Prosimetron

Prosimetron

terça-feira, 29 de junho de 2010

Era a noite mais quente deste verão...


Nocturno


[...]
Era a mão de ninguém no meu cabelo.
Era a noite mais quente deste verão.

Era no gira-discos, o Martírio
de São Sebastião, de Debussy... .
Era, na jarra, de repente, um lírio!
Era a certeza de ficar sem ti.
[...]

David Mourão Ferreira

O Futebol nas Letras - 9



SOMOS TODOS RUI COSTA
Quem nos dera. A dura realidade é que só o Rui Costa é o Rui Costa, por mais surpreendente que isso seja.Quando eu era pequeno sentia uma animosidade muito grande em relação aos meus pais. Todos os miúdos, em certo momento da infância, sentem animosidade em relação aos progenitores. Ou porque eles os amam de menos, ou porque os amam de mais… Enfim, é difícil agradar aos putos. Eu estava melindrado com os meus porque o meu pai não era oriental e a minha mãe não era africana. Eles garantiram-me que não estava nas mãos deles deixarem de ser caucasianos e eu, estúpido, acreditei. O meu sonho era ser o Shéu. Ter dois pais europeus tornava as coisas bastante mais difíceis. Já para não falar na minha falta de talento para o jogo, que também não era nada negligenciável. O Shéu, não sei se se lembram, era um tigre de pantufas. No terceiro anel, não se ouvia o homem a pisar a relva. Para dizer a verdade, no terceiro anel não se ouvia ninguém a pisar a relva, sobretudo quando aquele consócio bêbado ia para lá gritar. Mas os passos do Shéu, parece que se ouviam ainda menos. E eu queria ser o Shéu. Notem: não queria ser como o Shéu. Queria ser o Shéu. O adepto está-se borrifando para a sua individualidade. No meu caso era facílimo, porque a minha individualidade era bem pouco interessante. Se ainda hoje é o que se vê, imaginem isto com seis ou sete anos. Mas qualquer adepto entregaria de bom grado a própria alma, embrulhadinha e tudo, ao demónio, para se metamorfosear no ídolo.Nos últimos dez anos, todos os benfiquistas quiseram ser o Rui Costa. Eu ainda quero. Se outros já acordaram transformados em baratas, ninguém me convence de que é impossível acordar transformado no maestro. O Rui Costa é um adepto igual aos da bancada, mas com talento proporcional ao benfiquismo. Ali a jogar, é mais do que ele. Somos nós. É exactamente aquilo que nós queríamos ser. E ele joga precisamente como um adepto jogaria: com a cabeça levantada. No fundo, ele quer é ver o jogo, não é olhar para a bola. O Rui Costa só sabe que as bolas vão mudando de modelo pelos anúncios da televisão. O maestro não olha para a bola desde os juvenis. Não precisa. A bola é que está com atenção ao que ele faz.Quando, esta semana, o Rui Costa fez o que costuma fazer, toda a gente se lembrou de Joe Berardo. Eu próprio pensei que o pobre comendador daria metade da fortuna para poder retirar o que tinha dito. Se tivesse juízo, aliás, dar-ma-ia a mim. Mas não. No fim do jogo com o Copenhaga, o comendador disse que tinha feito bem em espicaçar o Rui. Pois, pois. Se o Berardo insultar a equipa toda, somos campeões da Europa vinte anos seguidos. «Quim, fuck you! Luisão, fuck you! David Luís, fuck you!» E por aí fora, até ao ponta-de-lança. Anda o Mourinho a perder tempo com modelos tácticos, quando, afinal, basta ser malcriado.Na verdade, e com pena minha, não basta. Se insultos melhorassem o desempenho no estádio, o árbitro era sempre o melhor em campo.No futebol, ganhar é como escovar os dentes: é mais fácil se houver pasta. Ora aqui está um aforismo que o professor Jesualdo andou a rondar mas não foi capaz de exprimir como deve ser. Fica para a próxima.
Ricardo Araújo Pereira
In: A Bola, Lisboa, 19 Ago. 2007



