Prosimetron

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sábado, 6 de dezembro de 2008

Péssimo serviço à leitura



Por ocasião da comemoração dos seus 120 amos, o Jornal de Notícias distribuiu com o jornal a Colecção 120 anos JN. Grandes autores portugueses, cujos «restos» foram há pouco tempo distribuídos com o Diário de Noticias. Um desses voluminhos é a Menina e moça, de Bernardim Ribeiro. Estive à espera que o Jad fizesse um post sobre esta edição que se pretende para o grande público, já que foi ele que me alertou para ela. Começa assim: «Menina e moça me levaram de casa de minha mãi para muito lonje. Que causa fosse entam daquella minha levada, era ainda piquena, nam a soube. Agora nam lhe ponho outra, senam que parece que jaa entam avia de ser o que depois foi.»
Esta edição, integrada numa colecção de divulgação, não deveria ter a ortografia actualizada? Era o mínimo! Quem vai ler este livro? Na ficha técnica explica-se que «Este livro segue a Edição de Ferrara, de 1554, depositada na Biblioteca Nacional.» Isso não impedia a actualização ortográfica. Esperava melhor da QuidNovi.

5 comentários:

Anónimo disse...

Acho graça! Talvez os jovens leiam e comparem com o que se escreve hoje. Vão logo dizer que os erros já existiam no passado e dá para dialogar sobre isto.

De qualquer forma uma grande parte dos jovens não o vai ler. Nem conseguem ler o Eça!
Contudo, talvez se editassem na nossa lingua actualizada e na de outrora fosse melhor. Compreendo o seu ponto de vista.
A.R.

Jad disse...

Isto resultou por não saberem editar nem preparar edições do passado. Actualizam (ou melhor, normalizam) o uso de algumas letras, isto é, onde se encontra "y" escrevem "i"... e outras vezes inventam [sic] "formas antigas" que não se encontram na edição chamada de Ferrara, 1554.
As edições tem sempre de ser pensadas e ter em conta o público!

LUIS BARATA disse...

Se esta edição se destinava ao grande público, não faz sentido a ortografia escolhida.
Um disparate editorial. E é pena porque é livro que merece ser lido e relido.

Anónimo disse...

Pois eu defendo habitualmente que as edições devem seguir o original, do mesmo modo que também quando transcrevo qualquer documento antigo nunca o actualizo. Contudo, neste caso, concordo em absoluto consigo. Irá confundir os mais jovens e, infelizmente, nem só esses. Como diz o Luís, ainda para mais numa edição virada ao grande público. JPSampaio

Anónimo disse...

Não vi o livro e concordo em pleno com J.P.Sampaio no que respeita a transcrições de documentos. Para não se perder achava por bem que coexistissem as duas versões numa edição para o grande público.

Agora, paremos para pensar se não a tivessem feito ninguém falaria e não se levantaria a lebre...talvez assim se interessem por ela.
A.R.