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terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Barão / Visconde

Quando Joaquim José de Azevedo foi agraciado com o título de Barão de Rio Seco ao mesmo tempo que Francisco Bento Maria Targini o foi com o título de Visconde de São Lourenço, o povo homenageou-os com a seguinte quadra:

Quem furta pouco é ladrão. 
Quem furta muito é barão. 
Quem mais furta e esconde
Passa de barão a visconde.


Eu só conhecia o dito de Almeida Garrett: «Foge ladrão que te fazem barão! Para onde, se me fazem visconde?» 
Garrett, um dos tipos que eu mais admiro do nosso século XIX, não começou como barão, mas acabou visconde. 😉 

domingo, 1 de outubro de 2017

Marcadores de livros - 836

Estão a começar as comemorações do bicentenário da Revolução de 1820. Este ano evoca-se a conspiração de 1817, que pretendia derrubar o governo do marechal Beresford. Os conspiradores foram enforcados em 18 de outubro de 1817: Gomes Freire junto ao Forte de São Julião da Barra (Oeiras) e os seus companheiros no Campo de Santana (Lisboa) que, em 1880, passou a chamar-se Campo dos Mártires da Pátria.

Postal e marcador de Manuel Fernandes Tomás, gravura de C. Legrand, 1841 
O marcador tem dois reversos diferentes.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Marcadores de livros - 610

Marcador magnético do Panteão Nacional, em sua embalagem.

«Bem nasce em todos os climas a semente da liberdade; mas desde que lhe germinam as folhas seminais, há-de haver um Washington que a monde, e ampare, ou os espinhos são tantos logo, tantos os cardos e abrolhos, que a afogam.»
Almeida Garrett

Marcador recortado à direita.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Marcadores de livros - 477

«Seis folhas caídas de Lisboa lidas nas suas árvores» por Miguel Torga, Almeida Garrett, Almada Negreiros, Fernando Pessoa, José Gomes Ferreira e Eça de Queirós.

No Dia da Natureza.

domingo, 29 de junho de 2014

Almeida Garrett - Camões

Editado por uma livraria que já não existe: a Livraria Barateira
Camões poemas em 10 cantos. 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Hino ao Sol

Hino ao Sol, nesta manhã de Primavera, com um passeio pelo campo. Só a Natureza é perfeita. 

A primeira papoila

Bela, agreste e sem nome porque desconheço.

O orvalho da manhã

Dente-de-leão


(...) sítios amenos e deleitosos em que as plantas, o ar, a situação, tudo está numa harmonia suavíssima e perfeita: não há ali nada grandioso nem sublime, mas há uma como simetria de cores, de tons, de disposição em tudo quanto se vê e se sente, que não parece senão que a paz, a saúde, o sossego do espírito e o repouso do coração devem viver ali, reinar ali um reinado de amor e benevolência.

Almeida Garret, As Viagens na Minha Terra, cap. 10, em pdf.

domingo, 2 de setembro de 2012

Para o café


«Mando-te pela Emília dois bolos celestes que me deram. São de Santarém. E eu não os podia comer se soubera que os não provas tu, querida filha da minha alma.»
Almeida Garrett - Carta à filha

No seguimento do post do Luís. 


Biografias e afins : Almeida Garrett


" Em 105 cartas ao irmão Alexandre José e à filha Maria Adelaide, o escritor Almeida Garrett revela-nos as conexões entre o homem público e o homem de família, tendo como pano de fundo a conturbada política liberal da primeira metade de Novecentos. " ( Imprensa Nacional-Casa da Moeda )

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

As minhas Asas - Almeida Garrett

Almeida Garrett, Litografia, 1846, [BN E. 4472 P.]


AS MINHAS ASAS

Eu tinha umas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Que, em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.

— Eram brancas, brancas, brancas,
Como as do anjo que mas deu:
Eu inocente como elas,
Por isso voava ao céu.
Veio a cobiça da terra,
Vinha para me tentar;
Por seus montes de tesouros
Minhas asas não quis dar.
— Veio a ambição, co' as grandezas,
Vinham para mas cortar,
Davam-me poder e glória;
Por nenhum preço as quis dar.

