Porque te sentaste à minha mesa
se não eras alegria nem beleza?
Alberto Soares
In: Equilíbrio. Lisboa: Caminho, 1988
Com bastante atraso, à laia de agradecimento.
Prosimetron
segunda-feira, 12 de abril de 2010
ONDE NÃO GOSTARIA DE ESTAR

Recebi ontem este sms do meu amigo J.P.L. : " Acabei de chegar a Oakland, a bela cidade que é recordista mundial de balas disparadas por minuto na rua contra civis! Cheguei a ponderar comprar um colete à prova de bala... Vou assistir a um concerto da Alicia Keyes e não fico mais tempo do que o necessário."
Eu gosto muito da Califórnia, mas definitivamente Oakland não está nos meus planos...
Um quadro por dia - 55
PENSAMENTO(S) - 119
Quero ver
Este filme franco-belga sobre uma das mais famosas freiras da segunda metade do séc.XX é do ano passado, mas não passou pelas nossas salas. Mas já há em dvd, embora ainda não o tenha encontrado nos sítios do costume. A vida de Jeanine Deckers ( 1933-1985 ), que de simples dominicana do Convento de Waterloo na Bélgica passou a estrela internacional com uma canção inesquecível - Dominique, nique,nique- que foi um sucesso mundial. Sucesso que transformou a Soeur Sourire, como era conhecida, em estrela de um dia para o outro mas que a longo prazo não lhe trouxe grande felicidade. Ela acabou por renunciar aos votos, tentou uma carreira musical sem sucesso e acabou falida, suicidando-se, juntamente com a sua companheira de 10 anos, em 1985 com uma overdose de barbitúricos.O guião e a realização são do belga Stijn Conix, e Cécile de France tem o papel principal.
A Grande Muralha Verde
A ideia é excelente: construir uma enorme muralha verde, de 7000 kms de comprimento e 15 kms de largura, do Senegal ao Djibuti, para parar a desertificação, propiciar a agricultura e a fixação de populações que estão a fugir aos avanços do deserto.O Senegal idealizou este plano, que conta com a adesão de 11 países e o apoio da União Africana, mas a verdade é que ainda só estão plantados 525 kms de árvores, todos no Senegal...
"Reflexos na pintura"- 5!
"Reflexos" na pintura pela mão de Charles Cottet, pintor francês que nasceu em Le Puy-en-Velay, em 1865, e morreu em Paris, em 1925.

Charles Cottet, Evening Light at the Port of Camaret,1892
Oil on canvas, 74 x 110 cm, Musée D'Orsay, Paris "Rayons du soir", 1892
Oil on Canvas, 54.6 x 81.3 cm, Gallery Hermain
Naturezas mortas de Jacinto Luís
Para Miss Tolstoi, porque, em Março do ano passado, prometi-lhe colocar umas naturezas mortas deste pintor. Mais vale tarde que nunca...

Natureza morta II e IV
Estes quadros de Jacinto Luís, assim como outras naturezas mortas e vistas de Lisboa, podem ser apreciados até dia 16 de Abril, na
Galveias-Galeria de Arte
R. da Misericórdia, 83
Lisboa

Natureza morta II e IV
Estes quadros de Jacinto Luís, assim como outras naturezas mortas e vistas de Lisboa, podem ser apreciados até dia 16 de Abril, na
Galveias-Galeria de Arte
R. da Misericórdia, 83
Lisboa
Citações - 80
(...) Em Portugal, deixámos de ter símbolos e não temos modelos. O português mais influente é um jogador de futebol. O segundo mais influente é um treinador de futebol. E ponto final. Temos uma elite sofrível e uma classe política sem cultura política nem histórica ludibriada por autodidactas ou por rapazes com cursos tirados no estrangeiro que chegam a Portugal com um objectivo: enriquecer. Enriquecer à sombra do partido, do padrinho na banca e do Estado. De nós. E a justiça trata de si e dos seus privilégios. Somos um pequeno e desgraçado país.- Clara Ferreira Alves, Somos um pequeno e desgraçado país, no Expresso.

Desenho de Fraga.
«O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.»
João Guimarães Rosa (1908-1967)
(citado por José Serra, no seu discurso de candidatura à Presidência da República do Brasil, 10 Abr.)
Brel, a solidão!

