Prosimetron

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quarta-feira, 11 de março de 2009

Poesia, ciência e pão...

A Ciência, as Letras e as Artes cruzam-se muitas vezes, umas em sintonia outras criando uma fronteira.
Acerca deste pensamento que me ocorreu esta manhã, lembrei-me de colocar o Gonçalo Tavares.
2ª Pergunta
(…) o que fará mais falta aos dias do animal humano: a fórmula E=mc2 ou os versos de Rilke? Alguns cépticos da Literatura e da Física dirão que nem a falta de um nem de outro perturbarão o quotidiano de 99% dos habitantes de qualquer cidade. E dirão ainda que a falta de uma côdea de pão à hora de almoço ou um mero engarrafamento perturbam bastante mais o dia de um cidadão que o esquecimento de fórmulas de Física ou das fórmulas da vida (a poesia). (…)
E na poesia há um outro lado da questão que é o seguinte: um verso não tem currículo. Isto é: parece-me que um verso, quando é forte é bom, vem sem nada atrás, sem percurso; surge do zero. É muito grande durante o instante em que existe nos nossos olhos e na nossa cabeça, e depois desaparece.
Os versos fortes não têm currículo nem, dirá vossa excelência, passado. (…)
Não sei se subscreve esta definição, senhor Breton?



Gonçalo M. Tavares - O Senhor Breton e a entrevista , Lisboa: Caminho, 2008, p. 13-17

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