que hoje será... esperemos que seja!

Poemas - 11

Ferdinando Scianna(1943-), Jorge Luís Borges em Selinunte, Sicília, 1984.




A UM VELHO POETA

Caminhas pelo campo de Castela

E quase o não vês. Um intrincado

Versículo de João é teu cuidado

E apenas reparaste na amarela



Luz do ocaso. A vaga luz delira

E no confim do leste se dilata

Essa lua de escárnio e de escarlata

Que é porventura o espelho da Ira.



Ergues os olhos para ela. Uma

Memória de algo que foi teu começa

E se apaga. A pálida cabeça



Baixas e segues caminhando triste,

Sem recordar o verso que escreveste:

Seu epitáfio a sangrenta lua.



Jorge Luís Borges,
O Fazedor, 2ªed, trad. de Miguel Tamen, Difel, 1984, p.85.

Citações - 100

Gabriel Metsu, Homem escrevendo uma carta, 1662-65, óleo sobre tela, 53x40cm, National Gallery of Ireland, Dublin.


Litera scripta manet

A centésima é velhinha e de autor desconhecido. Mas verdadeira, qualquer que seja o meio usado. Até este, fundado na fibra óptica.

Bom dia!

Um clássico da soul, na bela voz de Otis Redding.

Gravado no tempo - 1


Joseph Nicéphore Niépce nasceu em 7 de Março de 1765 em Chalon-sur-Saône, França e morreu em 5 de Julho de 1833. Começou as suas experiências de fixação de imagens em 1793, simplesmente por não ter jeito para o desenho e querer reter as que o impressionavam. Só em 1824 conseguiu, por um processo complexo, obter imagens que não se apagavam. Demorou oito horas a fixar a imagem e a esse processo chamou heliografia. A mais antiga que se conserva data de 1826 e é considerada a primeira fotografia.

«Catarina de Bragança – Uma Portuguesa no Reino de Inglaterra»


Exposição no Paço dos Duques de Bragança
Guimarães

Julho


Gravura de Robert Furber (1674-1756)

«Em Julho, ao quinto dia verás que mês terás.»

Jessye Norman - "Dido & Aeneas", Purcell

A belíssima interpretação de Jessye Norman no papel de Dido, na ópera:"Dido & Aeneas" de Henri Purcell

III acto: When I Am Laid In Earth

O que é a beleza ? Uma nova aptidão para nos dar prazer.
Stendhal

domingo, 4 de julho de 2010

A obra de Dietrich Fischer-Dieskau


Um dos mais recentes lançamentos discográficos da EMI é dedicado à obra de Dietrich Fischer-Dieskau. Integrada na série "Great recordings of the century", a colectânea de onze CDs reúne os registos chave da carreira deste barítono alemão que, desde os anos 5o, definiu significativamente o género artístico do Lied. O repertório deste compêndio inclui os ciclos de Lied de Schubert, Schumann, Brahms, Wolf e Mahler. A Gerald Moore, pianista predilecto de Fischer-Dieskau, juntam-se outros génios de piano, como Richter ou Barenboim, que acompanharam o cantor ao longo das últimas décadas.

Dietrich Fischer-Dieskau completou 85 anos no passado dia 28 de Maio.

Hoje é dia delas...


Michael Goldberg (1924-2007) - Sardines, 1955
National Museum of American Art, Smithsonian Institution

WHY I AM NOT A PAINTER

I am not a painter, I am a poet.
Why? I think I would rather be
a painter, but I am not. Well,

for instance, Mike Goldberg
is starting a painting. I drop in.
"Sit down and have a drink" he
says. I drink; we drink. I look
up. "You have SARDINES in it."
"Yes, it needed something there."
"Oh." I go and the days go by
and I drop in again. The painting
is going on, and I go, and the days
go by. I drop in. The painting is
finished. "Where's SARDINES?"
All that's left is just
letters, "It was too much," Mike says.