Porque as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.

Mas uma noite sem lua
Que eu contemplava as estrelas,
E já suspenso da terra,
Ia voar para elas,
— Deixei descair os olhos
Do céu alto e das estrelas...
Vi entre a névoa da terra,
Outra luz mais bela que elas.

E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Para a terra me pesavam,
Já não erguiam ao céu.
Cegou-me essa luz funesta
De enfeitiçados amores...
Fatal amor, negra hora
Foi aquela hora de dores!

— Tudo perdi nessa hora
Que provei nos seus amores
O doce fel do deleite,
O acre prazer das dores.

E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Pena a pena me caíram...
Nunca mais voei aos céus.

Almeida Garrett

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Coisas do céu ...12.

No limiar do céu


V

O ANJO CAÍDO


Era um anjo de Deus
Que se perdera dos Céus
E terra a terra voava.
A seta que lhe acertava
Partira de arco traidor,
Porque as penas que levava
Não eram penas de amor.


O anjo caiu ferido,
E se viu aos pés rendido
do tirano caçador.
De asa morta e sem 'splendor
O triste, peregrinando
Por estes vales de dor,
Andou gemendo e chorando.


Vi-o eu, o anjo dos Céus,
O abandonado de Deus
Vi-o, nessa tropelia
Que o mundo chama alegria,
Vi-o a taça do prazer
Pôr ao lábio que tremia...
E só lágrimas beber.


Ninguém mais na Terra o via,
Era eu só que o conhecia...
Eu que já não posso amar!
Quem no havia de salvar?
Eu, que numa sepultura
Me fora vivo enterrar?
Loucura! ai, cega loucura!
Mas entre os anjos dos Céus


Faltava um anjo ao seu Deus;
E remi-lo e resgatá-lo
Daquela infâmia salvá-lo
Só força do amor podia.
Quem desse amor há-de amá-lo,
Se ninguém o conhecia?


Eu só. - E eu morto, eu descrido,
Eu tive o arrojo atrevido
De amar um anjo sem luz.
Cravei-a eu nessa cruz
Minha alma que renascia,
Que toda em sua alma pus.
E o meu ser se dividia,


Porque ela outra alma não tinha,
Outra alma senão a minha...
Tarde, ai!, tarde o conheci,
Porque eu o meu ser perdi,
E elle à vida não volveu...
Mas da morte que eu morri
Também o infeliz morreu.


Almeida Garret, Folhas Caídas, Lisboa: Publicações Europa-América, 1997, p. 25-26

domingo, 30 de agosto de 2009

Rosa e Lírio!

Almeida Garret, escultutra de António Pinheiro

Rosa e Lírio
x
A rosa
É formosa;
Bem sei.
Porque lhe chamam - flor
D'amor
Não sei
xx
A flor,
Bem de amor
É o lírio;
Tem mel no aroma - dor
Na cor
O lírio.
x
Se o cheiro
É fagueiro
Na rosa;
Se é beleza - mor
Primor
A rosa,
x
No lírio
O martírio
Que é meu
Pintado vejo: - cor
E ardor
É o meu.
x
A rosa
É formosa,
Bem sei...
E será de outros flor
D'amor...
Não sei.
xx
Almeida Garret, Folhas Caídas e Outros Poemas, Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1970 (Introdução, selecção e notas de António José Saraiva), p. 66-67.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

«O campeão da liberdade, o patriarca da regeneração portuguesa»


Estátua de Manuel Fernandes Tomás,
na Praça 8 de Maio (ou Praça Nova), na Figeira da Foz.