Jacques Brel entrevistado por Jean Clouzet em 1964.
"É verdade que a solidão o atrai?
É. Viver só é um projecto que realizarei certamente um dia. Não se trata de um desejo de solidão absoluta, mas antes uma vontade de viver numa casa pequena perto de uma cidade onde poderei ir uma vez por semana. Quero viver retirado, mas não como eremita. Agirei desse modo para afastar um certo número de equívocos que me destroem aos poucos. Aliás, estou convencido de que actualmente estou só. Portanto, mais vale parar de uma vez com esta palhaçada que consiste em tentar desesperadamente não o estar, visto que, na realidade, estou profundamente só".
x
"É verdade que a solidão o atrai?
É. Viver só é um projecto que realizarei certamente um dia. Não se trata de um desejo de solidão absoluta, mas antes uma vontade de viver numa casa pequena perto de uma cidade onde poderei ir uma vez por semana. Quero viver retirado, mas não como eremita. Agirei desse modo para afastar um certo número de equívocos que me destroem aos poucos. Aliás, estou convencido de que actualmente estou só. Portanto, mais vale parar de uma vez com esta palhaçada que consiste em tentar desesperadamente não o estar, visto que, na realidade, estou profundamente só".
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Jacques Brel, Antologia Poética, Lisboa: Assírio & Alvim, 1997, p.43-44
domingo, 11 de abril de 2010
Vivienne Westood, uma estilita provocadora!
Lembrei-me de Vivienne Westood depois de ter sabido da morte de Malcolm MacLaren pelas notícias e pelo blog de Eduardo Pitta. Sempre achei graça a esta Senhora e aos seus vestidos extraordinariamente parecidos com os vestidos de princesas renovados numa actualidade provocante. Mas não encontrei na net um desses vestidos, encontrei sim, o último desfile dela em Milão para a moda masculina. Como adoro kilts aqui deixo um cheirinho a Escócia!