But me? One day I am thinking of
a color: orange. I write a line
about orange. Pretty soon it is a
whole page of words, not lines.
Then another page. There should be
so much more, not of orange, of
words, of how terrible orange is
and life. Days go by. It is even in
prose, I am a real poet. My poem
is finished and I haven't mentioned
orange yet. It's twelve poems, I call
it ORANGES. And one day in a gallery
I see Mike's painting, called SARDINES.

1971
Frank O'Hara (1926-1966)

O Futebol nas Letras - 14

A MÃO DE QUEM?

Uma das imagens mais recorrentes do futebol nos últimos vinte anos tem sido a da "mão de Deus", a que Diego Maradona recorreu para ilustrar um dos golos que marcou à Inglaterra no Mundial do México, em 1996. Graças ao providencial soco do controverso argentino na bola, a sua equipa chegou à final e acabou por ganhar o título mundial – e, se bem nos lembramos, já tinha havido, nos campos portugueses, uma mão de Vata que se revelou providencial em certa vitória do Benfica.
Cultivando hábitos menos arreigados de atribuição da responsabilidade das cambalhotas do destino à intervenção divina, ainda nenhum francês atribuiu o gesto irreflectido de Abel Xavier a um qualquer humor omnipotente. Ainda assim, e mesmo que não queiram agradecer a Deus a sorte que lhes calou, ficaria muito bem aos gauleses uma palavra de gratidão e reconhecimento para com o defesa-direito português; e, já agora, um "muito obrigado" ao árbitro auxiliar com olho de águia que conseguiu ver sozinho aquilo que a maioria de nós só observou após várias repetições em câmara lenta.
Portugal-França, 2000
Abel Xavier está, de resto, condenado a ser o homem de quem se fala no rescaldo do Portugal-França que nos afastou do sonho (irreal?) de uma presença na final do Campeonato da Europa. E se não tivesse falhado a cabeçada com que correspondeu a um cruzamento de Figo? E se não tivesse mexido com a mão para defender a bola? E se, dois minutos antes, João Pinto tivesse sido desviado por um providencial sopro que atirasse a bola para dentro da baliza? E se nos limitássemos a avaliar a actuação irrepreensível do lateral-direito que não teria precisado do penteado extravagante para dar nas vistas?
Penso que o disse já numa destas crónicas, mas os verdadeiros apreciadores do futebol sabem que a modalidade está cheia de ocorrências relativamente aleatórias – uma enorme sucessão de "ses" – sem as quais este desporto não seria o que é. Algo que se resumisse à frieza matemática do xadrez ou à linear geometria do bilhar não arrastaria multidões apaixonadas; não provocaria alegrias extremas, nem invocaria as lágrimas dos vencidos. Ora o futebol é precisamente o campo em que os pequenos se podem fazer fortes e onde é possível vencer deslumbrando quem assiste ou dando primazia à pura mecanização, ao calculismo, à frieza e ao preparo físico.
Selecção Nacional de Futebol, 2000
Se olharmos para o que Portugal fez neste Europeu, facilmente se concluirá que "a nossa selecção" foi muito mais longe do que nos seria permitido esperar se o futebol fosse uma simples equação. Sonos um país pequeno, pobre, com poucos recursos, periférico e com baixos índices de produtividade, mas a equipa de Humberto esteve entre as quatro maiores da Europa, com um futebol rico e unanimemente elogiado; Nuno Gomes e Sérgio Conceição figuram entre os mais concretizadores da competição e Figo está definitivamente no centro do planeta do pontapé na bola. Conseguíssemos todos nós, em todos os sectores, fazer o mesmo que esta equipa alcançou e teríamos, por certo, muito pouco a lastimar. Viveríamos num país melhor e nem nos incomodaríamos se um qualquer suposto Deus nos viesse prejudicar, de vez em quando, com a sua perversa mão.
[Jun. 2000]
Manuel Jorge Marmelo (1971-)
In: Paixões e embirrações. Porto: Campo das Letras, 2001, p.109-110

