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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Bairro Alto - 497 anos

O Bairro Alto fez ontem 497 anos. Para assinalar a data, foi realizado o primeiro passeio por aquela zona da capital dando a conhecer algumas das suas histórias. Tudo começou no dia 15 de Dezembro daquele ano quando uma família rica galega, os Andrade, obteve autorização para um loteamento privado que viria a dar origem ao primeiro bairro concebido fora da muralha da cidade. A primeira rua aberta no BA foi a Rua do Norte. A Rua das Gáveas foi assim chamada por ser ali que habitavam os gáveas - homens que subiam aos mastros dos navios para fazer a vigia. Mais a norte, na Travessa da Queimada, seria o ponto de encontro de todos os homens do mar e onde estes faziam fogueiras ou queimadas para se aquecerem. Existe também a teoria de que ali viveria uma fidalga: a dona Ana Queimada. Outra referência às lides marítimas volta a aparecer na Rua das Salgadeiras. O local seria, no séc. XVI, a zona onde se salgava o peixe para depois ser vendido. Mas o nome desta rua também pode estar ligado a uma espécie de erva, a salgadeira, cujas raízes faziam com que o terreno nãs se desfizesse com tanta facilidade. A Rua do Diário de Notícias foi em tempos a Rua dos Calafates, os homens que vedavam os navios para que pudessem ir para o mar, sendo os marinheiros mais bem pagos, com direito a um criado. Na Travessa da Água-Flor, terá vivido um afamado fabricante ou vendedor daquele perfume e foi onde teve lugar o episódio que deu origem ao "conto do vigário". Ali vivia o padre Manuel Vicente (séc. XIX), que depois de ter sido embebedado foi convencido a vender a sua casa por 7500 réis. A história correu os jornais da época, que utilizaram como manchete a frase "O conto do vigário". Com longa tradição noctívaga, o BA teve na Travessa da Espera o local preferido dos boémios para se encontrarem. Mas o bairro foi também uma zona desejada por ter "bom ar", o que ajudava os moradores a fugirem à peste (a Grande Peste de Lisboa dizimou no séc. XVI um terço da população da capital).

2 comentários:

MR disse...

Não sabia a origem da expressão «O conto do vigário».

ana disse...

Interessante!:)