Prosimetron

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Vitorino Nemésio, poeta


 

Tenho uma Saudade tão Braba

Tenho uma saudade tão braba
Da ilha onde já não moro,
Que em velho só bebo a baba
Do pouco pranto que choro.

Os meus parentes, com dó,
Bem que me querem levar,
Mas talvez que nem meu pó
Mereça a Deus lá ficar.

Enfim, só Nosso Senhor
Há-de decidir se posso
Morrer lá com esta dor,
A meio de um Padre Nosso.

Quando se diz «Seja feita»
Eu sentirei na garganta
A mão da Morte, direita
A este peito, que ainda canta.

Vitorino Nemésio,


 in "Caderno de Caligraphia e outros Poemas a Marga"
Morreu em 20 de Fevereiro de 1978

Música na Academia das Ciências


Papéis recortados chineses

Hoje começa o signo Peixes, de modo que resolvi colocar alguns papéis recortados chineses com esses bichinhos representados. Estes papéis servem para decorar as janelas e as portas por altura do ano novo.

Para HMJ e Luís Barata.

Humor pela manhã


Bom dia !

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Boa noite!

Recordações de uma viagem - 2

Prédios modernos
Do mais longe ao mais perto, pormenores de uma mesma paisagem...







mas na rua ao lado o que resta...


Recordações de uma viagem - 1


No primeiro dia de chegada a Macau: não foi o objecto mais estranho que esperava ver, porque já o tinha visto das outras vezes. Mas para quem nunca esteve em Macau, talvez seja. Depois disto só um chão formado por barras de ouro puro.


Novas ferramentas para a busca da perfeição





Tentar mostrar ao mundo a melhor imagem de si mesmo é um pouco como se dedicar a um trabalho: você desenvolve habilidades, escolhe melhor as palavras e aparências que vai usar e obtém satisfação quando vê que seu produto teve sucesso. O produto, no caso, é você mesma. Vender-se como um objeto é uma espécie de busca pela perfeição. Mas ela pode te levar para longe do que você é, e para longe da felicidade e das relações honestas. Faz-se muito isso na internet, ainda que a rede não seja a responsável pela busca da perfeição – apenas oferece novas ferramentas para isso.

-Tom Chatfield, autor do livro Como viver na era digital

Belezas de outros tempos



Para a História


"Pela primeira vez em quase 180 anos, os restos mortais de Dom Pedro I, o primeiro imperador brasileiro, foram exumados para estudos. Também foram abertas as urnas funerárias das duas mulheres de Dom Pedro I: as imperatrizes Dona Leopoldina e Dona Amélia. Os corpos estavam no Parque da Independência, na zona sul da capital, desde 1972.
Os exames – realizados em sigilo entre fevereiro e setembro de 2012 pela historiadora e arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel, com o apoio da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) – revelam fatos desconhecidos sobre a família imperial brasileira, agora comprovados pela ciência, e compõem um retrato jamais visto dos personagens históricos.
Agora se sabe que o imperador tinha quatro costelas fraturadas do lado esquerdo, o que praticamente inutilizou um de seus pulmões – fato que pode ter agravado a tuberculose que o matou, aos 36 anos, em 1834. Os ferimentos constatados foram resultado de dois acidentes a cavalo (queda e quebra de carruagem), ambos no Rio, em 1823 e em 1829.
Ao realizar o inventário do caixão de Dom Pedro, nova surpresa: não havia nenhuma comenda ou insígnia brasileira entre as cinco medalhas encontradas em seu esqueleto. O primeiro imperador do Brasil foi enterrado como general português, vestido com botas de cavalaria, medalha que reproduzia a constituição de Portugal e galões com formato da coroa do país ibérico. A única referência ao período em que governou o Brasil está na tampa de chumbo de um de seus caixões (ele estava dentro de três urnas), na qual foi gravado “Primeiro Imperador do Brasil” ao lado de “Rei de Portugal e Algarves”...
No caso da segunda mulher de Dom Pedro I, Dona Amélia de Leuchtenberg, a descoberta mais surpreendente veio antes ainda de que fosse levada ao hospital: ao abrir o caixão, a arqueóloga descobriu que a imperatriz está mumificada, fato que até hoje era desconhecido em sua biografia. O corpo da imperatriz, embora enegrecido, está preservado, inclusive cabelos, unhas e cílios. Entre as mãos de pele intacta, ela segura um crucifixo de madeira e metal.
O estudo também desmente a versão histórica – já próxima da categoria de “lenda” – de que a primeira mulher, Dona Leopoldina, teria caído ou sido derrubada por Dom Pedro de uma escada no palácio da Quinta da Boa Vista, então residência da família real. Segundo a versão, propalada por historiadores como Paulo Setúbal, ela teria fraturado o fêmur. Nas análises no Instituto de Radiologia da USP, porém, não foi constatada nenhuma fratura nos ossos da imperatriz."

