Prosimetron

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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Patronos da cidade de Lisboa versus Patronos do patriarcado de Lisboa

Hoje passei o dia na Biblioteca João Paulo II, a biblioteca da Universidade Católica. Depois de ter visto o livro que queria, fiz o que costumo fazer sempre que estou numa biblioteca. Tiro um livro aqui... outro acolá... e vou lendo e aprendendo. Assim saltou-me para as mãos um pequeno opúsculo acompanhado de um decreto de D. António, Cardeal Patriarca de Lisboa, assinado a 10 de Maio de 1981.

Transcrevo o decreto:
Elaborado o texto latino do Próprio do Patriarcado de Lisboa para a “Liturgia Horarum”, bem como a respectiva tradução portuguesa, foram ambos por Nós aprovados e enviados à Sagrada Congregação para os Sacramentos e o Culto Divino, a qual lhes concedeu a confirmação por decreto de 24 de Março de 1981 (Prot. CD 472/81).
Ordenamos que a mencionada tradução seja de imediato publicada, a fim de ser inserida, em apêndice, como texto oficial para este Patriarcado, na «Liturgia das Horas».

E a grande surpresa, para mim, surge agora:

Ofícios Próprios do Patriarcado de Lisboa
Janeiro, dia 22:
S. Vicente, Diácono e Mártir, Padroeiro principal do Patriarcado de Lisboa.
Fevereiro, dia 4:
S. João de Brito, Presbítero e Mártir, Padroeiro secundário da cidade de Lisboa.
Junho, dia 13:
Santo António de Lisboa, Presbítero e Doutor da Igreja, Padroeiro principal da cidade de Lisboa.
Outubro, dia 3:
Santos Veríssimo, Máxima e Júlia, Mártires (para a cidade de Lisboa).
Outubro, dia 13:
Dedicação da Basílica de nossa Senhora dos Mártires (para a cidade de Lisboa).
Outubro, dia 25:
Dedicação da Sé Patriarcal de Lisboa.
Outubro, dia 27:
Beato Gonçalo de Lagos, Presbítero.
Novembro, dia 6:
Beato Nuno de Santa Maria, Religioso, Padroeiro secundário do Patriarcado de Lisboa.

Fiquei assim a saber que havia dois Padroeiros para o Patriarcado de Lisboa – um dos quais, na época, ainda era beato –, e dois Padroeiros para a Cidade de Lisboa.
E confesso que neste momento nada sei sobre este Beato Gonçalo de Lagos.
cota: BUJII 264-13 PL-83


Mas já estou em busca deste livro para ficar a saber.

Museu Anjos Teixeira - 1


Descendo da Volta do Duche, a caminho do Museu.


Exterior do Museu.
Neste edifício, Pedro Anjos Teixeira instalou a sua residência e atelier,
depois de ter regressado a Sintra, em 1971.
Aqui podemos ver muitas
obras deste escultor, bem como algumas de seu pai, Artur Anjos Teixeira.



Artur Anjos Teixeira - Monumento a Camilo Castelo Branco, 1934
Maqueta para o grupo escultórico
Gesso patinado

Ao fundo: Artur Anjos Teixeira - Busto de Nini Norte
Modelo em gesso,1932

Azinhaga da Sardinha
Rio do Porto
Volta do Duche

Qual é o retratado?










Em 1507 Albrecht Dürer pintou os dois retratos um no verso do outro. Qual deles será o retrato e qual será o verso? O retrato da avareza poderá ser o retrato da usura... e o retratado ser um agiota...

Fragmentos Poéticos - 3

No Victoria and Albert Museum, Estante para Missal com Anjo em bronze


CONTEMPLAÇÃO
x
De ramo de mirto na mão se deleitava, *
ou com a bela flor da rosa, (frag 30)
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... e a sua cabeleira
os ombros e as costas banhava de sombra (frag. 31)

x
*Vários editores e críticos consideram os fragmentos 30 e 31 parte de um mesmo poema, colocando um imediatamente a seguir ao outro. Tudo leva a crer que se tecia a desonra de uma mulher.
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Arquíloco, Fragmentos Poéticos, Lisboa, Imprensa Nacional, 2008, p.78.

