Prosimetron

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segunda-feira, 27 de abril de 2009

O Sonho dum Homem Ridículo. Dostoiévski

Li este conto e gostei imenso, e como toda a gente num momento ou outro é ridícula, escolhi este excerto. O Sonho dum Homem Ridículo
“Sou um homem ridículo. Agora já quase me tomam por louco. O que significaria ter ganho em consideração, se não continuasse a ser um homem ridículo. Mas eu já não me aborreço por causa disto, agora já não guardo rancor a ninguém e gosto de toda a gente, ainda que se riam de mim…sim, senhor; agora, não sei porquê, sinto por todos os meus semelhantes uma ternura especial. (…) A princípio fazia-me sofrer muito a ideia de parecer ridículo. Não de o parecer, mas de o ser. Sempre fui ridículo, e já o sabia, talvez desde que nasci. Talvez já aos sete anos me apercebesse perfeitamente de que era ridículo. Depois fui para a escola, e a seguir para a Universidade; mas …quanto mais aprendia, mais obrigado me via a reconhecer a minha condição de criatura ridícula.” Fiódor Dostoiévski, O Sonho dum Homem Ridículo, Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições, 2008, p.9-10 (tradução de Natália Nunes)

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