Notícia de 18 de Fevereiro de 2013
jornal "Estado de S. Paulo"

Tapeçarias de Dom Robert

A arrumar postais encontrei estes três de tapeçarias de Dom Robert. Comprei-os em França. Terá sido em Saint-Germain-en-Laye? Já não me lembro. Não conhecia este monge beneditino que se dedicou a pintar cartões para tapeçarias. Podem saber mais sobre ele em: http://www.domrobert.com/
La chasse aus papillons 
L'automne 
Roméo

Caixas de tabaco - 3

Três latas de tabaco para cachimbo

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Arrumando postais - 3

Este postal foi-me dado em Paris, em 2010. Reproduz um cartaz do filme La Route Enchantée (1938), de Pierre Caron, com Charles Trenet.

Boa noite!

Pintores e pinturas - 4




 
Graça Morais, nasceu em 17 de Março de 1948, em Vieiro, Trás-os-Montes. Depois de viver em Moçambique, regressa à terra natal e em 1961 faz os cenários para o "Auto da Alma" de Gil Vicente, no Liceu Nacional de Bragança, que frequentava. Em 1966 ingressa na Escola Suprior de Belas Artes do Porto, onde em 1971 termina o Curso  de Pintura. Lecciona Educação Visual em Guimarães onde, em 1974 expõe pela primeira vez no Museu Alberto de Sampaio. Vai para Paris com uma bolsa da Fundação Gulbenkian e expõe em 1978 no Centro Cultural Português.
O seu percurso continua com a pintura e desenhos, a participação em várias exposições e com a elaboração de painéis de azulejos e cenários para o Teatro Experimental de Cascais e Teatro Nacional D. Maria II.
 
 
 
 
Sophia e o Anjo, 1987
 
Ilustradora, faz desenhos para obras de poetas e escritores, como Sophia de Mello Breyner Andresen, José Saramago, Manuel António Pina, António Alçada Baptista, Pedro Támen e Nuno Júdice, entre outros.  Na azulejaria, tem obras no  Edifício sede da Caixa Geral de Depósitos (em Lisboa), na Estação de Bielo-Rússia do Metropolitano de Moscovo, na estação de comboios do Fogueteiro (Seixal) e na Estação de Metropolitano da Amadora – Falagueira.
 
A idade do Medo, 2011
 
 Está também presente no Mercado Municipal de Bragança, na Biblioteca Municipal de Carrazeda de Ansiães, na Caixa de Crédito Agrícola de Bragança, no Teatro Municipal de Bragança e no Centro de Astro Física e Planetário do Porto.
Destacam-se ainda os painéis em azulejo no Viaduto de Rinchoa/Rio de Mouro e na Central Hidroeléctrica de Vilar de Frades (Vieira do Minho).
 
Sombras do Medo, 2012
 
 
Está representada com tapeçarias executadas pela Manufactura de Tapeçarias de Portalegre na Assembleia da República, Câmara Municipal de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa, Montepio Geral – Lisboa, Fundação Mário Soares (Lisboa) e colecções particulares.
 
Lamento da gaivota à mãe de Vasco da Gama, 2005
 
Tem trabalhos seus nas colecções de Assembleia da República, Millennium BCP; Banco Espírito Santo, Banco Português de Negócios, C.A.M. – Fundação Calouste Gulbenkian,Culturgest, Caixa Geral de Depósitos, Ministério da Cultura – Fundação de Serralves, Ministério das Finanças, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil e Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, Bragança.
Foi condecorada com o Grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República, D. Jorge Sampaio, em 1997.

 

A 13.ª Emenda à Constituição dos EUA

Vem isto a propósito do filme de Spielberg sobre Lincoln, cuja trama se centra nos últimos quatro meses de vida do Presidente e nos seus esforços para aprovar a 13.ª Emenda, a primeira emenda à Constituição dos EUA. Aprovada pela Câmara dos Representantes em 31 de janeiro de 1865 (menos de três meses mais tarde, Lincoln seria assassinado), está assim redigida:
Secção 1: «Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado.»
Secção 2: «O Congresso terá competência para fazer executar este artigo por meio das leis necessárias.»
Gostei bastante do filme e muitíssimo da criação que Daniel Day-Lewis faz da figura de Lincoln, bem como de Sally Field no papel de Mary Todd e de Tommy Lee Jones no de Thaddeus Stevens, um republicano radical que toda a sua vida política lutou contra a escravatura.
Interessante também ver como se posicionavam então os partidos Republicano e Democrático face à escravatura e aos negros. E em que Estados tinham influência.

Ao ver o filme de Spielberg lembrei-me do filme que John Ford dirigiu em 1939, Young Mr. Lincoln, com Henry Fonda, que já vi várias vezes. Lincoln é um dos meus heróis de juventude, que permaneceu até hoje, o que não aconteceu a todos.

