Perguntem ao Carlos Queiroz- disse ontem no final do jogo o capitão da selecção portuguesa Cristiano Ronaldo. Declaração infeliz de quem também podia/devia ter feito muito melhor. Já se sabe que o jovem Cristiano não tem o dom da palavra, nem precisa se calhar com as prodigiosas pernas que tem, mas às vezes é preferível o silêncio.Prosimetron
quarta-feira, 30 de junho de 2010
E calaram-se as vuvuzelas...
Perguntem ao Carlos Queiroz- disse ontem no final do jogo o capitão da selecção portuguesa Cristiano Ronaldo. Declaração infeliz de quem também podia/devia ter feito muito melhor. Já se sabe que o jovem Cristiano não tem o dom da palavra, nem precisa se calhar com as prodigiosas pernas que tem, mas às vezes é preferível o silêncio.1977 : Billy Joel
Citações - 98

O endividamento é o nosso crónico problema de desenvolvimento. Basta dizer que só há sete anos acabámos de amortizar empréstimos feitos ainda no século XIX.
Diogo Leite de Campos, em entrevista à Visão.
Não é extraordinário este facto desconhecido, assim o creio, pela esmagadora maioria dos portugueses? Há meros sete anos acabámos de amortizar empréstimos feitos no século XIX!!!
Um eléctrico chamado Desejo

Tennessee Williams foi tão atento ao quotidiano e os seus escritos são tão ricos de pormenores que são sempre actuais.
Por vezes olhamos e não vemos.
Esta noite de calor deitei-me no fresco a re-re-re-rever "Um Eléctrico chamado Desejo". E encontrei tantas, tantas, semelhanças entre Blanche DuBois e algumas das pessoas que se cruzam com os meus dias. Tentam entrar nas nossas vidas como "piolho pela costura"...
Onde pára Artur Jorge?
destino que há no mar!
terça-feira, 29 de junho de 2010
Era a noite mais quente deste verão...
O Futebol nas Letras - 9