OÁSIS
Que a verdadeira equipa de Madrid é o Real Madrid e as outras são impostoras prova-o o facto de que alguns adeptos do Barca a odeiam a ponto de preferir perder se também perde o Madrid em vez de ganhar se também ganha o seu particular Inominável. Por isso, suponho, viveram tantos anos instalados na derrota, sua verdadeira meta e aquilo que lhes permite pôr em prática a sua maior inclinação: a Queixa. Tanto eles como os seguidores das outras equipas tentam justificar-se pensando que ao odiar o Madrid odeiam a Franco e a todos os governos (bom, a todos menos ao da Generalitat catalã). Mas do mesmo modo que a cidade é muito mais impenetrável do que parece e as interpretações que dela fazem os forasteiros são sempre turísticas e vulgares (com Galdõs, o canário à cabeça), qualquer madrileno sabe que a equipa de Chamartín é, de todos os nossos clubes, a menos direitista, tanto no passado como no presente. O Madrid foi monárquico, mas – mais ou menos como o diplomata Areilza – razoavelmente civilizado, razoavelmente cortês. Hoje é presidido por um homem que foi acusado de pertencer ao KGB (recordo a primeira página que lhe dedicou Cambio 16: «O homem de Moscovo», suponho que Ramóm Mendoza a terá mandado emoldurar), coisa de que se não pode gabar, nem que seja só pelo seu lado aventuroso, nenhum outro presidente de clube. Não nos faltaram jogadores activistas, como Miguel Angel e Del Bosque, para citar dois não muito afastados. E esta época Valdano outorga-nos um esquerdismo que muito se agradece. E se há ultras com bandeiras pré-constitucionais no campo e outras coisas, temo que isso não seja culpa do Madrid, como também não é culpa de Quevedo que Francisco Umbral seja fanático da sua obra: uma pessoa nunca é responsável pelos amores infelizes que inspira.
Tudo isto vem à colação para explicar que, apesar da má e falsa fama, se tornasse adepto do Madrid uma criança de seis anos, nascida em Chamberí, cujo pai saiu maltratado da guerra (incluindo a prisão), e que além disso andava num colégio liberal, o único misto que existia nessa altura, fora os liceus estrangeiros. Não era um caso isolado: nesse colégio de filhos de perdedores bélicos e políticos (havia sobrinhas de Garcia Lorca e netos de Ortega, e também de perseguidos anónimos), a maioria das crianças era já do Real Madrid e, ao contrário, o único padre, o draculiano professor de Religião, castigava invariavelmente toda a turma às segundas-feiras se o Atleti tivesse perdido.
O responsável máximo por aquele entusiasmo chamava-se, não restam dúvidas, Di Stéfano. Mas havia mais qualquer coisa: o Madrid não era matreiro nem tinha medo, e possuía dramatismo. Parecem coisas triviais, mas na cidade da infância tudo o resto era malandrice, e tentava inspirar medo, e era mais sórdido que dramático. O Madrid era um oásis como o cinema aos sábados. É por isso que nós, seus incondicionais, somos capazes de aguentar as derrotas mas não uma equipa que se pareça com as outras ou seja mecânica ou albergue temores, porque nestas alturas da vida as traições não se suportam. Da nossa vida e da vida mais longa do Real Madrid.
1994
Javier Marías
In: Selvagens e sentimentais / trad. Salvato Telles de Menezes. Lisboa. Dom Quixote, 2002, p. 19-20

Força, Portugal!

[És como uma terra...]

És como uma terra
que nunca ninguém disse.
Não esperas nada
a não ser a palavra
que jorrará do fundo
como um fruto entre os ramos.
Um vento vem ter contigo.
Coisas mortas e secas
abafam-te e vão no vento.
Membros e palavras antigas.
No Verão tremes.

29 de Outubro de 1945

Cesare Pavese
In: Trabalhar cansa. Lisboa: Cotovia, 1998, p. 319

Depois de ter ouvido um poema de Cesare Pavese, maravilhosamente dito por Vittorio Gassman, no Arpose.

Frutas - 16


Adolphe Monticelli (1824-1886) - Nature morte au pichet blanc
Óleo sobre madeira, ca 1878
Paris, Musée d'Orsay

Faz hoje 124 anos que faleceu Adolphe Monticelli.

Ainda Caravaggio e S. Paulo

Caravaggio, 1600-01

Esta encontra-se na Capela Cerasi, na Igreja de Santa Maria del Popolo, em Roma.

E aqui fica a outra versão da conversão de Saulo (Paulo) na Estrada de Damasco.

S. Paulo

E hoje também é dia de S. Paulo, aqui recordado com o quadro "rejeitado" de Caravaggio.


Esta conversão, pintada por Caravaggio, em madeira, 1600-1601, visando a Capela Cerasi, na Igreja de Santa Maria del Popolo, em Roma, encontra-se em posse da família Odescalchi, em Roma, sendo um dos quadro de Caravaggio menos visto. Felizmente estava na Exposição, em Roma.


S. Pedro!

Para lembrar S. Pedro e o feriado de Roma. Ah que saudades do quarto virado para a Cúpula de S. Pedro, que saudades do eremitismo... pelas ruas de Roma.