Paris Paris, Catherine Deneuve e Malcolm MacLaren
Depois de ler no blog de Eduardo Pitta deixo aqui in memoriam Malcolm MacLaren, o inventor do punk-rock que morreu no dia 8 de Abril.
vídeo retirado directamente do youtube.
vídeo retirado directamente do youtube.
Boa noite!
Depois de ter ouvido esta canção no cinema, noutra interpretação.
Quem me quiser ver contente...
Pormenor de um quadro do chamado Mestre de Flémalle,Anunciação (1415-25),
Bruxelas, Musées Royaux des Beaux-Arts.
De um deles Poemas, s.l., Leya, 2009, p. 29-30, tirei este de
Nuno Júdice
A terra do nunca
Se eu fosse para a terra do nunca,
teria tudo o que quisesse numa cama de nada:
os sonhos que ninguém teve quando
o sol se punha de manhã;
a rapariga que cantava num canteiro
de flores vivas;
a água que sabia a vinho na boca
de todos os bêbedos.
Iria de bicicleta sem ter de pedalar,
numa estrada de nuvens.
E quando chegasse ao céu, pisaria
as estrelas caídas num chão de nebulosas.
A terra do nunca é onde nunca
chegaria se eu fosse para a terra do nunca.
E é por isso que a apanho do chão,
e a meto em sacos de terra do nunca.
Um dia, quando alguém me pedir a terra do nunca,
despejarei todos os sacos à sua porta.
E a rapariga que cantava sairá da terra
com um canteiro de flores vivas.
E os bêbedos encherão os copos
com a água que sabia a vinho.
Na terra do nunca, com o sol a pôr-se
quando nasce o dia.
Nuno Júdice
A terra do nunca
Se eu fosse para a terra do nunca,
teria tudo o que quisesse numa cama de nada:
os sonhos que ninguém teve quando
o sol se punha de manhã;
a rapariga que cantava num canteiro
de flores vivas;
a água que sabia a vinho na boca
de todos os bêbedos.
Iria de bicicleta sem ter de pedalar,
numa estrada de nuvens.
E quando chegasse ao céu, pisaria
as estrelas caídas num chão de nebulosas.
A terra do nunca é onde nunca
chegaria se eu fosse para a terra do nunca.
E é por isso que a apanho do chão,
e a meto em sacos de terra do nunca.
Um dia, quando alguém me pedir a terra do nunca,
despejarei todos os sacos à sua porta.
E a rapariga que cantava sairá da terra
com um canteiro de flores vivas.
E os bêbedos encherão os copos
com a água que sabia a vinho.
Na terra do nunca, com o sol a pôr-se
quando nasce o dia.
Estado de choque
Apesar do maior relevo dado à morte do Presidente da República, a verdade é que a Polónia perdeu também o seu chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, vários ministros e diplomatas. Num acidente ocorrido num país sempre "suspeito"- a Rússia. É inaudito, pelo menos na era em que vivemos. Imagine-se se coisa semelhante ocorria por cá, com a crónica falta de elites políticas...Números - 13
400 a 500 (euros) - monografia1500 (euros ) - tese de mestrado
As palavras da Ana relativamente a Coimbra e à criação lembraram-me estes números que andava para aqui trazer há algum tempo. São estes os números correntes de compra e venda de trabalhos académicos que podemos encontrar na Internet. O "apoio" à realização de trabalhos para cadeiras de licenciatura, monografias e teses de mestrado é uma "indústria em expansão" também já no nosso país. Não é preciso procurar muito para encontrar anúncios como este: " Faço trabalhos académicos com rigor científico. Envie o tema e as regras impostas para a feitura do trabalho."
A inovação e a criatividade académicas já tiveram melhores dias... E, como seria de esperar, as universidades têm feito o possível para contrariar este estado de coisas, designadamente através do chamado anti-plagiarism software ( software anti-plágio ) que já é usado em algumas universidades portuguesas, desde logo na do Minho conforme li recentemente. Li também que um dos melhores programas informáticos do género é o Viper que escolhi para ilustrar estas linhas.
Mais uma dor de cabeça para os professores universitários...
Schubert/Brendel
Final de tarde com uma maravilha schubertiana. Este órfão de mãe, pouco apoiado pelo pai na escolha de uma vida dedicada à música e sofrendo de uma baixa auto-estima ( sofria muito pela comparação com Beethoven ) que o levou muitas vezes a procurar o consolo da bebida, não teve durante a sua curta vida ( 31 anos ) o reconhecimento que merecia. Não é de admirar, pois, a melancolia que transparece em tantas das suas imortais criações.
Um homem que passou por Coimbra e a louvou!
Coimbra é a minha cidade, é ela que me ensina, nela passaram muitos homens que louvaram a poesia. A todos que ensinam na criação.
José Régio nasceu em Vila do Conde e tirou o curso de Filologia Românica. Um poema dele retirado directamente do youtube
José Régio nasceu em Vila do Conde e tirou o curso de Filologia Românica. Um poema dele retirado directamente do youtube
pensar, é tudo!
Ontem andei a sussurrar uma música* durante o passeio de barco e durante o jantar...
Hoje acordei com um poema... Não sei onde tenho o livro (numa pilha, fora de sítio, dizem-me ao ouvido). Fui a Net e aqui fica:
Aprender a estudar
Estudar é muito importante, mas pode-se estudar de várias maneiras...
Muitas vezes estudar não é só aprender o que vem nos livros.
Estudar não é só ler nos livros que há nas escolas.
É também aprender a ser livres, sem ideias tolas.
Ler um livro é muito importante, às vezes, urgente.
Mas os livros não são o bastante para a gente ser gente.
É preciso aprender a escrever, mas também a viver, mas também a sonhar.
É preciso aprender a crescer, aprender a estudar.
Aprender a crescer quer dizer:
aprender a estudar, a conhecer os outros, a ajudar os outros, a viver com os outros.
E quem aprende a viver com os outros aprende sempre a viver bem consigo próprio.
Não merecer um castigo é estudar.
Estar contente consigo é estudar.
Aprender a terra, aprender o trigo e ter um amigo também é estudar.
Estudar também é repartir, também é saber dar o que a gente souber dividir para multiplicar.
Estudar é escrever um ditado sem ninguém nos ditar;
e se um erro nos for apontado é sabê-lo emendar.
É preciso, em vez de um tinteiro, ter uma cabeça que saiba pensar, pois, na escola da vida, primeiro está saber estudar.
Contar todas as papoilas de um trigal é a mais linda conta que se pode fazer.
Dizer apenas música, quando se ouve um pássaro, pode ser a mais bela redacção do mundo...
Estudar é muito
mas pensar, é tudo!
José Carlos Ary dos Santos
* E já agora a música que ontem andou na minha boca:
E como "...e ter um amigo também é estudar" este post é dedicado a quem me acompanhou no passeio de barco, pois obriga-me, com a sua amizade, a estudar.
Ver para crer - II

Usando o tema do post do Luís, tirado do Evangelho de João, volto ao post colocado na madrugada de Sábado (Momentos irreflectidos), ou melhor à sua ilustração.
Dois amigos já me interrogaram: olha lá, o que é que tu querias dizes quando escreveste: "este post está ilustrado com uma escultura, em ouro, que provavelmente nunca existiu; trabalho de 1510"? Mesmo que a escultura tenha sido derretida já existiu!
E eu continuo na minha... será que existiu?
AVENIDA NOVA
Adoecer, novo livro de Hélia Correia


Biografia de Elizabeth Eleanor Sedall, musa de John Everett Millais e amante de Dante Gabriel Rossetti.
«Elizabeth Sedall é uma figura com quem vivo intimamente há muito tempo», disse Hélia Correia ao JL (24 Mar. 1010), a propósito da publicação deste seu novo romance.
«Elizabeth Sedall é uma figura com quem vivo intimamente há muito tempo», disse Hélia Correia ao JL (24 Mar. 1010), a propósito da publicação deste seu novo romance.