Leituras no Metro - 121

Lisboa: Fim de Século, 2007

O livro sobre as ligações entre Moisés Amzalak (1892-1978), que presidiu à Comunidade Israelita de Lisboa durante 50 anos, e o regime nazi. Sempre soube que este homem tinha sido um apoiante do regime salazarista, mas fiquei estupefacta com as relações que ele teve com o regime nazi, chegando mesmo a ser condecorado pela Cruz Vermelha Alemã, medalha que nunca devolveu.
Economista e professor do ISCEF (actual ISEG), Moisés Amzalak foi ainda proprietário e responsável, com João Pereira da Rosa, pelo jornal O Século nos anos 30 do século passado, altura em que o matutino, como o livro documenta muito bem, é um veículo da propaganda nazi em Portugal. Para mim, leitora e 'folheadora' de jornais, foi uma revelação espantosa.
Num dos capítulos finais, os autores escrevem sobre a militância de judeus em movimentos nazis e fascistas na Europa: Alemanha, Áustria, Hungria, Itália e França. Entre os exemplos concretos que apresentam, está o do banqueiro Louis Rotschild e do «rei das munições» Fritz Mandl, que subvencionavam generosamente a milícia fascista do anti-semita Ernst Rüdiger von Starhemberg. No campo oposto, e num outro capítulo, encontramos judeus a lutarem ao lado dos republicanos na Guerra Civil Espanhola.
Um livro muito interessante e bem documentado.

Humor pela manhã


Bom dia !

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Boa noite!

Ennio Morricone é o autor da banda sonora do filme Giordano Bruno, dirigido por Giulano Montaldo em 1973, protagonizado por Gian Maria Volontè e Charlotte Rampling.
Giordano Bruno foi queimado, pela Inquisição, em 17 de fevereiro de 1600, no Campo de Fiori, em Roma, onde uma estátua do filósofo a assinala o facto.
O monumento, da autoria de Ettore Ferrari, foi erguido em 1889 pela Maçonaria italiana.

http://prenestinolabicano.blogspot.pt/2010/05/campo-de-fiori.html
Ettore Ferrari, o autor do monumento, foi, além de escultor e professor, deputado no Parlamento italiano e grão-mestre do Grande Oriente  de Itália.

E depois do Carnaval...


Stepan (Stenka) Razin entrou na História da Rússia como um dos principais heróis contra a opressão. Das quatro grandes revoltas que ocorreram entre 1600 e 1800, Razin liderou a luta dos Cossacos em Volgogrado (na época Zarizyn) em 1670. Seu exército de 7000 homens tentava combater o domínio dos latifundiários locais, próximos do poder central de Moscovo. A revolta fracassou, e Razin foi esquartejado às portas do Kremlin.
A música russa dedicou-lhe canções populares que expressam o terror, o sentimento de coragem e o espírito de rebeldia em torno desta figura lendária, também alcunhada Robin dos Bosques russo. Já no século XX, Dimitri Shostakovich compôs um poema sinfónica para baixo, coro e orquestra, intitulado "A execução de Stepan Razin".
E o que tem Razin a ver com o Carnaval? Nada, evidentemente. Não fosse um conjunto de música folk australiano, já postado neste blogue, aproveitar a melodia de uma canção russa sobre Razin e adaptá-la  aos tempos modernos dos anos 6o do século passado. Em 1965, surgiu então, com a letra de Tom Springfield, este belo e conhecido "The Carnival is over".

Duas amigas

Georgina de Albuquerque - Duas amigas, ca 1930


A amiga deixada

Antiga
cantiga
da amiga
deixada.

Musgo da piscina,
de uma água tão fina,
sobre a qual se inclina
a lua exilada.

Antiga
cantiga
da amiga
chamada.

Chegara tão perto!
Mas tinha, decerto,
seu rosto encoberto...
Cantava - mais nada.

Antiga
cantiga
da amiga
chegada.

Pérola caída na praia
da vida: primeiro, perdida
e depois — quebrada.

Antiga
cantiga
da amiga
calada.

Partiu como vinha,
leve, alta, sozinha,
- giro de andorinha
na mão da alvorada.

Antiga
cantiga
da amiga
deixada.

Cecília Meireles

Caravaggio: mais uns Jogadores de cartas

Esta tela que foi leiloada pela Sotheby's como se fosse uma cópia. Vendida por 50 000 libras vale dez milhões de libras, já que se trata de um original. A leiloeira foi processada.
Leia no Públicohttp://www.publico.pt/cultura/noticia/sothebys-processada-por-causa-de-um-caravaggio-1584728

Auto-retrato(s) - 174


Dois auto-retratos de Quentin de La Tour, que faleceu a 17 de fevereiro de 1788.

Pastel sobre papel, 1751
Amiens, Musée de Picardie 
Pastel sobre papel azul, 1776
Paris, Museu do Louvre