Cúpula da Basílica de S. Pedro, Vaticano, Roma


"Trono" de S. Pedro, Basílica de S. Pedro, Vaticano, Roma


Um quadro por dia - 67

Caravaggio, Martírio de São Pedro, 1601, óleo sobre tela, Santa Maria del Popolo, Roma.


Este dia de São Pedro e S.Paulo é uma festa solene do calendário cristão, embora a tradição popular, desde logo no nosso país, assinale exclusivamente o primeiro, terceiro dos santos populares.
Dia que lembra o martírio dos dois santos, quando Roma ainda estava longe de ser convertida e se tornar a sede do Cristianismo.
Escolhi a visão de Caravaggio, mais interessante do que a de outros mestres que pintaram o mesmo episódio, desde logo pelo seu realismo e pelo pormenor da ocultação das faces dos romanos que prendem Pedro à cruz. De cabeça para baixo, de acordo com a tradição, pois não era digno de ser crucificado tal como Cristo o havia sido.
Episódio que me lembra sempre um livro lido na juventude: Quo vadis?

Bom dia!



Vila d'Este, 8 Jun. 2010

«Foi o tempo que perdi com a minha rosa que a fez tão importante.»
Saint-Exupéry (O Principezinho)

Mais uma vez, para o Jad.

Saint-Exupéry, de novo

Apesar de a Ana já ter assinalado esta data, vi agora como o nascimento de Saint-Exupéry foi realçado pelo Google, pelo que aqui fica:


com duas máximas de sua autoria:

«Se queres compreender a palavra 'felicidade', indispensável se torna entendê-la como recompensa e não como fim.»

«Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.»

Para o Jad, fraternalmente.

Pintor Hungaro - Csontváry Kosztka

Csontváry Kosztka nasceu em 1853, em Kisszeben, Hungria.
Gostei da luz deste auto-retrato.
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Csontváry Kosztka (1853-1919), Auto-retrato.


Old fischerman


O retrato do velho pescador impressionou-me por causa do semblante carregado. O sol e as vicissitudes da vida do homem do mar transparecem no pincel do pintor. O inestético provoca repulsa e atracção.

Não há nevoeiro...

«Nevoeiro de S. Pedro, põe em Julho o vinho a medo. »

In memoriam - Saint-Exupéry!

Antoine de Saint-Exupéry nasceu a 29 de Junho de 1900.
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O Principezinho é um filme de Stanley Donan realizado em 1974. Conta com os seguintes actores: Richard Kiley, Bob Fosse, Gene Wilder, Donna McKechnie, Joss Ackland e Victor Spinetti. É encantador.


A inteligência apenas vale ao serviço do amor.

Há vitórias que exaltam, outras que corrompem; derrotas que matam, outras que despertam.

Antoine Saint-Exupéry(Citador)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Boa noite!


Shostakovich - «Romance», de The Gadfly Suite

Jantar numa Fraschetta



Em Ariccia. Uma carne de porco assada, maravilhosa,

acompanhada por este espumante tinto. :)

Castel Gandolfo




2 Jun. 2010
Não me importava de dar hoje um passeio por Castel Gandolfo, à beira do Lago Albano.
Esta é uma das maravilhosas vistas que o Papa tem da sua residência.

O Futebol nas Letras - 8

O futebol brasileiro evocado da Europa

A bola não é a inimiga
como o touro, numa corrida;
e, embora seja um utensílio
caseiro e que se usa sem risco,
não é o utensílio impessoal,
sempre manso, de gesto usual:
é um utensílio semivivo,
de reações próprias como bicho
e que, como bicho, é mister
(mais que bicho, como mulher)
usar com malícia e atenção
dando aos pés astúcias de mão.

João Cabral de Melo Neto

Sinatra pela tarde

That's life, escrita para ele.

Em português - 9

Ao Longe O Mar, dos Madredeus. Que é feito de Teresa Salgueiro?

Um néctar dos deuses...

«O vinho* tem o poder de encher a alma de toda a verdade, de todo o saber e filosofia.» (Bossuet)
Ontem bebi este vinho, que nem sequer conhecia, a acompanhar umas sobremesas deliciosas, uma das quais uma encharcada. E espantosamente este vinho adocicado vai muito bem com doces. Fui alertada pelo "escansão" de serviço que, ao beber-se com um doce, o vinho perdia o adocicado. Verdade! Espantoso!
*Algum vinho.