Nota: Agradeço a Jad e ao anónimo na correcção da legenda.

Exercício espiritual - Mário Cesariny

É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem

É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora

Mário Cesariny, Manual de prestidigitação, Lisboa: Assírio & Alvim, 1981

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

PENSAMENTO DO DIA

« Si j' avais un fils à marier; je lui dirais: " Méfie-toi de la jeune fille qui n' aime pas ni le vin, ni la truffe, ni le fromage, ni la musique." »

- Colette


Já tenho dito a várias pessoas, meio a sério, meio a brincar, que desconfio bastante de quem não gosta de beber nem de comer, nem dos outros pequenos/grandes prazeres da vida. E quando me dizem " não ligo a música " não saco da pistola para emular o Goebbels mas dou a conversa por encerrada.

Um quadro por dia - 17

- Marc Chagall, Sobre a cidade, 1914-1918, Galeria Tretyakov, Moscovo.

Esta semana os "quadros do dia " serão dedicados aos colegas aqui do blogue, e vou tentar que sejam todos russos para "homogeneizar a informação" como agora se quer.
Naturalmente, começo pelas senhoras, pelo que este Chagall é para a M.R., que é fã dele. Curiosamente, este quadro também poderia ser postado nos auto-retratos já que representa o próprio Chagall e Bella Rosenfeld, com quem o pintor tinha casado recentemente.

Outono/Inverno

Por agora, ainda não fazem falta, embora haja quem as use todo o ano...
De qualquer forma, enquanto que a nossa M.R. não nos traz uns sapatinhos Outono/Inverno, aqui fica esta luva da Agnelle, uma das mais conceituadas marcas de luvas do mundo, já que parece que vai ser um acessório muito em voga nas próximas estações.
E para os mais interessados:

- " gant en agneau clouté", 150€, Agnelle.com

Sempre a aprender - 2 : O Vinho Mariani

Descobri a existência do Vin Mariani num livro que ando a ler sobre bebidas alcoólicas e fiquei fascinado: nos finais do séc.XIX era muito popular este vinho de cocaína que " contained 6 mg of cocaine per fluid ounce of wine", e obviamente o ingrediente especial vinha da América do Sul, mais propriamente do Perú como se pode ler no rótulo.
E era publicitado como um excelente tónico, o que não admira!

Não era uma bebida barata, pelo que não fazia parte dos gostos das massas, mas era muito apreciado por gente nossa conhecida: Ibsen, Zola, Júlio Verne e o Papa Leão XIII, como se pode ver neste anúncio da marca em que aparece Sua Santidade a proclamar as virtudes tonificantes deste vinho. Aliás, Sua Santidade chegou a condecorar o Sr.Mariani por "serviços prestados à humanidade". Entretanto, o absinto, que depois da filoxera chegou a ser quase mais barato do que o vinho de uva, era diabolizado e considerado o fruto de todos os males...


Contos de Orkény - 10

QUEM A VIU ?

Fehér Kálmánné, nome de solteira Mária Flugl, 41 anos de idade, moradora em Budapeste, foi ao cinema no dia 7 do mês corrente, às cinco e meia da tarde, e desde então não voltou para casa. As suas características: tem estatura alta, ou antes, é baixa com tendência para engordar, ou melhor, é muito magra. Os olhos são azuis, aliás esverdeados, talvez pretos.
A cor de cabelos é incerta. O seu casaco de Inverno é azul-escuro, ou melhor, castanho-ferrugem, mas também é capaz de ser cinzento, com a gola bordada a pele. ( Mais exactamente: não é pele, mas veludo ou não tem nenhuma gola bordada. ).
A sua característica particular é : mulher.
À espera do aviso urgente do achador.

- O marido ansioso.


- István Orkény, Histórias de 1 minuto, vol.1, Cavalo de Ferro, 2004.

A nova família...