«E quem choramos nós: quem lamentam os portugueses? um cidadão extremado; um homem único; um benemérito da Pátria, um libertador dum povo escravo: Manuel Fernandes Tomás. Que nome, senhores, que nome nos fastos da liberdade! que pregão às idades futuras! que brado às gerações que hão-de vir! Este nome será só por si a história de muitos séculos, este nome encerra em compêndio milhões de males arredados de um grande povo: bens incontáveis acarretados sobre ele.
[…]
«Como homem, honrou a natureza: como cidadão, a Pátria que o diga: eu falarei por ela. […]
«Raiou o grande dia 24 de Agosto, o primeiro da liberdade portuguesa; infantigável não descansou desde então: havia entrado na arena, não voltava sem ter prostrado o grande inimigo com quem travara: este inimigo vós o conheceis, e bem mal que todos os conhecemos! era o despotismo: aterrou-o, venceu-o. Portugal tornou a ver as suas cortes, e a nação teve quem o representasse: toda a Europa admirou com respeito um congresso ilustrado, e no meio dele o campeão da liberdade, o patriarca da regeneração portuguesa: vede-o como alça denodado o trovão da sua voz enérgica para fulminar antigos abusos, e destruir arraigados vícios: a sua eloquência despida de pompas não respira senão verdade: severa, e descarnada só põe mira na utilidade comum, e no bem da Pátria: vem-lhe do coração franco aos lábios sinceros, por natural impulso de indefeso zelo: no estirado curso de comprida legislatura sempre o mesmo, sempre incansável, debalde a moléstia lhe abate as forças; o ânimo é sempre igual; nem há poder que o mingúe, nem doença que o desfalque.
«[…] Manuel Fernandes Tomás morreu: derramemos lágrimas de gratidão e de saudade: este é o verdadeiro elogio fúnebre dos grandes homens; estas lágrimas são as honras do seu funeral, são as pompas do seu enterramento: elas terão lugar na história, elas serão o epitáfio eloquente que mostrará aos vindouros o jazigo das suas cinzas gloriosas: molhai com essas lágrimas a pena da verdade, e escrevei-lhe sobre a lápide sepulcral – “Aqui jaz o libertador dos Portugueses: salvou a Pátria, e morreu pobre”.»
Almeida Garrett
In: Oração fúnebre de Manuel Fernandes Tomás, lida a 27 de Novembro de 1822 em sessão extraordinária da Sociedade Literária Patriótica.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Garrett na cozinha e na cultura 1!

No âmbito da Semana Gastronómica de Coimbra: "Cozinha de Escritores" :
xx
Almeida Garret, João Baptista da Silva Leitão



Estás quase doutor, meu caro amigo
E em consequência sabichão profundo
Em breve a rubra flutuante borla
Te brilhará na fronte e há-de trazer-te
Pelo menos o jus a deputado
......................................................................

Ficas doutor, que é tudo neste mundo
E enquanto o grande dia do Capelo
Coroado de sorvetes, e de botelhas,
De fiambres, e ovos moles se não chega
Co' a mocetona patuscada ao lado;
Vai debicando, palitando os dentes
Co esse continho, verdadeira história,
E não da carochinha, ou flos sanctorum

In, introdução aos "Contos", dedicada a Joaquim Larcher.
x
Paulino Mota Tavares, Almeida Garrett, Viagens na Cozinha Portuguesa, Sintra: Colares Editora, sd, p. 48

domingo, 21 de junho de 2009

Keil e Garrett

Ontem, na Biblioteca Nacional de Portugal (BnPortugal) houve o encontro com dois clássicos portugueses. O Coro do Teatro Nacional de São Carlos, dirigido pelo Maestro Anton Tremmel e acompanhado pelo pianista Kodo Yamagishi, interpretou "Ah! soggiorno beato" da ópera D. Branca (1888). Aqui fica o registo pedindo desculpa pela fraca qualidade do som e da imagem (uso um telemóvel fraquinho)...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Poesia e Amor: Almeida Garrett. 2

OLHOS NEGROS

Por teus olhos negros, negros
Trago eu negro o coração,
De tanto pedir-lhe amores...
E eles a dizer que não.

E mais não quero outros olhos,
Negros, negros como são;
Que os azuis dão muita esp'rança,
Mas fiar-me eu neles, não.

Só negros, negros os quero;
Que em lhes chegando a paixão,
Se um dia disserem sim...
Nunca mais dizem que não.

Almeida Garrett, Folhas Caídas e Outros Poemas, Lisboa: Livraria Clássica, 1970, p. 35