SOMOS TODOS RUI COSTA

Que a verdadeira equipa de Madrid é o Real Madrid e as outras são impostoras prova-o o facto de que alguns adeptos do Barca a odeiam a ponto de preferir perder se também perde o Madrid em vez de ganhar se também ganha o seu particular Inominável. Por isso, suponho, viveram tantos anos instalados na derrota, sua verdadeira meta e aquilo que lhes permite pôr em prática a sua maior inclinação: a Queixa. Tanto eles como os seguidores das outras equipas tentam justificar-se pensando que ao odiar o Madrid odeiam a Franco e a todos os governos (bom, a todos menos ao da Generalitat catalã). Mas do mesmo modo que a cidade é muito mais impenetrável do que parece e as interpretações que dela fazem os forasteiros são sempre turísticas e vulgares (com Galdõs, o canário à cabeça), qualquer madrileno sabe que a equipa de Chamartín é, de todos os nossos clubes, a menos direitista, tanto no passado como no presente. O Madrid foi monárquico, mas – mais ou menos como o diplomata Areilza – razoavelmente civilizado, razoavelmente cortês. Hoje é presidido por um homem que foi acusado de pertencer ao KGB (recordo a primeira página que lhe dedicou Cambio 16: «O homem de Moscovo», suponho que Ramóm Mendoza a terá mandado emoldurar), coisa de que se não pode gabar, nem que seja só pelo seu lado aventuroso, nenhum outro presidente de clube. Não nos faltaram jogadores activistas, como Miguel Angel e Del Bosque, para citar dois não muito afastados. E esta época Valdano outorga-nos um esquerdismo que muito se agradece. E se há ultras com bandeiras pré-constitucionais no campo e outras coisas, temo que isso não seja culpa do Madrid, como também não é culpa de Quevedo que Francisco Umbral seja fanático da sua obra: uma pessoa nunca é responsável pelos amores infelizes que inspira.
Tudo isto vem à colação para explicar que, apesar da má e falsa fama, se tornasse adepto do Madrid uma criança de seis anos, nascida em Chamberí, cujo pai saiu maltratado da guerra (incluindo a prisão), e que além disso andava num colégio liberal, o único misto que existia nessa altura, fora os liceus estrangeiros. Não era um caso isolado: nesse colégio de filhos de perdedores bélicos e políticos (havia sobrinhas de Garcia Lorca e netos de Ortega, e também de perseguidos anónimos), a maioria das crianças era já do Real Madrid e, ao contrário, o único padre, o draculiano professor de Religião, castigava invariavelmente toda a turma às segundas-feiras se o Atleti tivesse perdido.
O responsável máximo por aquele entusiasmo chamava-se, não restam dúvidas, Di Stéfano. Mas havia mais qualquer coisa: o Madrid não era matreiro nem tinha medo, e possuía dramatismo. Parecem coisas triviais, mas na cidade da infância tudo o resto era malandrice, e tentava inspirar medo, e era mais sórdido que dramático. O Madrid era um oásis como o cinema aos sábados. É por isso que nós, seus incondicionais, somos capazes de aguentar as derrotas mas não uma equipa que se pareça com as outras ou seja mecânica ou albergue temores, porque nestas alturas da vida as traições não se suportam. Da nossa vida e da vida mais longa do Real Madrid.
1994
Javier Marías
In: Selvagens e sentimentais / trad. Salvato Telles de Menezes. Lisboa. Dom Quixote, 2002, p. 19-20
[És como uma terra...]
que nunca ninguém disse.
Não esperas nada
a não ser a palavra
que jorrará do fundo
como um fruto entre os ramos.
Um vento vem ter contigo.
Coisas mortas e secas
abafam-te e vão no vento.
Membros e palavras antigas.
No Verão tremes.
29 de Outubro de 1945
Cesare Pavese
In: Trabalhar cansa. Lisboa: Cotovia, 1998, p. 319
Depois de ter ouvido um poema de Cesare Pavese, maravilhosamente dito por Vittorio Gassman, no Arpose.
Frutas - 16
Ainda Caravaggio e S. Paulo
Esta encontra-se na Capela Cerasi, na Igreja de Santa Maria del Popolo, em Roma.
E aqui fica a outra versão da conversão de Saulo (Paulo) na Estrada de Damasco.
S. Paulo
Esta conversão, pintada por Caravaggio, em madeira, 1600-1601, visando a Capela Cerasi, na Igreja de Santa Maria del Popolo, em Roma, encontra-se em posse da família Odescalchi, em Roma, sendo um dos quadro de Caravaggio menos visto. Felizmente estava na Exposição, em Roma.
S. Pedro!
Um quadro por dia - 67
Caravaggio, Martírio de São Pedro, 1601, óleo sobre tela, Santa Maria del Popolo, Roma.Este dia de São Pedro e S.Paulo é uma festa solene do calendário cristão, embora a tradição popular, desde logo no nosso país, assinale exclusivamente o primeiro, terceiro dos santos populares.
Bom dia!
Saint-Exupéry, de novo

«Se queres compreender a palavra 'felicidade', indispensável se torna entendê-la como recompensa e não como fim.»
«Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.»
Para o Jad, fraternalmente.
Pintor Hungaro - Csontváry Kosztka
O retrato do velho pescador impressionou-me por causa do semblante carregado. O sol e as vicissitudes da vida do homem do mar transparecem no pincel do pintor. O inestético provoca repulsa e atracção.
Não há nevoeiro...
In memoriam - Saint-Exupéry!
Antoine Saint-Exupéry(Citador)
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Castel Gandolfo



2 Jun. 2010
Não me importava de dar hoje um passeio por Castel Gandolfo, à beira do Lago Albano.
Esta é uma das maravilhosas vistas que o Papa tem da sua residência.
O Futebol nas Letras - 8
A bola não é a inimiga
como o touro, numa corrida;
e, embora seja um utensílio
caseiro e que se usa sem risco,
não é o utensílio impessoal,
sempre manso, de gesto usual:
é um utensílio semivivo,
de reações próprias como bicho
e que, como bicho, é mister
(mais que bicho, como mulher)
usar com malícia e atenção
dando aos pés astúcias de mão.
João Cabral de Melo Neto
Um néctar dos deuses...
Ontem bebi este vinho, que nem sequer conhecia, a acompanhar umas sobremesas deliciosas, uma das quais uma encharcada. E espantosamente este vinho adocicado vai muito bem com doces. Fui alertada pelo "escansão" de serviço que, ao beber-se com um doce, o vinho perdia o adocicado. Verdade! Espantoso!