John Evett Millais - Ofélia [Elizabeth Siddal]
Óleo sobre tela, 1851-1852
Londres, Tate Gallery
PENSAMENTO(S) - 118

Os livros constituem uma grande parte da felicidade humana.
- Frederico II, O Grande, Rei da Prússia.
Talvez já tenham sido mais para muitos, mas ainda são muito para muitos.
Lisboa: Onde se pode encontrar um bibliófilo ao domingo de manhã?

http://www.nossoskimbos.net/CalcadaPortuguesa/images/l1_MercadoRibeira01_jpg.jpg
Já agora, por Mercado da Ribeira, e no seguimento de várias conversas havidas, vejam o que se passa com os azulejos desse Mercado: aqui, para ler o artigo.
Um quadro por dia - 54
Caravaggio, - A Dúvida de São Tomé, 1601-1602, óleo sobre tela, Palácio de Sans-Souci, Potsdam, Alemanha.Porque hoje é Domingo de Pascoela, e a incredulidade de Tomé é um dos episódios bíblicos ( Evangelho de João ) mais associados a esta data. Episódio que impregnou, aliás, a cultura ocidental- "ver para crer", "sou como S.Tomé"- se bem que as palavras que Cristo dirigiu ao seu apóstolo Tomé vão noutro sentido: " Abençoados os que acreditaram sem verem"...
1970 : The Beatles
Foi a 11 de Abril de 1970 que esta fabulosa Let It Be atingiu o primeiro lugar nos tops.
Auto-retrato(s) - 49
Takeshi Kitano, - Auto-retrato com cérebro, manequim.Kitano é um verdadeiro one-man show: cineasta, actor, pintor, artista plástico, apresentador de televisão- são estas as várias actividades que desenvolve, sendo uma das personalidades artísticas mais conhecidas no Japão.
Este auto-retrato é uma das peças em exibição na exposição que lhe é dedicada na Fundação Cartier de Paris e de que já aqui falei ( vd Lá fora-73 ), e surgiu na sequência de um grave acidente de viação sofrido por Kitano em 1994, sendo que ele acabou por recusar a craniotomia que lhe era proposta pelos médicos com receio das consequências. Recuperou com sucesso, e durante a convalescença comprou um girassol e decidiu pintá-lo, seguindo-se dezenas de telas embora não se considere verdadeiramente um pintor, continuando a preferir as máquinas fantásticas, objectos insólitos e a vídeoarte.
Bilhete Postal
Encontra-se à venda, nos USA, Waterville, Ohio, este Bilhete Postal que deve fazer as delícias de alguns dos nossos prosimetronistas (preço 20 dólares)"Reflexos na pintura"- 4!
Monet e "reflexos" na pintura. Entre alguns dos seus quadros com o tema escolhi este por causa das cores, onde imperam os liláses, os azuis e os dourados rosa que numa impressão se reflectem na água.
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Claude Monet's The Studio Boat

Oil on canvas housed at the Kroller- Muller Museum in Otterlo, Netherlands
Vergílio Ferreira - uma visão da arte em "A Carta ao Futuro"!
"Toda a obra de arte é um fazer, ela comparticipa da pequena ambição de quem tem projectos para depois da morte, como comparticipa da distracção, esquecimento. Mas a arte é infinitamente maior, porque é um acto de presença nas raízes da vida. Assim a arte, meu amigo não anula a nossa condição, mas precisamente esclarece-a, até à vertigem, diante do nosso desassossego. "
Vergílio Ferreira, Carta ao Futuro, Lisboa: Bertrand, 1981, p. 77-78
Abril
O que é a poesia?
«[...] puisque la poésie est l'art de trouver à l'intérieur des sens un sens du sens, à l'intérieur de l'oreille et du son un élan du son vers autre chose que le son, à l'intérieur de la vue un élan vers un au-delà du visible.»
Jean Guitton
In: L'absurde et le mystère. Paris: Desclée de Brouwer: Flammarion, 1997, p. 25
Jean Guitton
In: L'absurde et le mystère. Paris: Desclée de Brouwer: Flammarion, 1997, p. 25
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