Novidades - 69 : Richard Avedon

Agora que terminou a exposição no Centro Internacional de Fotografia de Nova Iorque, há a possibilidade de a ter em casa através do livro homónimo: Avedon Fashion 1944-2000, dedicado ao fabuloso trabalho de fotografia de moda de Richard Avedon, um dos grandes fotógrafos do séc.XX. No entanto, Avedon não foi apenas um genial fotógrafo de moda, mas também um grande retratista, tendo fotografado e de que maneira todos os grandes da segunda metade do séc.XX, dos Beatles a Ezra Pound, de Eisenhower a Karita Mattila ( que está infra ) .

- Richard Avedon, Karita Mattila.

- Richard Avedon, Dovima and the Elephants, Paris, 1955. Dovima, uma das primeiras top models quando ainda assim não eram chamadas, num vestido de noite da Casa Dior, desenhado por um jovem assistente de Christian Dior chamado Yves Saint-Laurent...


- Fotografias perfeitas quando ainda não havia photoshop e afins.

- Avedon Fashion 1944-2000, 2009 ( Para comprar vale a pena a Amazon.com, onde está a um preço mais simpático )

Desenhos 1.

A partir das últimas décadas do século XVI, verificou-se entre os artistas portugueses uma valorização do Desenho como meio de criação.
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Francisco Venegas, O Amor Virtuoso castigando a Fortuna, c. 1580-90
(actividade conhecida 1582 – c. 1594)
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Desenho à pena a tinta castanha, Invº 667 Des, MNAA
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Nota: a data de nascimento julga-se que foi c. 1525 e a morte 1594, estudo de Vítor Serrão.

Da pintura e da ilustração: João Vaz de Carvalho

Não queremos acordar com o despertador e queremos vê-lo a milhas de distância. João Vaz de Carvalho consegue dar-nos a alegria de ver os relógios a fugir!
Bom dia!
Relógios de João Vaz de Carvalho



Capa: S/ título, acrílico s/ tela,, 114×146, 2009


João Vaz de Carvalho nasceu no Fundão. Entre 1981 e 1984 trabalhou no atelier de Vasco Berardo, em Coimbra. Dedicou-se à pintura e à ilustração.

Auto-retrato(s) - 11


Marc Chagall - Retrato duplo com copo de vinho
Óleo sobre tela, ca. 1917-1918
Paris, Musée Nationale d'Art Moderne


Marc Chagall auto-retratou-se mais de uma vez. Escolhi este, mas pode ser que venha a colocar outros deste pintor que é um dos meus preferidos.

Windows... problemas de tradução ou de inteligência

Um amigo, JPS, enviou uma pequena série de petites histoires.
Adaptei uma que aqui fica:

Uma pessoa entra numa loja de cortinas e diz para o empregado:
- Por favor, eu queria umas cortinas para o monitor do meu computador!

O empregado, espantado, diz:
- Mas, os monitores não necessitam de cortinas!

Diz a pessoa,com ar de espertalhona:
- Helloooooooooooooooo?!?!?!?!......... Eu tenho o Windows!!!!!!!

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Porto: no início da Alameda D. Afonso Henriques,
junto à Estação de S. Bento.

A presença dos Portugueses no Museu Britânico!

Quando descobri as moedas portuguesas de D. Manuel I e de D. João V senti orgulho dos homens que as levaram a todas as partes do Mundo.
x
Moedas de D. Manuel I
Moedas de D. João V
OS LUSÍADAS
X
CANTO PRIMEIRO
x
As Armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram;

(...)

Luís Vaz de Camões, Lusíadas, Lisboa: Edição da Imprensa Nacional de Lisboa, 1971

domingo, 6 de setembro de 2009

Lascia ch'io pianga

Uma das mais belas árias da obra operática de Handel para esta noite de domingo

Deixa que eu chore
minha sorte cruel,
que eu suspire
pela liberdade.
A dor quebra
estas cadeias
de meus martírios,
só por piedade!