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiHzD-O6qJsQVsqnZIHQ2L649RtoUudOywKH2I1rQTZdQF_Qlz6MZwMC-332c7FLBE_ZKmsAwLv7NIM6B29jqY85MDSwTOXkTcflVewqHh7VSrCEis02Z_hASz4536rvoQHhVR16Ii5wDM/s1600-h/Encharcada.jpg
Tudo estava delicioso, mas referi o vinho porque não o conhecia e fiquei fã.
Obrigada, HMJ e APS!

D. Carlos, fotógrafo amador

Para que o Luís, para o João e não só...


Vila Viçosa tem mais uma razão para ser visitada (se fosse preciso criar razões para a visitar)... é que tem até ao mês de Setembro uma exposição temporária dedicada ao tema «D. Carlos, fotógrafo amador».
Aqui fica uma das fotos: Pesca de Atum

De Agustina - 10

Fernando Botero, Homem bebendo sumo de laranja, óleo sobre tela.



Todo o homem é um niilista erótico. A mulher que ele mais ama é aquela que não o estorva e até que não está presente.

Agustina Bessa-Luís

"Spring" - Frances Macdonald!

Frances Macdonald (1873-1921),"Spring",(watercolour)

watercolour on linen 83.0 x 124.0
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Frances Macdonald nasceu na Escócia, em Wolverhampton. Mudou-se com a família para Glasgow e ingressou na Glasgow School of Arts. Ali conheceu o arquitecto Mackintosch e o artista Herbert MacNair com quem casou.
A irmã, Margaret Macdonald, também pintora casou com Mackintosch. Os quatro formaram um grupo de trabalho que ficou conhecido como "The Four" da "Glasgow School". Como gosto muito de Arte Nova adorei esta aguarela.
A borboleta em flor envolve as duas mulheres, espelho uma da outra.

Notas retiradas da wikipédia.

Meditações

Mandaram-me esta frase, em castelhano:
" Nunca discutas con un imbécil, te hará descender a su nivel y alli te ganará por experiencia."

Lytton Strachey (1880-1932)


Vanessa Bell (1879-1961) - Lytton Strachey, 1911
London, Anthony d'Offay Gallery

«Discretion is not the better part of biography. »


Dora Carrington (1893-1932) - Lytton Strachey
Óleo sobre tela, 1916
Londres, National Portrait Gallery

«The history of the Victorian Age will never be written: we know too much about it. »
Afirmações do autor de Queen Victoria e Eminent victorians.

Ed. 1918

Ed. 1921
De Lytton Strachey só li, há anos (quando o meu inglês era melhor do que está hoje), a biografia de Florence Nightingale, inserida em Eminent victorians, de que gostei bastante.

Flores...

Rododendros em flor




Rhododendron from the Greek: ροδον, rodon, meaning "rose", and δενδρον, dendron, meaning "tree"

Ella para dormir bem

domingo, 27 de junho de 2010

Citações - 97


We must leave before the dream ends.
Oscar Wilde
Às vezes é o melhor. Sair antes que a ilusão se desvaneça.

Um quadro por dia - 66

Salvador Dalí, La miel es mas dulce que la sangre, 1928.


Porque tenho estado a ler sobre as várias vidas de uma das musas de Dalí, Amanda Lear (Peki d' Oslo?-alguma vez o saberemos?), grande vedeta durante a minha infância e adolescência, e hoje requisitada apresentadora de televisão em vários países europeus. E ainda vai cantando de quando em vez.

Um ano depois

Passou um ano, e ele continua a vender astronomicamente. Esta belíssima One day in your life é de meados dos anos 70, quando já se tinha a certeza absoluta que ele era o mais talentoso membro da família Jackson.

«Quem espera sempre alcança»


E também como dizia Napoleão: «Nas vitórias é merecido, nas derrotas é necessário.»