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiHzD-O6qJsQVsqnZIHQ2L649RtoUudOywKH2I1rQTZdQF_Qlz6MZwMC-332c7FLBE_ZKmsAwLv7NIM6B29jqY85MDSwTOXkTcflVewqHh7VSrCEis02Z_hASz4536rvoQHhVR16Ii5wDM/s1600-h/Encharcada.jpg
Tudo estava delicioso, mas referi o vinho porque não o conhecia e fiquei fã.
Obrigada, HMJ e APS!
D. Carlos, fotógrafo amador
De Agustina - 10
"Spring" - Frances Macdonald!

Notas retiradas da wikipédia.
Meditações
" Nunca discutas con un imbécil, te hará descender a su nivel y alli te ganará por experiencia."
Lytton Strachey (1880-1932)

Vanessa Bell (1879-1961) - Lytton Strachey, 1911
London, Anthony d'Offay Gallery
«Discretion is not the better part of biography. »

Dora Carrington (1893-1932) - Lytton Strachey
Óleo sobre tela, 1916
Londres, National Portrait Gallery
«The history of the Victorian Age will never be written: we know too much about it. »
Afirmações do autor de Queen Victoria e Eminent victorians.

Ed. 1918

Ed. 1921
De Lytton Strachey só li, há anos (quando o meu inglês era melhor do que está hoje), a biografia de Florence Nightingale, inserida em Eminent victorians, de que gostei bastante.
domingo, 27 de junho de 2010
Citações - 97
Um quadro por dia - 66
Salvador Dalí, La miel es mas dulce que la sangre, 1928.Porque tenho estado a ler sobre as várias vidas de uma das musas de Dalí, Amanda Lear (Peki d' Oslo?-alguma vez o saberemos?), grande vedeta durante a minha infância e adolescência, e hoje requisitada apresentadora de televisão em vários países europeus. E ainda vai cantando de quando em vez.
Um ano depois
O Futebol nas Letras - 7

Pousei a mala dentro do carro e mandei seguir para a morada. O motorista do táxi, na amável e hospitaleira tradição dos motoristas de táxi de Lisboa, olhou para trás, não disse nem boa noite, nem bom dia, nem coisa nenhuma, rosnou da proximidade do destino […] e arrancou aos solavancos. Depois, ligou o rádio. Atravessei a cidade a ouvir um relato de futebol.
Se há uma coisa que não posso ouvir aos domingos é um relato de futebol. Um relato de futebol é uma cacofonia que associa a melancolias e atrasos de vida de um país onde nunca acontece nada. Passear numa rua de Alfama por um domingo à tarde e apreciar o silêncio das pedras até escutar de repente, ao virar da esquina, junto ao canto dos pintassilgos e canários na gaiola, a voz nasalada e entaramelada de puerilidades do homem que relata. Passar em frente a um estádio em dia de desafio e observar as filas e filas de carros estacionados ao sol ou à chuva, com as penélopes a fazer malha ou crochet, com a mantinha nos joelhos, suportando o frio e o calor e a estalada do marido quando o clube não corre ao jeito. Passar ao largo de uma claque, bando de fúrias e euforias com os gorros às riscas e os cachecóis ao vento, a gritar esganados por um vencedor ou um vencido.
No futebol, tudo são perplexidades. […]
Clara Ferreira Alves
In: A pluma caprichosa. Lisboa: Dom Quixote, 2001, p. 365

