O pesadelo do cinema alemão

Em Setembro de 1940 estreava-se o film Jud Süss de Veit Harlan. O público alemão e italiano saudou com aplausos a película no Festival de Veneza a 5 de Setembro. Duas semanas depois, convidados de alto “gabarito” assistiram à estreia em solo germânico, no Palácio da Ufa em Berlim.
O regime alemão classificou Jud Süss como “particularmente precioso sob ponto de vista político e artístico” e “recomendável para a juventude”. Goebbels “glorificou-o" como o “primeiro filme realmente antisemita”. O ministro de propaganda do Reich dera instruções para a realização do filme em 1939. A produção, sob o controlo permanente de Goebbels, conseguira recrutar nomes conhecidos da época, entre eles, Heinrich George, Kristina Söderbaum e Ferdinand Marian nos papéis principais, bem como Veit Harlan como realizador. Segundo as investigações históricas, terá Goebbels insistido na concretização de Jud Süss, com vista a convencer o Führer definitivamente do seu apoio incondicional. O matrimónio ariano "exemplar" de Goebbels com Magda encontrava-se em perigo, dado o affair do ministro com a actriz Lida Baarova.

Jud Süss conta a história do judeu Joseph Süß Oppenheimer (1692-1738), chamado Jud Süss e conselheiro financeiro do Duque Karl Alexander de Wurtemberga. A sua política fiscal rigorosa terá conduzido a um descontentamento geral da população. Acusado de todos os males, Oppenheimer não resistiu às hostilidades, tendo sido condenado à morte após o falecimento do duque.
A transposição da narrativa para os interesses da ideologia nazi não foi difícil. Harlan deturpa perfidamente os factos históricos do romance homónimo de Lion Feuchtwanger de 1925, autor judeu que viria a emigrar da Alemanha. Integra apenas os aspectos que, historicamente não comprovados, servem a campanha difamatória do regime. Oppenheimer é fonte de atrocidades, vícios e crimes. Os atributos negativos exteriores e interiores que a propaganda via no judaismo, concentram-se todos neste personagem: a população do século XVIII confronta-se com o sacrifício dos impostos, da autoria de Oppenheimer. A luxúria a que o duque sucumbe, é incentivada por Oppenheimer. A bela e pura Dorothea é violada, por Oppenheimer evidentemente. O castigo no final é naturalmente merecido. Desnecessário referir que a monstruosidade de Oppenheimer manifesta-se no aspecto físico do actor, em total colisão com a fisionomia de Dorothea, epítomo da raça ariana com os seus cabelos loiros e os olhos azuis, interpretada pela sueca Kristina Söderbaum, esposa de Harlan.

Jud Süss tornou-se de exibição obrigatória diante das tropas na frente Leste e dos membros da Schutzstaffel (SS), encarregados da vigilância dos campos de concentração. Tornou-se igualmente num êxito de bilheteira: registou 6,2 Mio. de Reichsmark até 1945. Cumpria o propósito da maquinaria do regime: agitava a população alemã contra judeus. Se os crimes praticados à comunidade judaica, a culminar horrivelmente nos campos de extermínio, carecessem de explicação, Jud Süss parecia dar as justificações necessárias.

Ambígua continuou a posição do realizador Veit Harlan após a derrota da Alemanha em 1945. Acusado por crimes contra a Humanidade, Harlan afirmava ter apenas servido os interesses da arte, e não os da NSDAP. Sentimentos de culpa eram-lhe alheios e incompatíveis com a ambição profissional. Todavia, foi ilibado. Em contrapartida, sua esposa, Kristina, manifestou arrependimento. Numa autobiografia em 1983, lemos as seguintes palavras (tradução não literal): Só Deus saberá da dimensão de culpa que todos nós que participámos neste filme, carregamos connosco. Não nos deu a força de um Maximilian Kolbe, de um Dietrich Bonhoeffer e de todos os resistentes anónimos. Manteve-nos fracos, cobardes até, e por isso cumprimos uma missão terrível. Julgará então Deus, se a fraqueza também é culpa.
Imagens: cartaz de Jud Süss; a figura histórica de Joseph Süss Oppenheimer; o romance homónimo de Lion Feuchtwanger; Ferdinand Marian (Jud Süss) e Kristina Söderbaum (Dorothea Sturm); Goebbels e Veit Harlan (no centro)

Pistas para uma solução

Nos últimos dias deixei no ar dois enigmas que são ambos peças de um mesmo puzzle: 1º quem é o pintor?; 2.º qual é o reverso?. O objectivo do segundo era dar pistas para a solução do primeiro.
O objecto do post de hoje é dar pistas para a de ambos. Mais uma pista... a última, para a solução... O olhar não basta!... O olhar pode transmitir-nos a alma daquele que olhamos. Mas as mãos mostram, ou podem mostrar, a vida sofrida. Os nossos antepassados sabiam isso melhor que ninguém. Usavam luvas.
Qual é o retrato e qual é o seu reverso? Quem foi o pintor que os pintou?