Para HMJ e APS


Odilon Redon (1840-1916)
Anémonas num jarro

O Futebol nas Letras - 7


O FUTEBOL
Pousei a mala dentro do carro e mandei seguir para a morada. O motorista do táxi, na amável e hospitaleira tradição dos motoristas de táxi de Lisboa, olhou para trás, não disse nem boa noite, nem bom dia, nem coisa nenhuma, rosnou da proximidade do destino […] e arrancou aos solavancos. Depois, ligou o rádio. Atravessei a cidade a ouvir um relato de futebol.
Se há uma coisa que não posso ouvir aos domingos é um relato de futebol. Um relato de futebol é uma cacofonia que associa a melancolias e atrasos de vida de um país onde nunca acontece nada. Passear numa rua de Alfama por um domingo à tarde e apreciar o silêncio das pedras até escutar de repente, ao virar da esquina, junto ao canto dos pintassilgos e canários na gaiola, a voz nasalada e entaramelada de puerilidades do homem que relata. Passar em frente a um estádio em dia de desafio e observar as filas e filas de carros estacionados ao sol ou à chuva, com as penélopes a fazer malha ou crochet, com a mantinha nos joelhos, suportando o frio e o calor e a estalada do marido quando o clube não corre ao jeito. Passar ao largo de uma claque, bando de fúrias e euforias com os gorros às riscas e os cachecóis ao vento, a gritar esganados por um vencedor ou um vencido.
No futebol, tudo são perplexidades. […]
Clara Ferreira Alves
In: A pluma caprichosa. Lisboa: Dom Quixote, 2001, p. 365

Amanhã na Casa da Achada

ULTIMA SESSÃO DO CICLO FILMES PROIBIDOS ANTES DO 25 DE ABRIL COM A PROJECÇÃO DE FLORES DE PAPEL

Filmes proibidos antes do 25 de Abril

Amanhã, segunda-feira, dia 27 de Junho, mostramos o filme Flores de Papel (1959, 148 min.) do realizador indiano Guru Dutt. A projecção é às 21:30h e tem a apresentação de Manuel Mozos. Termina assim este ciclo iniciado no mês de Abril, que contou com a projecção de, entre outros, As vinhas da ira, Os Carabineiros, Outubro, Terra em transe e Dr. Strangelove.

EM JULHO COMEÇA O CICLO CINEMA AO AR LIVRE NO LARGO DA ACHADA

cartaz cinema ao ar livre

Os ciclos de cinema da Casa da Achada continuam todas as segundas-feiras, mas fora de portas, no Largo da Achada, de Julho a Setembro. É o ciclo Assim começaram 13 grandes realizadores. Pode consultar aqui a programação.

TAMBÉM, NA SEGUNDA FEIRA, JOÃO PAULO ESTEVES DA SILVA TERMINA A LEITURA DO CAPÍTULO «NOS UMBRAIS DA SOLIDÃO» DE A PALETA E O MUNDO

Ciclo A Paleta e o Mundo

A leitura de A Paleta e o Mundo de Mário Dionísio é, como acontece habitualmente, às 18:30h.

As sessões de leitura desta obra de Mário Dionísio são sempre às segundas-feiras. O próximo capítulo é: «Um prato com maças ou a virgindade do mundo».

Vi ontem esta citação


Retrato de Galileu, por Justus Sustermans, 1636

«O vinho é composto de humor líquido e luz.»

As flores fazem-nos sorrir.

As flores fazem-nos sorrir. Bom domingo!
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Pablo Picasso, Jacqueline com flores, 1954

Óeo sobre tela, Colecção Jacqueline Picasso

Camões, Lampreia e Alfama

Giovanni Bellini, A jovem no toucador


Ontem, alguém contava, com admiração, que no Capítulo da Confraria da Lampreia tinha assistido a uma maravilhosa conferência. O conferencista, um ilustre membro das Academias, citou, perante todos, "um documento encontrado na Biblioteca Nacional" com o qual tinha identificado que Camões, comia a famosa lampreia, em Alfama, sendo o ciclóstomo servido pela sua amante, numa taberna ou algo semelhante. Só não consegui que a sua memória indicasse, com precisão, se tinham sido indicados a rua e o número... mas que era em Alfama e servida pela amante de Camões, não tinha qualquer dúvida!
Tenho que voltar a ler A Vida Ignorada de Camões ou «A Vida Ignoradíssima de Camões»... (ainda não foi escrita? desculpem!)
O quadro, com a representação do duplo espelho (o que permite ver o que não se consegue...), encontra-se em Wien (Viena, Áustria), no Kunsthistorisches Museum.
Uma imagem para uma "lampreia", que me desculpe quem não gosta de lampreias...

Early Sunday Morning


Edward Hopper - Early Sunday Morning
Óleo sobre tela, 1930
Nova Iorque, Whitney Museum of American Art

Autoria: Grace Pullen

Navegações IV

Goa

NAVEGAÇÔES IV

Dolce color d'oriental zaffiro
Dante - Purg. Canto I - 7-5

Aqui viu surgir em flor das ilhas
Quem vindo pelo mar desceu ao sul
E o cabo contornou para nascente
Orientando o cortar das negras quilhas

E sob as altas nuvens brancas liras
Os olhos viram verdadeiramente
O doce azul de Oriente e de safiras
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1977
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Sofia de Mello Breyner Andresen, Mar, Lisboa: Caminho, 2002, p. 59.