Calor, Calor, Calor

foto Lusa/Wolfgang Kumm
De Coimbra para Sul o país acompanha a onda de calor que invade a Europa.
A Lusa anuncia que: "Bruxelas teve ontem o seu dia mais quente desde 1976, atingindo 40 graus em alguns locais da capital belga.
Em França, na zona de Bordéus, as temperaturas subiram aos 37 graus. Já na Alemanha e em Itália, muita gente se refrescou nas fontes das cidades.
"

Jardins - 3


Jean-Louis Forain (1852-1931) - Le jardin publique
Óleo sobre tela, 1884
Vendido pela Christie's de Nova Iorque em 1998

«Je passe des après-midi délicieuses dans mon jardin, regardant tout vivre autour de moi. En vieillissant, je sens que tout s'en va, et j'aime tout plus passionnément.»
Émile Zola (1840-1902)

Boa noite!


Para APS, depois de ter ouvido Mussorgsky, precisamente «O grande portão de Kiev» dos Quadros de uma Exposição, no Arpose.

In Memoriam - Rainha Santa Isabel, Alfredo Marceneiro

Comemoração da rainha Santa Isabel de Aragão, rainha de Portugal que faleceu a 4 de Julho de 1336 em Estremoz.

Fado Rainha Santa, Alfredo Marceneiro.



Não sabes Tricana linda
Porque chora quando canta
O rouxinol no choupal
É porque ele chora ainda
P´la Rainha mais Santa
Das Santas de Portugal

Rainha, que mais reinou
Nos corações da pobreza
Que no faustoso paço
Milagreira portuguesa
Que no seu alvo regaço
Pão em rosas transformou

E as lindas rosas geradas
Por um milagre fremente
Que a Santa Rainha fez
Viverão acarinhadas
Com amor eternamente
No coração português

Santa Isabel, se algum dia
Seu nome de eras famosas
Fosse esquecido afinal,
Outro milagre faria
De nunca mais haver rosas
Nos jardins de Portugal.

Poema Henrique Rêgo

Isabel de Aragão, Rainha de Portugal- Retábulo.

Isabel de Aragão filha de D. Pere III, de Aragão, e de D. Constança, de Navarra, tornou-se rainha de Portugal ao casar-se com D.Dinis, em 1282 (1). D. Isabel de Aragão nasceu c. 1269(?) e faleceu a 4 de Julho de 1336, em Estremoz, tendo sido trasladada para Coimbra. Foi canonizada em 1626 pelo Papa Urbano VIII.

O milagre das rosas sobejamente conhecido foi originalmente atribuído à sua tia-avó, Santa Isabel da Hungria. Provavelmente por corrupção da lenda original e pelo facto de as duas rainhas possuírem o mesmo nome e a mesma bondade ele faz parte da nossa memória colectiva e foi largamente difundido nas artes e nas letras.
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xPormenor do retábulo do Milagre da Rainha Santa Isabel
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Autor desconhecido, Século XVI [1540-50,], Óleo sobre madeira de carvalho,36 x 29 cmMuseu Nacional de Machado de Castro, Coimbra

"Este pequeno retábulo, considerado o primeiro ex-voto português, foi encomendado por um professor universitário, como forma de agradecer o auxílio da Rainha Santa na cura da paralisia de que padecia uma sua sobrinha, freira da comunidade monástica de Celas.
Nele se representa Santa Isabel com as rosas e o milagre propriamente dito, bem como a sua acção de amparo aos mais desprotegidos. Em plano de fundo, descobre-se uma vista geral de Coimbra renascentista, com destaque para o Paço Real e o Mosteiro de Santa Clara".
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(1)Retirado da História de Portugal de A. H. Oliveira Marques, Vol I, Lisboa:Palas Editores, 1976 (6ª edição)

(2) Retirado do site do Museu Nacional Machado de Castro

O meu Requiem predilecto em memória da Rainha Santa Isabel.