[Não te analises]

X
Não te analises.

Não procures no perfume das flores
a tempestade das raízes.

Nem queiras
desatar o fumo
do carvão das fogueiras.

Ama
com ossos de cinza
e cabelos de chama.

E deixa-te viver
em rio a correr...

José Gomes Ferreira
In: Poesia - IV. Lisboa: Portugália, 1970, p. 91

Ao fazer mais uma tentativa para encontrar certo poema de JGF.

REVELAÇÃO

Tinha quarenta e cinco ...e eu, dezasseis...
Na minha fronte, indómitos anéis
vinham da infância, saltitando ainda.

Contavam dela: - Já falou a reis!
Tinha quarenta e cinco..., e eu, dezasseis...
Formosa? Não. Mais que formosa: Linda

Seu olhar diz: Seja o que o Amor quiser,
a verde planta que os meus dedos tomem!

Pela última vez foste mulher...
E eu, pela primeira, fui homem!

Pedro Homem de Melo (Grande, Grande Era a Cidade)

Pedro Homem de Melo, in Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (Selecção, prefácio e notas de Natália Correia), Lisboa: Antígona, 2008 (5ª edição), p. 392

As poderosas


As listas valem o que valem, mas há algumas a que se presta mais atenção. É o caso da lista das mulheres mais poderosas do mundo, recentemente publicada pela revista Forbes.
E não terá sido uma grande surpresa que o primeiro lugar tenha cabido à chanceler alemã, Angela Merkel. Uma novidade na lista foi a presença pela primeira vez de Michelle Obama, em 40º lugar, indubitavelmente a primeira-dama mais poderosa do planeta, e dois lugares acima de Isabel II de Inglaterra (42º lugar ) , apesar da enorme fortuna desta.

Novidades - 68 : Simenon


Agora que passam 20 anos sobre a morte de George Simenon, um dos gigantes da literatura policial do séc.XX, e o maior de língua francesa quero crer, apareceram várias obras dedicadas ao pai do imortal Comissário Maigret. Saliento esta de Pierre Assouline, autor de uma excelente biografia de Simenon de que gostei bastante.
Este volume reúne 1000 citações do próprio Simenon, sobre a sua vida ( complexa, desde logo no que respeita às relações com os filhos e à sua bulimia sexual ) e a prolífica obra.
- Autodictionnaire Simenon, Pierre Assouline, Ed. Omnibus, 808p, 2009, 26€.

Contos de Orkény - 9

MAL- ENTENDIDO HISTÓRICO

- Allô! Moloko?
- Como?
- Moloko?
- Vu paruszki gavaritye? (1)
- Não percebo o que está a dizer.
- E a senhora o que está a dizer?
- Pergunto pelo meu genro.
- Então porque é que disse «moloko» ?
- Por que não devia ter dito?
- Porque isso em russo significa «leite».
- Mas é assim que eu chamo ao meu genro.
- Não sou eu.
- Mas eu marquei o número correcto.
- Então há aqui alguma coisa que não bate certo, minha senhora.


(1) Em russo : « Fala russo? »

- István Orkény, Histórias de 1 minuto, vol.1, Introd., selec. e trad. do húngaro de Piroska Felkai, Cavalo de Ferro Editores, 2004.

Fragmentos Poéticos - 2

Arquíloco, Museu do Louvre

IDEAL GUERREIRO

Não aprecio o general alto, nem o de larga passada, o orgulhoso com os anéis de seu cabelo ou o bem barbeado.
Dêem-me antes um pequeno, seja mesmo de pernas tortas, mas que se erga firme de pés, todo ele coragem.
Fragmentos Iâmbicos: frag. 114

Arquíloco, Fragmentos Poéticos, Lisboa: Imprensa Nacional, 2008, p. 90 (Introdução enotas Carlos Martins de Jesus)

Filmes de João Bénard da Costa

No dia 2 teve início, na Cinemateca, um ciclo sobre os filmes da vida do antigo director daquela Casa.
De entre eles destaco, esta semana:

A Rapariga do Baloiço Vermelho, de Richard Fleischer (1955)

Terça-feira, dia 8, 21h30

Sentimento, de Luchino Visconti (1954)

Quarta-feira, dia 9, às 19h00
Quinta-feira, dia 10, às 19h30

The Beatles -I've Just Seen a Face!

