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D. Afonso V
O infante D. João (D. João II)54 *
Mas Afonso, do Reino único herdeiro,
Nome em armas ditoso em nossa Hespéria,
Que a soberba do bárbaro fronteira
Tornou em baixa e humílima miséria,
Fora por certo invicto cavaleiro,
Se não quisera ir ver a terra Ibéria.
Mas África dirá ser impossíbil
Poder ninguém vencer o Rei terríbil.
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Este pôde colher as maçãs de ouro,
Que somente o Tiríntio colher pôde:
Do jugo que lhe pôs, o bravo Mouro
A cerviz inda agora não sacode.
Na fronte a palma leva e o verde louro
Das vitórias do Bárbaro, que acode
A defender Alcácer, forte vila,
Tângere populoso e a dura Arzila.
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Porém elas enfim por força entradas,
Os muros abaixaram de diamante
As Portuguesas forças, costumadas
A derribarem quanto acham diante.
Maravilhas em armas estremadas,
E de escritura dinas elegante,
Fizeram cavaleiros nesta empresa,
Mais afinando a fama Portuguesa.
Luís de Camões, Os Lusíadas, canto IV, estrofes 54, 55 e 56.,
Imprensa Nacional de Lisboa, 1971.
O catálogo da exposição em língua portuguesa já estava esgotado, espero que em breve haja outra publicação.
2 comentários:
Vou agendar uma ida ao MNAA
Filipe,
Vai gostar, as tapeçarias são monumentais. Depois têm tantos pormenores que temos que prender o olhar às telas gigantes.
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