Prosimetron

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sábado, 17 de janeiro de 2009

Os meus poemas -32

LETREIRO

Tudo o que sou o sou por obra e graça
da comoção rural que está comigo.
Foi a virtude lírica da Raça
a herança que eu herdei do sangue antigo.

Foi esta voz que em minhas veias passa
e atrás da qual maravilhado eu sigo.
Como um licor de encanto numa taça,
assim se quer esse condão comigo.

Olhai-me: Eu vim de honrados lavradores.
De avós a netos, sempre os meu Maiores
fitaram o horizonte que hoje eu fito.

"O que estaria além da curva estreita?"
- E da pergunta, a cada instante feita,
nasceu em mim a ânsia p'ra o Infinito.

António Sardinha
(1888 -1925)

1 comentário:

Anónimo disse...

O soneto do António Sardinha é lindo. Especialmente, os três últimos versos, permita-me que os transcreva.

"O que estaria além da curva estreita?"
- E da pergunta, a cada instante feita,
nasceu em mim a ânsia p'ra o Infinito."
A.R.