PENSAMENTO DO DIA

" Le temps, les rides, les coups, les amours, la mort même, rien ne nous débarrassera jamais de nos parents. Heureusement. "

- A. de Clermont-Tonnerre

Mais um pintor que nos deixa

Morreu ontem ao fim da tarde no Hospital de S. Marta o pintor João Vieira, de complicações pós-operatórias. Tinha sido operado ao coração na sexta-feira.
O currículo é sobejamente conhecido pelo que não vou falar dele, vou antes procurar uns quadros. O que talvez muitos não saibam é que era o pai de Manuel João Vieira, músico fundador dos Ena Pá 2000, entre tantas outras coisas, e tio do meu querido amigo Alexandre Vieira Abrantes que várias pessoas do blogue conhecem.

O Rapto de Ganymedes


(Porto 29.08.2009)
Zéus, disfarçado de águia, rouba um jovem, Ganymedes, por quem está apaixonado!
Estátua de Fernandes de Sá (1874-1956)
Porto: Praça de Lisboa (Frente ao Comando Militar)
Inaugurada c.1915-1916. Escultura premiada no Salon de 1900 de Paris.
Foi numa noite de Lua Cheia, como esta que ocorre agora!

«o Junqueiro bric-à-braquista»

Para além do Junqueiro poeta, «houve um Junqueiro político; o Junqueiro bric-à-braquista; o Junqueiro filósofo; o Junqueiro sábio; o Junqueiro ferozmente anticlerical; o Junqueiro sim ou não convertido; o Junqueiro tolstoiano; o Junqueiro lavrador de Barca de Alva; o Junqueiro causticamente irónico de Lisboa e do Porto.» (João de Barros)




Edifício construído no século XVIII, atribuído a Nicolau Nasoni, para habitação de Domingos Barbosa, cónego da Sé do Porto. Foi adquirido pela filha do poeta, em 1934 e doado à CMP para albergar os objectos que Junqueiro coleccionou ao longo da vida, recriando o ambiente da sua casa.
A Casa-Museu apresenta notáveis colecções de artes decorativas.




Escultura de Leopoldo de Almeida.


Uma buganvília.

Casa-Museu Guerra Junqueiro
Rua D. Hugo, 32
Porto

Diálogo entre o Poeta e o Tejo

Rio Tejo, Almourol

Poeta


Tejo que tens, estás quedo?
Não banhas hoje esta praia?
De que o teu valor desmaia?


Tejo


Eu to digo, mas segredo:
Confesso que tenho medo
Do teu ranchinho infernal.

(...)


Bocage, Poesias eróticas burlescas e satíricas, Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar SA, 1999, p. 180

Que noite serena!

Que noite serena!
Que lindo luar!
Que linda barquinha
Bailando no mar!

Suave todo o passado - o que foi aqui de Lisboa - me surge...
O terceiro-andar das tias, o sossego de outrora,
Sossego de várias espécies,
A infância sem o futuro pensado,
O ruído aparentemente contínuo da máquina de costura delas,
E tudo bom e a horas,
De um bem e de um a-horas próprio, hoje morto.

Meu Deus, que fiz eu da vida?

Que noite serena, etc.

Quem é que cantava isso?
Isso estava lá.
Lembro-me mas esqueço.
E dói, dói, dói...

Por amor de Deus, parem com isso dentro da minha cabeça.

Álvaro de Campos
In: Poesias. Lisboa: Ática, s.d., p. 121-122

A primeira quadra era citada num livro que acabei de ler hoje.
Dizem que Álvaro de Campos é o Pessoa preferido pelas mulheres. É o meu caso, para além, claro, de Bernardo Soares.